Quando a felicidade do outro se torna a minha alegria

1
alegria

“A carteira de identidade do cristão é a alegria”

Ao encontrarmos um amigo, sempre fazemos a mesma pergunta: “E aí, beleza?”; “Olá, como vai a vida?”; “Oi, nossa! Você sumiu; novidades?”, entre outras variações. Porém, na maioria das vezes, fazemos essa pergunta apenas por uma convenção social, sem muitos interesses reais na vida desse nosso irmão, amigo, parceiro e, por muitas vezes, podemos perder uma oportunidade de perceber a felicidade desse irmão, conhecer suas novidades, ver que está “tudo ótimo” em sua vida e sentir alegria com isso, não por inveja ou algo do tipo, mas simplesmente por estarmos no modo automático da vida.

São Paulo disse aos romanos: “Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram” (Rm 12, 15).

Alegria verdadeira é dom de Deus

Empaticamente falando, é muito mais fácil compadecer-se de um irmão do que se alegrar verdadeiramente com ele; porém, nessa tênue linha entre compadecer-se e alegrar-se, está uma bela oportunidade de santificar a própria vida. Alegrar-se sem sentir inveja ou sem algum tipo de falsidade é um dom de Deus. Alegrar-se com os que se alegram não é simplesmente um pedido de São Paulo aos romanos, mas sim uma missão dada por Deus para que possamos, através dessa alegria, semear o amor e ser luz no mundo para aqueles que necessitam de um simples sorriso.

Sabemos que Jesus se alegrava com seus discípulos, apóstolos, amigos e familiares, vemos relatos evangélicos em que Cristo festejava boas novas e estava sendo verdadeiro amigo daqueles que O cercavam. Vemos que na Cruz, mesmo com Seu sofrimento físico, Ele se alegrava com o arrependimento do bom ladrão e regozijava de alegria ao anunciar que naquele mesmo dia, o bom ladrão estaria junto d’Ele no paraíso; também na Cruz, temos outros momentos de alegria, quando, pelo mais puro amor, Jesus chama João de filho e através dele nos dá Maria como mãe, posso afirmar, sem medo algum de errar que foi um momento de grande alegria para os três, mesmo sendo num momento de grande dor devido à crucifixão de Jesus.

São Paulo disse os Filipenses “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Fl 4, 4).

O cristão não é triste

Não só São Paulo, mas também o Papa Francisco, em sua homilia do dia 28 de maio de 2019, diz que “a tristeza não é um comportamento cristão”; e completa: “para não perder esta juventude renovada, para não ser cristãos aposentados que perderam a alegria e se deixam conduzir… O cristão nunca se aposenta, o cristão vive, vive porque é jovem, quando é cristão verdadeiro”. Quando a felicidade do outro se torna a minha alegria, é possível estar mais próximo do próprio Cristo E viver como Ele viveu, amar como Ele amou, alegrar-se como Ele se alegrou; aí está o segredo para nos alegrar com a felicidade do outro. Devemos ser imitadores de Cristo que, mesmo sendo Deus, aprendeu a ser humano com Maria e José, mesmo sabendo tudo, conhecendo tudo e podendo tudo, quis aprender com seus pais terrenos a ternura da mãe, a firmeza do pai e a alegria de ser canal da salvação de Deus para a humanidade.

Em outra homilia, do dia 23 de maio de 2019, Papa Francisco comenta que “o cristão é um homem e uma mulher da alegria, um homem e uma mulher com a alegria no coração. Não existe cristão sem alegria. E aqueles que atuam de maneira contrária não são cristãos! Dizem que são, mas não são! Falta-lhes alguma coisa”.  Ele também explicou que “a carteira de identidade do cristão é a alegria, a alegria do Evangelho, a alegria daquela esperança que Jesus espera de nós, essa alegria que inclusive em momentos de sofrimento se expressa de uma maneira distinta, é a paz, na certeza de que Jesus nos acompanha”.

Maria, nosso exemplo

Que possamos, pela graça e intercessão de Maria, com o auxílio de São José, pai da castidade, aprender a nos alegrar verdadeiramente como Cristo Se alegra com a felicidade do nosso irmão.

Que o Cristo Pantokrator, com Seu olhar firme e terno, pela graça do Espírito Santo com Deus Pai, derrame a verdadeira alegria no seu coração.

Deixo apenas uma última pergunta: você já se alegrou hoje?

Renato Olegario
Engajado na Comunidade Católica Pantokrator

1 COMENTÁRIO

Deixe uma resposta

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, insira seu nome aqui.