Quaresma – Tempo de converter-se para o bem verdadeiro

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André Luis Botelho de Andrade
Fundador  da Comunidade Católica Pantokrator 

Quaresma são os 40 dias de jejum e penitência que precedem à festa da Páscoa. Ela começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa. Os 40 dias ou anos no deserto são realidades cheias de significado, que se repetem inúmeras vezes na história do povo de Deus: as passagens dos quarenta dias do Dilúvio, os quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, os quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, os 400 anos que duraram a estada dos judeus no Egito, entre outras. Nessas ocasiões o povo é purificado em preparação àquilo que está por vir.

Penso que a Quaresma seja um tempo de grande importância, não só pelo que significa na liturgia anual, mas também pelo aspecto cultural em que estamos inseridos. Vivemos no tempo do bem estar, das comodidades, das guloseimas, do conforto etc. Nesse contexto, facilmente o prazer se torna o “deus dos homens” e qualquer coisa que vai contra ele é encarada como um sacrilégio. Então, tudo que segue em nome do bem estar é bem vindo, independente de outros valores que possam se contrapor a ele. Talvez, na sexualidade isso tenha um significado mais forte: se dá prazer é bom, e, se der algo de errado, aborta-se. Daí surge um Homem sem virtudes, têmpera, constância, perseverança, incapaz da grandeza do amor humano.

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Nós vivemos nesse mundo, e dia a dia somos fortemente empurrados para essa cultura do vício e do egoísmo. A penitência surge como um remédio salvador das doenças da alma. A penitência (jejum, esmola e oração) serve para educar nossa alma para os sacrifícios que a caridade exige. Sem essa liberdade é impossível amar de verdade.

A Quaresma é, então, um tempo de converter-se para o bem verdadeiro. Por isso, ela nos prepara para a ressurreição. É preciso fazer a nossa parte, para que a Graça faça tudo e nos reviva das mortes dos vícios e egoísmos, para a vida da verdadeira caridade. Não se trata de um tempo de tristeza, ou de negação do mundo. É sim, tempo de interioridade, maior silêncio e sacrifício, mas é também tempo de esperança que nos torna livres dos apegos do mundo, para que possamos, com Cristo, reinar e viver as maravilhas que existem no mundo, criadas por Deus e  cocriadas pelo homem.

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