Recomece quantas vezes for preciso

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Seguir o caminho de Cristo não significa que não teremos quedas. Quantas vezes pensamos em desistir? Bate o cansaço das lutas diárias, das batalhas contra o nosso pecado, pesa a decepção não só conosco, mas com os que estão a nossa volta e tantas outras coisas.  Jesus nos alertou: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Mc 14, 38). Porém, frente às nossas fraquezas é necessário ter coragem de recomeçar quantas vezes for preciso.

A nossa carne é fraca, mas é preciso prosseguir decididamente

São Paulo escreveu aos Romanos dizendo: “Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque o querer bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero” (Rm 7,18-19). A nossa carne é marcada pelo pecado, é preciso sempre contar com a graça de Deus.

E nesta caminhada não há lugar para o orgulho, precisamos nos deixar modelar e não sermos senhores de nós mesmo, e sim, deixar que o Senhor dos Senhores, Rei dos Reis, governe todas as coisas em nossa vida, até mesmo os nossos recomeços.   Fazer planos sem incluir a vontade de Deus é está fadado ao fracasso. Lembre-se: Aquele que nos ama, sabe o que precisamos.

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Meditando as Sagradas Escrituras, vamos notar que há várias histórias de recomeço. A própria história da Salvação é um exemplo. Imagine se Deus desistisse do ser humano depois do pecado original. Olhemos também para aqueles que foram escolhidos por Deus, Ele não escolheu os perfeitos. Pobre Pedro se tivesse desistido depois de ter negado Jesus. Imagino que ele tenha sentido culpa, mas não parou no seu erro. O Pedro acabrunhado deu lugar ao Pedro destemido, o qual, revestido do Espírito Santo converteu três mil homens em sua pregação em Pentecostes.

 Aliás, a culpa pode ser um obstáculo para o recomeço. A culpa corrói e nos deixa paralisados. Apesar de ser um sentimento negativo, podemos tirar dele uma lição. Em vez de cairmos na autodepreciação precisamos avaliar o que deu errado e prosseguir. É necessário escutar a voz do Cristo: “Filho não te condeno, vai e não peques mais.” O salmista canta a misericórdia de Deus: “Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e os pecados apagados. Como é feliz aquele que o Senhor não atribui culpa e em que não há hipocrisia” (Sl 32, 1-2).

Outra coisa que também atrapalha a nossa decisão é o medo. Medo de falhar, de não corresponder às expectativas humanas e divinas. Vamos criando ideais inatingíveis e nos afogando neles. Santa Gemma Galgani  nos ensina: “Só tenho medo de magoar Jesus!” O Senhor não vai dar mais do que possamos carregar.  É Ele quem fortifica as mãos desfalecidas, robustece os joelhos vacilantes. “Dizei àqueles que têm o coração perturbado: Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus.” (Is 35,3-4).

O bom ladrão nos seus últimos segundos de vida reconheceu Cristo como Senhor e se arrependeu de seus crimes. Se pararmos para pensar, a vida dele já estava perdida, ele já estava condenado à morte, porém, diante de Jesus a esperança renasceu.  Na cruz, enquanto o outro ladrão escarnecia, desabafou: “Recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum. E acrescentou, Jesus lembra-te de mim quando tiveres entrado no teu Reino. Jesus respondeu-lhe: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,41-43). Aquele foi o recomeço do bom ladrão, o melhor recomeço que ele poderia ter.

Certa vez, escutei que recomeçar é reajustar a rota rumo ao objetivo que é o Céu. Não tenhamos medo de olhar para os nossos pecados, de reconhecer os nossos erros e de levar tudo ao coração misericordioso de Jesus. “Que são os nossos pecados, em comparação com a misericórdia de Deus? Um grão de areia diante de uma montanha” (São João Maria Vianney). Uma boa confissão alavanca a vida nova, abre as portas para a conversão e comprometimento com o Reino.  É um convite para que o Espírito Santo de Deus caminhe conosco.

É preciso ter a firme decisão e a coragem para prosseguir na busca pelas virtudes. “De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis. Pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”  (Rm 8,14-15).

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