Quando sou fraco então sou forte

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Todos já passamos por alguma situação na vida e achamos que não conseguiríamos resolver, seja algum problema financeiro, familiar, de saúde ou no trabalho. Temos o tempo todo situações que expõem nossas dificuldades, seja com o outro ou com nós mesmos. Estas dificuldades revelam muitas vezes a nossa fraqueza e a incapacidade de agir ou reagir diante de uma situação. Por vezes nos sentimos completamente sem forças para permanecer em pé e lutar, mas em outras queremos resolvê-las da nossa forma e depositamos ali toda nossa energia. Então, esta mesma situação sai do controle várias vezes e nos deixa completamente exaustos.

Somos bombardeados com a extrema necessidade de “dar certo”! É dito que sempre precisamos pensar positivo, pois atraímos aquilo que pensamos; que devemos andar apenas com pessoas extremamente motivadas e que têm êxito na vida, pois somos a média das cinco pessoas que mais convivemos, precisamos ser pessoas com inúmeras qualidades, úteis e inteligentes. Qualquer coisa que fuja do limite de aceitação aos olhos de uma sociedade que tem vivido de aparências é imediatamente refutada! E dessa forma vivemos constantemente sobre pressão e exaustos por ter que manter uma imagem daquilo que não somos. Não merecemos uma vida pela metade, de aparências, conveniências ou acaso! Somos chamados à dignidade de seres humanos, filhos de Deus, com todas as belezas e dificuldades que este chamado nos reserva!

“Porém, temos este tesouro em vaso de barro, para que transpareça claramente que este poder extraordinário provém de Deus e não de nós. Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos. Vivemos em completa penúria, mas não desesperamos. Somos perseguidos, mas não ficamos desamparados. Somos abatidos, mas não somos destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.” (II COR 4- 7,10).

… o texto continua após a imagem…

Estamos em um mundo necessitado de humanidade e empatia, onde há pessoas que conheçam seu papel e que assumam suas lutas. Faltam pessoas que reconheçam as suas derrotas, mas que acreditem na beleza do chamado de Deus ao homem a esta filiação Divina! Como homens temos personalidade, temperamento, afetividade, sexualidade, razão, inteligência, vontade e pela filiação divina portamos interiormente a vida de Cristo! Somos frágeis, cheios de marcas e feridas da nossa história, limitados em nossas capacidades e até mesmo em nossas ações.

Porém, somos inteiramente livres e podemos transformar todas nossas marcas e feridas em degraus que nos curam para amar. Somos capazes de tirar das nossas limitações um grande louvor por nos levar a precisar dos outros e inteiramente de Deus, que nos faz compreender que não podemos viver sozinhos, que necessitamos da ajuda e da compreensão do outro e do Pai. Podemos assumir a realidade do vaso de barro que porta interiormente este tesouro que é a vida de Deus. Ele nos habita e nos sustenta em todas as dificuldades!

Diante de situações como desemprego, doença, morte e conflitos familiares nosso mundo “de faz de contas” desaba com a mesma fragilidade de um castelo de cartas, pois é perceptível diante dos nossos olhos a nossa realidade despida. Há um encontro com a nossa verdade, – que estava escondida e negligenciada há muito tempo – autossuficiência, orgulho e arrogância, é exposto tudo o que somos e a forma na qual vivemos.

“Mas Ele me disse: “basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente minha força.” Portanto prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Eis porque sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte.” (II Cor 12,8-10).

Não saberemos lidar com todos os acontecimentos da vida e nem sempre reagiremos bem a tudo o que nos acontecer, mas e daí? É exatamente na fragilidade que se encontra a beleza do ser humano, que ao se reconhecer incapaz e sem forças pode se rejubilar com São Paulo, dizendo: “Quando me sinto fraco, então é que sou forte.” As nossas fraquezas podem ser essa oportunidade de nos encontrarmos e lançar-nos nos braços de Deus e nos abandonar aos seus cuidados como crianças que dependem inteiramente do Pai.

Nem sempre tudo o que acontece em nossa vida tem respostas ou motivos. Tantas vezes parece que fomos abandonados por Deus, como um barco em meio a um mar revolto somos jogados de um lado para outro, e achamos que a qualquer momento iremos perecer. Diante de todo este sofrimento, precisamos silenciar e suportar com paciência as tribulações, sem deixar esmorecer nossa fé e esperança! É o momento de reconhecer que dói, mas colocar isso aos pés da Cruz de Cristo, sem cultivar uma auto piedade ou responder com nossa razão. Devemos crer cegamente que Ele nos ama e não podemos permitir que algo nos separe deste amor, já que justamente por este amor que nós não desistimos, tudo suportamos, em tudo cremos, tudo esperamos e por fim tudo vencemos!

Diante de toda nossa fraqueza é revelada a glória da força divina! Quando nos decidimos por permanecer, insistir e lutar por amor a Cristo, toda esta força se manifesta e podemos contemplar em nossa própria vida a beleza do milagre da força de Deus em uma criatura humana, fazendo-nos participantes de sua vida bem aventurada!

Deus abençoe você e conceda toda a força necessária para superar as dificuldades da vida!

Larissa Martins
Postulante na Comunidade Católica Pantokrator 

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