Quarentena de os “vírus” interiores

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Imagino que quase todos estão compartilhando da mesma opinião neste tempo de quarentena, que não está fácil pra ninguém!

Começa a se tornar entediante e vemos que nunca valorizamos tanto sair, ir à padaria, ter que ir a uma loja, ao banco, ou seja, sair para qualquer coisa. Começamos a sentir falta até mesmo daqueles momentos em que íamos cheios de preguiça e contrariados. Mas, como “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8, 28), Ele se utiliza de tudo para falar conosco.

Nesse momento de quarentena, em que estamos quase que “confinados”, descobrimos muitas coisas simples dentro da nossa casa e da nossa família e, mesmo quem mora sozinho, também está nessa descoberta. A convivência tem nos proporcionado descobrir os gostos, as manias, as alegrias, a companhia de quem às vezes já tínhamos até esquecido. Eu mesmo: vivi uma situação essa semana com minha mãe, em que eu procurava um filme que lhe agradasse – e sempre é um grande desafio encontrar um filme do gosto dela – até que em um devido momento, ela me disse: “Eu gosto mesmo é de filme de guerra!”. Na hora, eu olhei espantado para ela porque é exatamente o tipo de filme que eu gosto, mas eu não sabia desse gosto dela.

Quarentena 

A quarentena está dando a nós a oportunidade de fazer aquela atividade na casa que estava sendo postergada por muito tempo porque não se podia parar; de conversar com as pessoas que estão conosco ou até mesmo, estando sozinho, de pensar mais na nossa vida e fazer uma grande reflexão.

Mas também, a quarentena nos mostra os nossos “vírus interiores”. O que seria isso? Sozinhos ou no relacionamento com os outros, vemos aquelas coisas que precisam ser convertidas em nós, como: egoísmo, vaidade, orgulho, autossuficiência, impaciência, não querer se sacrificar pelo outro, desorganização, indisciplina, dificuldade de ouvir, de dialogar, enfim, descobrimos muitas coisas que na correria do nosso dia e no distanciamento com a gente mesmo ou com os outros, acabam ficando camufladas e não se tornam tão nítidas para nós.

Amar os que Deus deu para nós e nos relacionarmos com eles não é fácil, mas é necessário. Num mundo tão virtual e tão superficial nas relações, a nossa vontade mesmo é querer que tudo acabe para voltarmos à correria natural que camufla nossos “vírus interiores”.

Mas a pergunta é:iIsso vai resolver a sua vida ou vai retardar a sua santidade? Com certeza, vai retardar o que Deus quer fazer agora.

É tempo de crescer no que foi ficando para trás, naqueles que fomos esquecendo ou quisemos esquecer… é tempo de amar e ser amado. Amar é exigente, mas amar cura! Descubra-se e descubra quem mora com você e deixe que te descubram também.

Com certeza, Deus quer cumprir a Palavra: “Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação” (2Cor 6, 2); e resta a nós decidir por essa Palavra de Deus para que se cumpra em nós tudo o que Deus deseja realizar neste tempo que é muito difícil, mas que é o “dia da salvação”.

Não perca tempo de apresentar para Deus os seus “vírus interiores” e deixar que Deus dê a graça da cura para sair desta pandemia com um coração mais santificado e purificado.

Desafie-se à essa conversão!

Nilton Junior 
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator 

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