Platão, um pensador grego, coloca a seguinte frase: “A música é a essência da ordem. Eleva todas as almas para o que é bom, justo e belo, e deve ser para a alma o que para o corpo é a ginástica.” Assim, existem músicas que nos emocionam e não sabemos explicar o porquê; existem outras que nos fazem refletir. Isso ocorre porque a música eleva à contemplação, ou seja, a meditar profundamente. Com isso podemos afirmar que, quem canta, reza duas vezes, pois sua alma está mergulhada na adoração à beleza de Deus.

O grito da alma

Entretanto, acredito que nos perdemos pelo caminho. Hoje o que se exalta nas músicas é a luxúria, prazer a todo custo, infidelidades e rebeldias sem fundamentos; um verdadeiro pensamento antropocêntrico onde tudo o que existe no mundo apenas tem a utilidade de servir e satisfazer o ser humano, reduzindo a contemplação do homem ao próprio homem. Não é difícil perceber que não temos nada de bom para oferecer a nós mesmos, e assim, o homem moderno vive preso em sua pegajosa sujeira. A empolgação juvenil leva os jovens a buscas exageradas na intenção de preencher o vazio que encontram dentro de si. E, como um ciclo vicioso, vão se entupindo de si mesmos e se esquecem de que, no fundo, é simplesmente a alma gritando por Deus, por Sua beleza, por Sua bondade, por Sua presença!

Transbordar de alegria

A um cristão cabe fazer o caminho inverso do mundo: levar Deus a todas as coisas; perceber que não seremos nós mesmos quem supriremos nossos anseios mais profundos e o vazio existente em todo ser humano, e sim a presença de Deus. Cantar os louvores é rezar em profunda contemplação e intimidade com as maravilhas que Deus faz e realiza em nossas vidas. Todos já escutamos que “a boca fala do que o coração está cheio”, portanto, para nós que queremos transbordar da graça, devemos pedir um coração tão repleto de amor que não bastará apenas falar, mas nossa alma transbordará de alegria e cantará ao Senhor, tal qual fez Maria em seu Magnificat.

Cantar suas maravilhas

A importância da música é fazer com que o homem perceba a grandeza de Deus e, em um movimento de amor, saia de si e vá em direção ao extraordinário, que transcende a capacidade do próprio homem e o leva a perceber a presença de Deus em si mesmo. Santo Agostinho em sua bibliografia, Confissões, vai dizer: “Todavia, esse homem, particulazinha da criação, deseja louvar-Vos. Vós o incitais a que se deleite nos Vossos louvores, porque nos criastes para Vós e nosso coração vive inquieto, enquanto não repousar em vós.” Nunca entenderemos a grandiosidade de Deus que tudo criou e tudo sustenta querer fazer morada em nosso coração e, unidos a Ele através da oração, poder vencer todo mal em nós e um dia viver em sua graça eterna.

O espírito de Deus ora em nós e nos faz viver o céu já aqui na Terra. Por isso, com uma alma elevada devemos permanecer em intimidade com Ele e cantar suas maravilhas… sempre!

Tayná Barbosa
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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