Quão importante é a carreira?

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Muito se prega que o mais importante é investir na carreira, que é assim que “garantimos” um futuro de sucesso. Ideia antiga que até na Bíblia se encontra narrada pela boca do próprio Jesus Cristo!

“Havia um homem rico cujos campos produziam muito. E ele refletia consigo: Que farei? Porque não tenho onde recolher a minha colheita. Disse então ele: Farei o seguinte: derrubarei os meus celeiros e construirei maiores; neles recolherei toda a minha colheita e os meus bens. E direi à minha alma: ó minha alma, tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Deus, porém, lhe disse: Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma. E as coisas, que ajuntaste, de quem serão? Assim acontece ao homem que entesoura para si mesmo e não é rico para Deus” (Lc 12,16-21)

Lendo a passagem acima, retirada de uma parábola de Jesus, nos parece muito óbvio o conceito ali retratado, mas no dia a dia pouco nos lembramos dele.

A carreira em primeiro lugar?

O mundo nos impõe um ritmo acelerado, e as vezes sem percebermos, entramos nesse ritmo, e vamos aceitando como verdade pensamentos como o que ouvi certa vez de uma fonoaudióloga:

“O mais importante é a carreira, porque os filhos crescem, o marido pode te abandonar e o que você vai ter é a sua carreira!”. Ao discordar desta afirmação, coloquei os contrapontos: Para sua família você é única e insubstituível, principalmente para seus filhos, independentemente de sua idade ou estado de saúde, será sempre a mãe deles e isto não muda quando crescem.

Com relação ao marido, ele te escolheu dentre todas, constituir uma família pensando que ele pode te abandonar a qualquer momento por outra pessoa é tão superficial quanto tomar decisões definitivas por impulso momentâneo. Fatalmente, se não houver amor e dedicação verdadeiros, tal pensamento pode até favorecer um rompimento pela falta de comprometimento com o outro.

Continuei: Para o mercado de trabalho, você é “insubstituível” até aparecer alguém melhor e mais capacitado. Conheci um gerente de banco muito dedicado em sua carreira, trabalhava bem e bastante, até de sábado e domingo. Chegava a deixar a família em casa para ir ao banco, pois precisava “dar conta” de tudo dentro do prazo.

Funcionário antigo, de mais de vinte anos, gerenciava uma importante área no banco. Eu vivia dizendo que ele era um número lá dentro e que não devia trabalhar daquela maneira, deixando os filhos chorando por sua presença em casa, mas ele não acolhia. Pois bem, alguns meses depois foi demitido por fax!

Disse também à fonoaudióloga que a carreira também poderia abandoná-la, tanto no caso de uma concorrência, quanto de uma doença. Após nosso diálogo, ela me olhou admirada e confessou que nunca ninguém tinha dito aquilo a ela! Isto me deixou surpresa!

Contei toda essa experiência como um pequeno exemplo, pois muitos fatos semelhantes acontecem diariamente, se não fosse assim, não se levantariam tantos coachings, psiquiatras e consultores hoje em dia alertando as pessoas para o perigo da carreira vivida em desequilíbrio.

A carreira é importante? Sem dúvida! A carreira é o mais importante? Não, pois quando se coloca em primeiro o que está embaixo, se desequilibra tudo. Só há verdadeira paz, na ordem; quando as coisas estão onde deveriam estar: Deus, família, saúde, trabalho. Se o objetivo do seu trabalho não é para o bem e sustento da sua família e da sociedade (como um dom para o outro), acaba te escravizando e se voltando contra você, sua saúde e sua família. O segredo é a ordem!

O trabalho pode nos trazer bênçãos e prosperidade,
se honesto e bem feito, é antes dever, que direito.
Absolutizá-lo, no entanto, é o perigo:
Torna-se impiedosa armadilha do inimigo!

Rosana Vitachi
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

4 COMENTÁRIOS

    • Olá Rogério, a paz!
      Ficamos felizes que tenha gostado do texto e agradecemos por compartilha-lo.
      Deus abençoe, abraços fraternos

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