Saia de uma vida superficial

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Se a superficialidade não te incomoda em nenhum grau, significa que você já está acostumado com ela. E se você está acostumado em ser superficial, você provavelmente nunca provou das maravilhas que existem do outro lado da moeda. A partir do momento em que fomos criados para amar a Deus e ao outro, vivendo em perfeita comunhão de doação, a superficialidade não é coerente com aquilo que o Senhor nos criou para ser e tem nos roubado de nossa essência, nos ferindo sem que percebamos à curto prazo.

No princípio, era natural que o homem sempre enxergasse as coisas além daquilo que era externo. Adão, quando viu Eva pela primeira vez, se encantou porque enxergou através dela a beleza de Deus. Conforme o pecado entra no mundo e ao longo dos anos corrompe ao longo dos anos os valores que nos uniam ao Pai, nos tornamos cada dia mais seres que tendem a olhar apenas para o exterior, para o superficial, e que esquecem de se aprofundar. E não apenas em relação ao outro, mas em relação a si mesmo. 

A maneira com que nossos sentidos externos vêm sendo super estimulados, a maneira corrida como funciona o mundo hoje, o ideal de felicidade fútil que trazem as redes sociais, a super exaltação dos prazeres carnais, da futilidade, do imediatismo, do “fácil” e “confortável”, faz com que sejamos educados a permanecer no raso e nunca mergulhar fundo. Nunca mais paramos para olhar para dentro. Não gastamos mais tempo para ir além, entender aquilo que somos, nosso sentimentos e nossos medos. E isso é extremamente sério, pois quanto mais nos afastamos da profundidade, mais nos afastamos de nós mesmos.

Enquanto o foco estiver sempre no exterior, na vaidade, na autoimagem, nos prazeres passageiros, nossa relação com todas as coisas criadas muda. Nos estudos e no trabalhos, nos contentamos em fazer o mínimo. Já as amizades e relacionamentos passam a ser cada vez mais superficiais, inseridos num ciclo onde passamos a nos contentar com pouco: a nos entregar menos e a receber menos. No fim, nos encontramos totalmente afastados daquilo que fomos feitos para ser no plano original de Deus.

A vida superficial é um grande perigo, pois não fomos feitos para o mínimo. Somos potência, feitos para alcançar o sumo bem que é o Céu. O medo de ir mais fundo é muito comum, pois aquilo que não é superficial se tornou desconhecido. Todavia, desconhecido não é sinônimo de mau. Enquanto muitos acreditam que estão se protegendo por isso, na verdade estão se autossabotando. Principalmente quando se trata da vida com Deus e da busca da santidade. 

Os perigos da superficialidade

“Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína.” Mt 7, 26-27. Nesse ensinamento, Cristo deixa claro: aquele que não aprofunda as suas raízes e não adere ao Evangelho sem reservas e de todo o coração, será vulnerável às mudanças externas e poderá se perder nelas.

Ser superficial te faz instável e passivo de influências. Ser superficial te impede de desenvolver maturidade e crescer, pois é somente quando nos entregamos totalmente que encontramos os desafios e belezas dos planos de Deus para nós. Isso se aplica na relação com Ele, na relação com ao próximo e na relação consigo mesmo.

Uma virtude que pode combater o estilo de vida superficial é a magnanimidade. São Josemaria Escrivá a descreve como “a força que nos move a sair de nós mesmos, a fim de nos prepararmos para empreender obras valiosas, em benefício de todos. A primeira obra valiosa em favor de muitos é lutarmos para ser santos.” (Caminho, n. 301). O homem magnânimo é, então, aquele que vai além, que vai afundo e não fica preso nos mínimos e migalhas da vida. Ele se dedica sem reservas à as coisas que valem a pena, doa-se incansavelmente por elas.

Essa virtude combate qualquer tipo de inconstância gerada pela superficialidade e vem como um socorro para nos encorajar a sair da beira do mar. Ela é a força, e se pedirmos ao Espírito Santo, Ele nos concederá.

 Precisamos estar convencidos de que nada vivido na superficialidade é totalmente real. O desejo superficial não é verdadeiro desejo, o amor superficial não é verdadeiro amor, e planos superficiais não são verdadeiros planos. A essência de todas essas coisas está na integridade daquilo que são. O amor é íntegro, é inteiro, é completo. Não há como amar pela metade. Por isso, uma vida superficial é incoerente não só com o cristianismo, mas com a humanidade como um todo. E enquanto continuarmos deixando o mundo nos roubar da intensidade, seremos cada dia mais engolidos por ele e cada vez mais distantes daquilo que fomos criados para ser.

Giovana Cardoso
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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