Quando não souber o que fazer, reze!

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Em alguns momentos na vida, somos submetidos a provações. Momentos que nos surpreendem com imprevistos, contrariedades… e que exigem uma resposta bem pensada que só conseguimos alcançar pela oração. Chegar a uma conclusão por exclusão ou se guiando apenas pelos próprios anseios é contar apenas com aquilo que é falho em nós, pois em meio ao sofrimento intenso não conseguimos pensar direito, avaliar as possibilidades, a verdade daquilo que está envolvido.

E eis que surge então nossa maior dificuldade: como conseguir rezar diante do sofrimento?

Quem já passou por uma situação realmente difícil deve ter feito a experiência da falta de disposição para rezar. Ficamos estagnados, sem forças. Queremos lutar, ir além, mas nossa mente não se acalma, trazendo a situação na qual estamos envolvidos o tempo todo; e os sentimentos mais diversos possíveis não param de se alternar, impedindo qualquer possibilidade de concentração, minando nossa força e enfraquecendo nossa vontade.

Fomos feridos pelo pecado original. Carregamos em nós esta marca da desobediência, da desconfiança. Duvidamos de Deus, da sua bondade e misericórdia. Fomos afastados desta comunhão com Deus, e quando sofremos nossa carne pecadora se recorda de suas marcas e na sua imaturidade deseja ter o controle de todas as coisas, achando ser melhor que Deus.

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Quando desejamos tomar a frente nessas situações, somos como crianças rebeldes, que se negam a ouvir o Pai. Nesta desunião com Deus, sofremos ainda mais, sem saber o que fazer diante das opções que se apresentam.  Desta forma, quando precisar tomar uma decisão ou dar sentido a algum sofrimento na vida e não souber o que fazer, lembre-se:

  • Deus não vai abrir o céu e falar como você precisa agir. Você possui o livre arbítrio e nessas situações Deus Se cala, pois é tempo de viver as consequências da sua liberdade de modo verdadeiro e autêntico;
  • Mesmo sem vontade, sem sentir que Deus fala com você, insista, reze, coloque no coração de Deus suas dificuldades, suas decepções e suas vontades. Ele quer nos ouvir e nós precisamos conversar com Aquele que nos conhece em profundidade;
  • Quando sair da oração se coloque em movimento. Busque no dia a dia se dedicar àquilo a que você deve responder: suas obrigações. Se você é casado(a), seja um ótimo cônjuge, esforce-se por ser melhor a cada dia; se é estudante, seja um bom estudante. Precisamos ser bons naquilo que fazemos, independente da complexidade. Fazer coisas não responderá às suas dificuldades, mas isso impedirá que você desanime da vida pelo caminho, fará encontrar o sentido da felicidade humana, que se realiza no seu dever de estado. Deus te criou ser humano, e os elementos da sua humanidade devem estar sempre presentes para que você escolha de maneira adequada;
  • Faça tudo por amor. Não espere reconhecimento. Cristo veio e serviu as pessoas por amor, e foi pregado numa Cruz. Conformar-se à vida de Cristo é amar e não esperar retribuição. Ainda que você não tenha disposição para fazer nada, a disposição é apenas uma questão de contrariedade ao desânimo. Levante-se, determine-se e siga. Isso pode te conduzir ao próximo passo;
  • Não tenha pressa para se decidir ou para fazer a dor passar. Viva os aspectos do sofrimento se unindo à Cristo na Cruz. Use sua mente, que não consegue se desligar, para imaginar como foi o sofrimento d’Ele, como Ele suportou toda aquela dor, a indiferença daqueles que ali estavam e se sentiu abandonado, mas tinha a certeza de ser amado pelo Pai. Permita-se esta experiência profunda com o amor do Pai, que te ampara, acolhe e sustenta nas suas fraquezas. Esta experiência com o amor de Deus te livra de toda medida baixa de amor na qual você tem se lançado;
  • Afaste seus sentimentos. Eles não são bons conselheiros. Os sentimentos devem ser usados para experimentar o mundo e não para se decidir por eles. Trace um pensamento objetivo para avaliar o que está te incomodando naquela situação e como você obtém um resultado para este incomodo. Você estará fazendo uso da sua razão e inteligência. Ex.: Você está sofrendo pelo término de um relacionamento: – Quais os reais motivos para o fim? – Você está sofrendo porque amava, porque estava acostumado, ou porque tinha medo de ficar sozinho? – Se vocês retornarem, você o irá aceitar como ele realmente é, sem esperar mudanças? Se todas as respostas te conduzirem ao sim, ok! Se alguma delas não, você precisa pensar se realmente vale a pena;
  • Espere, respire e tenha paciência. Pense em como você poderia amar mais a Cristo naquela situação. Recorde-se das dificuldades que podem te afligir, mas não pare nos seus medos. Peça para que o Espírito Santo derrame sobre sua vida o dom da sabedoria e da fortaleza. Jamais em hipótese alguma exclua uma opção por medo de sofrer. Quando se sofre por amor a Deus, todo julgo é suave e todo fardo é leve;
  • Não deixe que a desconfiança tome lugar no seu coração, que pensamentos que não irão te levar para lugar nenhum fiquem te atrapalhando. Ocupe sua mente com Cristo, e lembre-se que você foi criado para participar da vida bem-aventurada de Deus, então você foi criado para ser feliz até mesmo nos sofrimentos. Suporte as dificuldades e não se abale com elas. Faz parte do processo de caminhar na maturidade entender que a vida por vezes pode ser difícil; porém, não é isso que te determina, mas seu entusiasmo e alegria para viver.

Respire, acalme-se, reze! Recorde-se que: “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus (…). Eu vi o trabalho que Deus impôs aos homens: todas as coisas que Deus fez são boas a seu tempo. Ele pôs, além disso, no seu coração a duração inteira, sem que ninguém possa compreender a obra divina de um extremo a outro”  (Ecl 3, 1-11). Sendo assim, lembre-se que o tempo se encarregará de auxiliá-lo nas adversidades. Não se preocupe em compreender tudo, pois isto cabe somente a Deus, apenas ame onde e como está!

Larissa Martins Machado
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

 

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