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Querem roubar a infância das nossas crianças!

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O ser humano não nasce pronto para lidar com a vida. Diferentemente dos animais, o homem nasce frágil, totalmente dependente e pobre em “instintos” de sobrevivência. Com o tempo, terá que aprender a andar, falar e se relacionar com os outros. Todas as coisas necessitarão ser aprendidas “do zero”, uma após a outra, até se chegar à idade adulta – que, em tese, tornará o homem apto a tomar grandes decisões, estabelecer planos pessoais, constituir família, etc. Todavia, até chegar a esse ponto, o homem precisará passar por outras fases. A primeira (e talvez a mais importante) seja a infância. Antes de querer ser algo ou alguém, a pessoa precisa inicialmente aprender a ser criança.

Essa questão (sobre “deixar a criança ser criança”) pode parecer algo banal ou até mesmo sem sentido. Alguém poderia argumentar: “Qualquer pessoa que chegue aos vinte anos precisou passar pelo quinto ou sexto ano de vida”. De fato, em termos etários, a infância já foi garantida a todos os que chegaram à idade adulta. Porém, não é neste aspecto que reside o perigo, mas sim no desenvolvimento intelectual, social, espiritual, cultural e humano das crianças. É aqui que a infância corre perigo!

Em primeiro lugar, devemos compreender que a infância é um desejo de Deus. Sim, foi Ele quem criou toda a ordem do universo, bem como as leis físicas, químicas e biológicas. Se Deus quisesse, as pessoas já seriam criadas adultas. Vejamos os anjos, por exemplo, que foram criados “prontos”. Contudo, o Senhor desejou a infância. Aliás, em muitos pontos da Bíblia fica claro o carinho e a opção que Deus faz pelos pequenos. Podemos citar, como exemplo, os chamados de Samuel (I Sm 3,4) e de Jeremias (Jr 1,6), que eram apenas meninos. Ou mesmo a escolha de João como discípulo – que, embora não fosse propriamente “criança”, era bastante novo e reconhecidamente o “discípulo mais amado” de Jesus.

O que faz o Senhor ter uma predileção pelas crianças é justamente o fato de não haver maldades ou pecados nestes pequenos. São Paulo, em I Cor 14,20, diz que precisamos ser como as crianças no que se refere à malícia. Cristo vai ainda mais adiante: “Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará” (Mc 10,15).

Contudo, lamentavelmente, a infância (sonhada e querida pelo Senhor) tem sido violentamente roubada das crianças, especialmente no mundo pós-moderno. As razões disso são variadas, podendo ser resumidas nestas quatro principais:

– A criança como arma ideológica: O mundo atual é controlado por “ideias”. Há um verdadeiro combate entre ideologias, um confronto em que vencerá aquele que ganhar mais consciências para o seu próprio lado. No entanto, principalmente no que se refere às ideias mais absurdas, é difícil convencer pessoas já formadas, inteligentes e que exigem argumentos. Neste ponto, todas as armas ideológicas se voltaram justamente para as crianças – seres que ainda não possuem uma capacidade intelectual de discernir com segurança o que é verdade e o que é ilusão. A estratégia é evidente: se a criança é “doutrinada” para o mal e para a perversidade, crescerá com a moral “torta” e não terá forças e nem capacidade para chegar à verdade. A título de exemplo: um dos países que a Igreja encontra mais dificuldade em promover conversões é a Suécia, em que as crianças aprendem, desde cedo, que a verdade é “relativa”. Por aí se compreende o porquê há tanta luta por parte dos inimigos de Deus em implantarem nas escolas questões como o ateísmo ou a propaganda anticristã.

– A criança como projeto ao “mercado de trabalho”: Muito se vê, também, a preocupação de pais e familiares em “treinar” e preparar as crianças, cada vez mais cedo, para a futura competição por bons empregos. Que fique claro: não há nenhum problema em incentivar os estudos dos filhos. Muito pelo contrário, o ideal seria que a educação já se iniciasse em casa. A questão central ocorre nos casos em que a preocupação com o futuro impede as crianças de fazerem coisas próprias da idade, como por exemplo brincar ou explorar. É cada vez mais comum ver os pequenos, desde muito novos, com todo o tempo preenchido por “cursos” diversos, muitos dos quais não instigam a criatividade e a imaginação dos infantes. Vê-se que os anos da infância passam a ser encarados como “vantagem”, de modo que os futuros profissionais começam a ser preparados (literalmente) desde o berço.

– A criança como responsabilidade do Estado: A Igreja sempre pregou que a educação e o ensino moral das crianças são responsabilidades da família. Porém, passo após passo, o Estado vem querendo usurpar essas funções tão preciosas. Uma mentalidade foi sendo gerada no sentido de que é a “escola” (e não mais os pais) quem deve ensinar valores aos filhos. Passou a se tornar comum o fato de ambos os pais estarem ausentes (por precisarem trabalhar) e toda a responsabilidade sobre o desenvolvimento moral dos filhos ser transferida ao Estado. Uma moda em voga é o incentivo ao “ensino integral”, em que a criança passa o dia inteiro na escola e apenas retorna ao lar no início da noite. Aquele relacionamento próximo entre pais e filhos, historicamente marcado pelo respeito e pela hierarquia, foi deixando de existir na medida em que a voz dos “livros didáticos” passou a ser mais forte do que os sábios conselhos paternos.

– A criança como alvo da revolução sexual: Este quarto e último ponto a ser destacado é, provavelmente, o mais emergencial. Em razão da pureza e da inocência, que são próprios dessa idade, as crianças têm sido bombardeadas com propagandas da “liberdade sexual”. É bem verdade que essa “onda” demoníaca se iniciou já nos anos 60, produzindo muitas desgraças até aqui. Porém, se antigamente o foco era o estudante universitário, hoje a mira é apontada covardemente para os infantes. As ações, embora sutis, geram problemas gigantescos, tais como: aulas de “educação sexual” para crianças (ensinando sobre sexo e métodos contraceptivos); acesso a livros ou cartilhas com insinuações e ensinamentos pornográficos; distribuição de camisinhas nas escolas; dentre tantos outros. A nossa lei penal, que no passado costumava ser rígida com a proteção sexual das crianças, hoje tem sido relativizada. A título de exemplo, o projeto de lei que visa regulamentar o “Novo Código Penal” propõe legalizar a prática de relações sexuais com crianças a partir de 12 anos. Isto sem contar a famigerada “ideologia de gênero”, almejada por muitos “educadores” e que incentiva a criança a escolher, desde pequena, a própria orientação sexual. Há decisões judiciais autorizando menores de idade a trocar o nome para o do sexo oposto, ou mesmo realizar a tal cirurgia de “mudança de sexo”.

A recapitulação da infância 

Diante desses cenários revoltantes, cumpre a nós, servos do Senhor, promover a recapitulação da infância, segundo o plano originário da criação. Lembremo-nos de que a infância foi sonhada por Deus, e que tudo o que é criado pelo Senhor é bom (Gn 1). O nosso papel é agir na contramão do mundo: incentivar as crianças a brincar, correr, imaginar, explorar as coisas. Se os inimigos de Deus querem doutrinar e perder nossos pequenos, façamos como nos aconselha o livro dos Provérbios 22,6: “Ensina à criança o caminho que ela deve seguir; mesmo quando envelhecer, dele não se há de afastar”.

Tenhamos consciência de que a infância ainda não é tempo de namorar, de trabalhar, de beber ou de ter responsabilidades próprias do adulto. Fazer tais coisas não significa “crescer rápido”, mas tão somente pular uma etapa primordial. Ao contrário, a infância é o precioso tempo em que a personalidade e o caráter serão formados, que a criança vai perceber a vastidão do mundo, vai experimentar sentimentos novos, conhecer os limites daquilo que é ou não permitido. É o tempo em que a hierarquia e a disciplina devem ser ensinadas, bem como o período ideal para iniciar uma evangelização. A pureza e ingenuidade das crianças, ao invés de serem usadas como “armas ideológicas”, devem ser preservadas e moldadas para uma vida de santidade.

Não nos esqueçamos de que as crianças são joias preciosas ao Nosso Senhor. Em um dos trechos do Evangelho segundo São Mateus, Jesus é firme em alertar aqueles que intencionarem desviar alguma criança do caminho santo: “Mas se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar” (Mt 18,6). Portanto, temos o dever de proteger a verdadeira infância das garras perversas do mundo, uma vez que ela é uma exímia escola de santidade.

Rafael Aguilar Libório
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

Rafael Aguilar Libório
Discípulo na Comunidade Católica Pantokrator

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