Santíssima Trindade: revelação do Deus que é Amor

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Pode parecer estranho celebrar com uma festa litúrgica a Santíssima Trindade, pois a Trindade Santa é celebrada em toda a vida cristã e, particularmente, em toda Eucaristia. Recordemos que a Missa é glorificação da Trindade Santíssima, na qual o Filho Se oferece e é por nós oferecido ao Pai no Espírito Santo, para a nossa salvação e do mundo inteiro. No entanto, a Liturgia celebra de modo específico essa Solenidade a fim de nos ajudar a contemplar e adorar esse Mistério fundante da vida cristã, que nos desvela a vida íntima do próprio Deus; somos chamados a mergulhar ainda mais no insondável mistério da imensa grandeza, poder, sabedoria, amor e misericórdia de Deus, fazendo de cada momento da nossa vida um incessante «glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo», como desde o Papa S. Dâmaso (século IV) toda a Igreja reza, ao terminar cada um dos 150 Salmos na Liturgia das Horas.

Santíssima Trindade: revelação do Deus que é AmorA grandeza de Deus não cabe na extensão dos nossos números! A imensidão do seu Amor, eterno e infinito, não se escreve, nem se descreve, nem se circunscreve no limite das nossas palavras ou imagens! Nem há uma fórmula exata para o dizer, pois a linguagem é muito pobre para abarcar todo o significado do Transcendente; o mistério de Deus se manifesta a nós como uma realidade de amor que supera a nossa razão sem a contradizer!

Mas, como a Igreja descobriu a Trindade? Descobriu como duas pessoas se descobrem: revelando-se! Duas pessoas somente se conhecem de verdade se conviverem, se forem se revelando no dia a dia, se se amarem. Só há verdadeiro conhecimento onde há verdadeiro amor. É costume se dizer que ninguém ama o que não conhece; pois, que seja dito também: ninguém conhece o que não ama. O amor é a forma mais profunda e completa de conhecimento! Foi, portanto, por puro amor a nós, à nossa pobre humanidade, que Deus quis Se dirigir a nós, revelar-Se, convivendo conosco, abrindo-nos Seu coração, dando-nos a conhecer e a experimentar Seu Amor… E fez isso trinitariamente! Então, desde o início, a Igreja experimentou Deus na sua vida concreta, e o experimentou trinitariamente, como Pai, como Filho e como Espírito Santo. Antes de falar sobre a Trindade, a Igreja experimentou a Trindade.

Tudo o que podemos dizer de Deus Uno e Trino nos foi revelado por Jesus Cristo: Ele, o Filho muito amado, nos fez chegar ao conhecimento do Pai que está nos Céus e é a fonte eterna e pura de todo o amor! Jesus revelou-nos o Espírito Santo como o beijo e o dom do Amor do Pai e do Filho, que em Pentecostes é derramado em nossos corações! O mistério da Santíssima Trindade refere-se, portanto, à revelação desse Deus que é comunhão eterna e pessoal de Amor: no Pai, Aquele que Ama; no Filho, o Amado; e no Espírito, o Amor!

Santíssima Trindade, Unidade de amor

É assim que a Igreja confessa um só Deus, imutável, indivisível, perfeito, eterno, absolutamente Um só. Mas confessa e experimenta igualmente que este Deus único é real e verdadeiramente Pai, Filho e Espírito Santo, numa Trindade de amor perfeito e perfeitíssima Unidade. Deus é amor; e é tanto amor que não cabe numa só Pessoa; Seu amor, quando ama, gera o Filho; e o amor que vem do Pai e que gera o Filho, é o Espírito Santo, que procede também do Filho, gerado no mesmo amor. Entre as Três Pessoas divinas em um só Deus há uma perene e constitutiva comunicação de amor que é doação, reciprocidade, entrega e acolhida. Essa dinâmica da Trindade nos revela que Deus é amor e que nós, feitos à Sua imagem e semelhança, somos chamados, participando da vida divina, a viver este mesmo amor entre nós. “Deus Uno e Trino é o amor por excelência de que todo outro amor depende” (Santo Agostinho). A Igreja – fundada por Deus à imagem da Santíssima Trindade – é também um mistério de comunhão na unidade, a que jamais pode renunciar. O sentido da Igreja é exatamente viver e testemunhar esse amor.

“Deus não é solidão, mas comunhão perfeita. Do ser Deus-comunhão deriva a vocação de toda a humanidade para formar uma única grande família, na qual as diversas raças e culturas se encontram e se enriquecem reciprocamente ” (São João Paulo II).

“Entre todas as criaturas, a obra-prima da Santíssima Trindade é a Virgem Maria! No seu Coração humilde e repleto de fé, Deus preparou para si uma morada digna. O Amor divino encontrou nela uma correspondência perfeita e foi no seu seio que o Filho Unigênito Se fez Homem. Dirijamo-nos sempre com confiança filial a Maria, para que, com a sua ajuda, possamos progredir no amor e na comunhão, para fazer de toda a nossa vida um hino de louvor ao Pai, por meio do Filho, no Espírito Santo” (Bento XVI).

Kátia Maria Bouez Azzi
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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