Quando a alma canta

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Nunca imaginei que eu pudesse compor músicas, mas aquele que canta extrai a essência mais profunda do compositor.

Quando me coloco em postura de oração eu correspondo ao convite do encontro de Deus comigo. E assim como em uma amizade começo a falar tudo o que eu sinto, mergulhada em liberdade e intimidade que somente uma verdadeira amizade proporciona. Porém, nem sempre eu consigo abrir minha boca para realmente falar, seja por conta do ambiente que me encontro ou qualquer outra situação que me impeça de falar em voz alta.

Com isso, comecei a escrever minhas orações a Deus, primeiro pelo fato de eu gostar muito de escrever e segundo para sempre poder fazer memória, para assim relembrar as promessas de Deus. Sem contar o fato de que ao reler as escritas isso poder se tornar uma maneira de ver e poder louvar a Deus por tudo o que Ele foi realizando em minha vida na medida eu que me abria a sua vontade.

Dessas escritas que eram apenas minha conversa com Deus Ele acabou me dizendo que elas eram mais do que uma simples conversa, eram a minha alma desejosa e sedenta da intimidade com o amado de minha alma.

Dom dado por Deus

Quando tomei consciência que minhas orações a Deus poderiam ser transformadas em canção meus olhos se abriram: dom dado por Deus. Claro que assim como acontece com alguém crítico muitas vezes eu apagava as escritas, sequer chegava a falar para alguém e muito menos mostrava a composição. Até que um dia, quando estava adorando a Deus na capela do Santíssimo na Comunidade Católica Pantokrator, na missão de Santos, coloquei no papel o que estava sentindo no momento e quando terminei de escrever a melodia do refrão apareceu. E foi assim que a primeira canção saiu.

Imediatamente pensei: Não gostei, não vou falar para ninguém, o que já era habitual. Nesse momento Deus me exortou, eu não podia negar o talento que Ele me confiava. Não poderia ser o servo mal e preguiçoso da parábola dos talentos que encontramos em  Mt 25, 14-30. Entretanto, não foi tão simples assim, relutei ao mostrar para alguém. Até que um dia tomei coragem e mostrei para uma amiga, ela colocou a melodia na letra e disse que se eu não mostrasse para as pessoas, ela mesma mostraria e acredito que ela foi instrumento de Deus para me ajudar a dar o passo de multiplicar os talentos que o Pai me concedeu.

Intimidade externada em canção

Quantas vezes você já se conectou com Deus através de uma canção? Ou quantas vezes a música já lhe ajudou a se concentrar na oração?

Os compositores externam o que sua alma canta e dividem com as pessoas o grau mais profundo de sua intimidade com Deus. Tal intimidade transformada em música ajuda tantas pessoas a se conectarem com o Pai.

Quantas vezes eu não sabia o que dizer a Deus ou como fazer uma oração e a música veio em meu auxílio! Um exemplo clássico é a canção “Teus Planos” do Juninho Cassimiro. Essa foi uma canção, ou melhor, ainda é uma composição que sem dúvidas me auxilia a perseguir a vontade de Deus para minha vida. Bendito e louvado seja Deus pela vida desse compositor que expõe o que sua alma canta!

Pense em uma composição que te auxilie na intimidade com Cristo e louve a Ele pela vida desse compositor, pois ele teve coragem de colocar o seu dom a serviço e por mostrar o que sua alma canta. Se ele tivesse guardado para si não seríamos capazes de tocar na beleza de Deus transformada em canção.

Existem músicas com letras lindíssimas e outras mais simples, até mesmo com poucas frases, mas são tão íntimas que nos conduzem a uma busca pelo Pai.  Deus não se preocupa com palavras bonitas, mas sim com um coração sincero.

Se você possui o dom da composição coloque a serviço, se possui o da melodia, coloque em pratica também. Ou talvez você goste de escrever, de falar, de abraçar. Eu não sei qual dom Deus te confiou. Ainda assim, certamente, nesse lugar o Pai registra a grandeza da intimidade.

Permita-se exteriorizar o que sua alma canta e seja dom para o outro.

Jéssica Feitosa Fernandes
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator 

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