O que significa ser prudente? Muitas vezes não avaliamos nossas atitudes; a vida passa tão rapidamente que não damos conta de nos avaliar.

O ritmo frenético, as inúmeras demandas da vida nos impedem até de respirar, não é verdade? Muitas vezes nos sentimos sem ar, sem tempo. Quanto mais agirmos na correria, mais estaremos propensos a agir sem prudência, sem calcular, sem analisar, ou ponderar.

Prudente é aquele que sabe calcular bem, que analisa antes de dar o passo, que pensa e repensa antes de dar o passo. Mas não só isso. Essa definição é muito diminuta; a prudência é a virtude que nos faz buscar o fim; além disso, também os meios necessários para este fim. O fim último é o céu.

A prudência nos ajuda a discernir o que é bom e a escolher o bem.

Não temos tido tempo para pensar, ou nos impomos um ritmo que não é humano; não somos muitas vezes capazes de aceitar nossos limites, mas quando não somos prudentes, nós nos tornamos tolos.

O tolo não sabe discernir, escolher o bem; tem o seu olhar voltado somente para o “agora”.

Quando não analisamos o dito popular, damos com os burros n’água.

Quem você é? Tolo ou prudente?

Mais do que exemplos de nosso cotidiano, o trabalho, a família o estudo, corremos tanto que acabamos correndo de Deus, as mídias sociais a facilidade de estarmos conectados, até mesmo a facilidade de ter liturgia do dia no celular, tudo isso tem feito com que também coloquemos Deus e a intimidade com ele no bolso, na correria… Na hora que der eu me dirijo a Ele rapidinho ali no sufoco. A rapidez com que levamos a vida nos impede de pensar e repensar. Impede-nos de sentar, de tomarmos a palavra na mão e meditarmos nela e, além disso, de ruminar, deixar Deus nos conduzir e falar conosco. Agimos como tolos inconsequentes.

Naturalmente, quanto mais longe formos, mais difícil é retomar. É como pegar uma saída errada numa rodovia: pode demorar bastante para o próximo retorno; a viagem fica mais longa.

Assim, quanto mais distante de Deus, mais difícil é retomar.

Há dias em que realmente é difícil. Não estou querendo dizer que não podemos rezar no carro ou no trabalho. Estou querendo dizer que isso não pode ser o ordinário, não podemos sempre substituir o encontro com Deus com as inúmeras justificativas que temos.

Mas devemos ser prudentes. O prudente prioriza o tempo com Deus porque sabe que não é capaz de nada sem que Ele o conduza.

O prudente espera a vinda do Senhor

Não é uma espera parada e fria, mas é no seu cotidiano porque Ele espera com o coração voltado para o céu.

Gosto muita dessa canção do Monsenhor Jonas Abib: “Vigia esperando a aurora. Qual noiva esperando o amor, é assim que o servo espera a vinda do seu Senhor”.

O nosso coração precisa estar vigilante, atento à vinda do nosso Senhor para que nossas lâmpadas estejam acessas à Sua espera.

Na verdade, o mundo atual só pensa no agora. Se pensamos no agora, logo não pensamos no amanhã. Sejamos prudentes, para não sermos surpreendidos.

Sejamos como as virgens prudentes! É tão impactante esse relato nas Sagradas Escrituras:

“Então, o Reino dos céus será semelhante a dez virgens, que saíram com suas lâmpadas ao encontro do esposo. Cinco dentre elas eram tolas e cinco, prudentes. Tomando suas lâmpadas, as tolas não levaram óleo consigo. As prudentes, todavia, levaram de reserva vasos de óleo junto com as lâmpadas. Tardando o esposo, cochilaram todas e adormeceram. No meio da noite, porém, ouviu-se um clamor: ‘Eis o esposo, ide ao seu encontro’. E as virgens levantaram-se todas e prepararam suas lâmpadas. As tolas disseram às prudentes: ‘Dai-nos de vosso óleo, porque nossas lâmpadas se estão apagando’. As prudentes responderam: ‘Não temos o suficiente para nós e para vós; é preferível irdes aos vendedores, a fim de o comprardes para vós’. Ora, enquanto foram comprar, veio o esposo. As que estavam preparadas entraram com ele para a sala das bodas e foi fechada a porta. Mais tarde, chegaram também as outras e diziam: ‘Senhor, senhor, abre-nos!’ Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo: não vos conheço! Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora’” Mt 25 10,13.

Fico pensando que, com certeza, as esposas da primeira hora não foram apressadas, ou distraídas, mas ponderaram: “vou me encontrar com o esposo; o que vou precisar? É melhor levar uma reserva caso Ele tarde.” Colocaram seu coração na espera do Senhor, e embora todas adormecessem, elas estavam preparadas, foram prudentes, pensaram e repensaram do que necessitavam.

Onde está o teu coração?

Já parou para pensar caso o Senhor bata à sua porta hoje, como Ele vai encontrar você? Como está a lâmpada da sua fé?

Está cheia? Caso ele demore, você tem reserva?

É muito forte este relato das virgens tolas. Penso que elas devem ter deixado tudo para a última hora. Pouco se preocuparam com sua viagem; foram tolas apressadas, distraídas, não calcularam bem e se perderam; muito além disso, o coração não estava no esposo, na espera, na vigília no desejo de encontrá-lo. Talvez estivessem perdidas em seus afazeres.

Quantas vezes o Senhor tem batido à nossa porta, através de alguém, de uma leitura, da criação, e não temos percebido?

Nós nos esquecemos de que fomos feitos para a eternidade e nosso coração precisa estar voltado para Ele, para a última hora. A finalidade da nossa vida é a eternidade.

Porque, se não estamos conectados, não estamos as lâmpadas acesas.

Como vemos na Escritura, o Esposo diz às imprudentes: “Não vos conheço”.

O Senhor nos convida hoje a sermos prudente, a vigiar, a enchermos a lâmpadas da fé e da esperança, para que Ele nos encontre e possamos entrar na intimidade com Ele.

Ele vem. E nos quer encontrar!

Jaqueline Moreira
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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