Sacerdócio: “Por que não ir além do que o meu coração anseia?”

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Testemunho do meu discernimento ao sacerdócio!

Eu me chamo Cristiano, tenho 37 anos, nasci em Tupi Paulista, interior de São Paulo. Nasci e cresci numa família católica. Tenho duas irmãs, Luciana e Juliana, e quatro sobrinhos. Atualmente, moro na França. Em 2007, encontrei a Comunidade Pantokrator através de uma ex-namorada que era vocacionada na Comunidade e que me apresentou o Carisma El Shaddai-Pantokrator. Hoje sou consagrado na Comunidade, com Promessas Temporárias no Celibato e na Forma de Vida Comum, e sou seminarista.

Em setembro de 2019, iniciarei o meu último ano de Teologia, ou seja, estou na última etapa que antecede a Ordenação Diaconal. Todo o meu percurso de estudos de Filosofia e Teologia foi feito no “Studium de Notre Dame de Vie”, na França, que é marcado pela espiritualidade carmelitana.

O meu interesse pelo sacerdócio foi despertado de fato em 2012. Nessa época, eu era moderador local da Casa de Missão da Comunidade Pantokrator em Santos/SP. Nesse mesmo ano, participei de uma animação vocacional ao sacerdócio, organizada pela Comunidade, e foi a partir dessa animação que se manifestou em mim a abertura para viver um discernimento ao sacerdócio. Logo comecei o meu acompanhamento. Na época, eu estava fazendo a preparação para as minhas Promessas Temporárias no Celibato na Comunidade e, de repente, eu me perguntei: “Por que não ir além do que o meu coração anseia?”, ou seja, por que não dar um passo a mais em direção ao sacerdócio que também tem o chamado a ter o coração indiviso?

sacerdócio

Em 2013, o “por que não?” se tornou efetivamente para mim um ponto de atenção na vivência do meu estado de vida durante alguns meses; porém, eu não me sentia à vontade para dizer “sim” à vida sacerdotal. Durante a Semana Santa deste mesmo ano, especificamente na Quinta-Feira Santa, eu me via provocado (num bom sentido) através da homilia de um padre que presidia a Missa neste mesmo dia. O padre dizia que ele tinha certa vergonha de ser padre, pois ele percebia que suas ovelhas (os paroquianos) não sentiam seu perfume enquanto pastor de sua paróquia. Ora, a razão da falta de perfume do pastor não estava ligada à falta de seu compromisso ministerial, mas, ao contrário, a ausência deste perfume estava ligada à sua realidade de compromissos que compreendia varias funções importantes em sua diocese. Enfim, ele se via dividido, fazendo muitas coisas e ausente da vida de suas ovelhas.

Retomando a homilia do padre que eu menciono, ele fez a sua homilia baseada na homilia do Papa Francisco da Quinta-Feira Santa de 2013, direcionada especialmente ao clero. Aproveito para partilhar com você a parte da homilia do Papa que tocou o meu coração e me atraiu para dar um passo concreto em vista do discernimento ao sacerdócio: “Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. A diferença é bem conhecida de todos: o intermediário e o gestor ‘já receberam a sua recompensa’. É que, não colocando em jogo a pele e o próprio coração, não recebem aquele agradecimento carinhoso que nasce do coração; e daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, que acabam por viver tristes, padres tristes, e transformados numa espécie de colecionadores de antiguidades ou então de novidades, em vez de serem pastores com o ‘cheiro das ovelhas’ – isto vo-lo peço: sede pastores com o ‘cheiro das ovelhas’, que se sinta este –, serem pastores no meio do seu rebanho, e pescadores de homens. É verdade que a chamada crise de identidade sacerdotal nos ameaça a todos e vem juntar-se a uma crise de civilização; mas, se soubermos quebrar a sua onda, poderemos fazer-nos ao largo no nome do Senhor e lançar as redes. É um bem que a própria realidade nos faça ir para onde, aquilo que somos por graça, apareça claramente como pura graça, ou seja, para este mar que é o mundo atual onde vale só a unção – não a função – e se revelam fecundas unicamente as redes lançadas no nome d’Aquele em quem pusemos a nossa confiança: Jesus”[1].

Grosso modo, o que incomodava o padre se tornou para mim uma provocação vocacional e um chamado para que eu me lançasse neste discernimento. Ao final da Missa, meu coração e minha alma se encontravam com um mistura de sentimentos e emoções, ou seja, uma mistura de alegria, de medo, de dúvidas, de angústia etc. Porque eu não esperava ser interpelado dessa maneira e me tornar in Persona Christi, ou seja, eu não esperava ser aquele que recebe a graça e a missão de impregnar as ovelhas do perfume de Cristo-Pastor.

Minha experiência não para por aqui! Ela continua! Nesse mesmo dia, na Quinta-Feira Santa, todos os membros da Comunidade Pantokrator foram convidados a conduzir a adoração com Jesus no Horto em Sua presença real na Eucaristia, logo após a Missa. Terminada a Missa, os membros da Comunidade passam finalmente onde se encontrava Jesus sobre o “reposoario”. Como eu estava completamente mexido com tudo que me tinha acontecido durante a Missa, eu dizia para Jesus no silêncio do meu coração: “Se você quer que eu me torne um pastor para a Igreja a fim de espalhar o teu perfume sobre as tuas ovelhas, eu te peço um sinal nesta adoração, pois você conhece meus limites e minhas fraquezas, e você ainda sabe que sou capaz de fugir desse chamado”.

A adoração acontecia de maneira tranquila. Num dado momento, uma irmã de Comunidade teve uma moção e ela disse de voz alta e bem entonada: “Nesta noite, acontece um mistério entre nós”. Em seguida, ela se cala e um silêncio se instala onde estávamos todos reunidos adorando o Senhor. Neste mesmo momento, eu disse para mim mesmo: “Essa moção, é para mim! Ela é um sinal do que eu senti no meu coração durante a homilia do padre. Essa moção é uma confirmação do chamado que o Senhor me faz para que eu caminhe no discernimento em vista do sacerdócio”. Assim, eu terminei a adoração convencido da resposta que eu deveria dar, pois o meu coração se encontrava em paz. Assim, foi a partir dessa experiência que tomei a coragem e dei o meu Sim para viver esse discernimento que continua e continuará até a minha Ordenação, se assim Deus a quiser.

Posso testemunhar que Deus é bom e é Ele que me forma para ser o padre segundo o coração d’Ele (é o que diz Cura D’Ars), através dos meus irmãos e autoridades da Comunidade, e também através dos professores do Seminário onde estudo. Assim, eu me vejo como um barro nas mãos do oleiro;  esse barro é amassado, amassado e amassado para ganhar a forma que o oleiro-Deus quer dar. Sou um barro sem forma, mas um barro que esta permanentemente nas mãos de Deus e isso é o mais importante, pois todo este percurso tem como fim último a salvação das almas. E você, já se perguntou: “Por que não?”. Ouse e se lance na busca e descoberta da vontade de Deus para a sua vida!

Cristiano Sanches
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator 

[1] http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130328_messa-crismale.html

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