Quanta coisa já mudou em mim desde que me rendi à vontade de Deus. Mudanças físicas, estilo, vestimentas, vocabulário, pensamentos, idade. Após 25 anos, muita coisa ainda precisa ser mudada; porém, impossível não ser grata por tudo aquilo já realizado em mim.

Quem nunca ouviu aquela frase: “Quem te viu, quem te vê”?!  Acredito que essa frase traduz a resposta de uma pessoa que se deixou ser guiada por Deus.

Fui criada em um lar cristão. Logo, sempre estive envolvida em algum movimento dentro da  igreja.  Porém, entre estar e viver como cristão, há uma distância…

Quando fiz minha primeira comunhão, em seguida, passei a frequentar o grupo de jovens que existia na Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Praia Grande/SP. Lá, fiz amigos, cresci, terminei a escola e iniciei a faculdade. Ao longo desse caminho, posso dizer que muita coisa Deus realizou, apesar de, na época, não saber identificar tais transformações.

Assim como em todo crescimento, foi um processo doloroso. Afinal, crescer dói. “Dói, mas é amor” (Canto das Írias).

Apesar de minha educação ter sido dentro dos princípios católicos, para mim nunca foi uma obrigação ir à igreja com meus pais, pois eu gostava. Fiz aula de música justamente para poder cantar e tocar violão na igreja. Entretanto, tinha uma visão errônea: pensava que na medida em que eu errava, pecava, Deus me castigava. A história de “Deus te ama”, que todo mundo dizia, parecia mais um “clichê” em vez de ser uma verdade. Nessa visão, sofri bastante, pois Deus não me punia; quem me punia era eu mesma. Porém, louvado seja Deus por nunca me deixar ou me abandonar! Sua misericórdia sempre esteve presente.

Manifestação do amor de Deus

Ao fazer muitas coisas por legalismo, por sentimentalismo, por emoção (todas essas em excesso, sem equilíbrio), e não por uma decisão, Deus, inteligente como é, sempre Se aproveitou dessas situações para manifestar Seu amor por mim. Em um desses momentos, aos 15 anos de idade, conheci a Comunidade Católica Pantokrator. Naquele dia, tive contato com o Amor devorador, o Amor Ciumento de Deus pela minha vida. Percebi que algo diferente tinha acontecido, mas não sabia dizer o que era. Só pude dar nome ao que tinha sentido quando posteriormente identifiquei que era a marca da minha vocação.

Com o amor de Deus latejante e constante, passei a dar sentido a tudo o que eu fazia na minha caminhada cristã. Eu era uma cristã morna, como dizem as Sagradas Escrituras: “Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te” (Ap 3, 15- 16 ).

Para deixar o mornismo de lado e viver a radicalidade do Evangelho, que não é restrito àqueles que possuem a vocação El Shaddai-Pantokrator, mas a todo batizado, foram necessárias muitas renúncias.

Foi preciso deixar muita coisa para trás, em razão de viver uma vida mudada, transformada, coerente com o Evangelho.

Foi um tempo – e ainda é – de muita luta, muitas lágrimas, mas, sem duvida, é o tempo em que sou mais feliz, mais livre, mais grata a Ele.

“Mas que poderei retribuir ao Senhor por tudo o que ele me tem dado?” (Sl 115)

Escrevendo uma nova história

Deus me mudou, nunca ferindo a minha liberdade. Hoje busco entregar o controle da minha vida em Suas Mãos, sabendo que Ele tem o melhor para mim.

Divido com você a letra de uma música que tanto marcou minha vida, e que pode marcar a sua:

“Quanta coisa mudou em mim desde que Te conheci! Quanta coisa deixei pra trás pra viver só para Ti! Quantas lutas eu travei, quantas lágrimas deixei rolar pra que livre em mim, pudesse em Ti sonhar. Não esquecerei jamais o que fizeste por mim. Não deixarei pra trás o Teu amor incondicional, Que me calou, me deixou sem palavras e me lançou no desejo de ser só Teu, Jesus! Serei só Teu e pra sempre Teu! Perdido em Teu olhar me encontrarei envolvido no ciúme que tens por mim. Serei só Teu e pra sempre Teu! No calor de Tuas asas ficarei. E contigo a minha história escreverei para sempre.” (Serei só teu – Nilton Júnior)

Termino dizendo das grandes mudanças que Deus fez na minha vida: hoje sou missionária da Comunidade Católica Pantokrator na Forma de Vida Comum, ou seja, deixei meu lar, meu trabalho para escrever minha história inteiramente com Deus para sempre.

Jéssica Feitosa Fernandes
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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