Ser salvo ou ser santo: qual é o melhor investimento?

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“Respondeu Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!”  (Mt 19,21). Essa foi a resposta de Jesus ao jovem que já observava as leis, mas que queria algo a mais.  Para “entrar no Reino”, basta observar a lei, e isso o jovem já fazia: ” Tenho observado tudo isto desde a minha infância. Que me falta ainda?” Ele queria algo a mais do que uma vida de salvação. Jesus, compreendendo o desejo do jovem, vai responder: “Se queres ser perfeito…” Ele o provoca para uma decisão maior do que aquela que é a observância da lei para entrar no reino de Deus, ou seja, a salvação. Jesus o convida à perfeição; provocando o jovem para uma decisão de uma vida de santo.

Esse diálogo de Jesus com o “Jovem Rico” deixa claro que no seguimento autêntico de Jesus Cristo, podemos almejar dois “níveis”: a salvação e a santidade.  Querer ser salvo é cumprir a lei, ou seja, ter uma vida coerente com a fé. Porém, a santidade não é somente isso.  A santidade, para aquele jovem, era “vender os bens e dar aos pobres”. O que significa isso?

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A santidade não é uma realidade objetiva. Somente Deus é Santo, e a santidade é intrínseca a Deus. O Homem é santo na medida em que se converte a Deus.  O que o diálogo entre o jovem e Jesus nos revela, é que cabe a cada cristão uma decisão: quero ser salvo ou quero ser santo? Isso significa que caberá ao cristão decidir se quer uma vida cristã de cumprimento da lei ou quer algo a mais: ser perfeito, ser santo, ou seja, “vender os bens e dar os pobres”.

Não se trata de identificar a santidade com uma condição de desfazer-se dos bens pessoais. Não é isso. Trata-se de decidir-se por Cristo e estar disposto a dar a Ele o que Ele te pedir.  E Jesus vai te pedir aquilo que, embora seguidor d’Ele, ainda te configura com as coisas terrenas. Não existe uma medida objetiva de santidade e nem atitudes preestabelecidas que se identifiquem com a santidade. Deus saberá o que te falta para que você tenha uma vida mais configurada a Ele, uma vida de céu ainda nesse mundo. A diferença entre salvação e santidade não está em coisas e atitudes predefinidas, mas está na decisão do coração. O Senhor te pergunta: ‘queres ser um bom cristão ou queres ser perfeito?”

Isso não significa que a santidade seja algo intimista. Não! Ela se expressa no testemunho de uma vida doada a Deus e aos irmãos. De fato, alguns homens e mulheres foram tão configurados a Cristo, tão santos, que “foram elevados sobres os altares”. São os santos e santas que a Igreja venera como exemplo de vida de santidade para todos os cristãos. São pessoas que não se acomodaram em ser “cristãos bonzinhos”, mas quiseram mais, quiseram a vida do céu ainda nesse mundo, e, para isso,  decidiram dar para Jesus tudo o que Ele lhes pedia.

Surge uma pergunta: tanto “o salvo”, como “o santo” terão o céu, por que vou me submeter às exigências de santidade?  A resposta fundamental é a que Jesus disse ao Jovem: “terás um tesouro no céu”. Ao ler essa resposta, fica a impressão de que esse tesouro é para a eternidade após a morte, uma realidade futura. Não! O santo tem HOJE, nesse mundo, os tesouros do céu. Isso é extraordinário e maravilhoso. O santo vive o céu ainda nessa vida! Mais ainda: o santo terá os tesouros em maior quantidade na eternidade, porque “acumulou os tesouros do céu” (Cf Mt 6,19-20). E nessa história tem um detalhe fundamental: o santo não precisará de purgatório para entrar no céu, o salvo sim. E, segundo alguns santos místicos, os sofrimentos do purgatório são incomparáveis com os dessa vida.

santo tesouro

Fazendo um paralelo com o mundo financeiro e com as “aplicações financeiras” que fazemos nos bancos desse mundo, se tudo isso fosse uma espécie de “aplicação espiritual”, decidir ser salvo seria simplesmente guardar o valioso passaporte da salvação no banco da eternidade. A santidade seria a aplicação perfeita, aquela que rende inúmeros tesouros do céu, e já nesse mundo. É verdade que, no mundo dos negócios, as boas aplicações tendem a ter maior risco. Mas aqui, nos “negócios do céu”, embora possa parecer muito arriscado “vender tudo e dar aos pobres”, na verdade, estamos falando da aplicação mais segura e sólida que existe – o amor de Deus. Estamos falando de “tesouros que as traças não corroem, e os ladrões não roubam” (Mt 6,20). Ao contrário, decidir-se simplesmente por guardar a salvação, é, na verdade, uma aplicação arriscada, porque, facilmente e sem perceber, você poderá passar de um cristão bonzinho para um cristão medíocre e, talvez, um mau cristão; como aqueles que têm fé nos lábios, mas paganismo no coração e na vida. Então, como um gerente de banco, eu ouso perguntar a você leitor: onde você quer investir a sua vida, na salvação ou na santidade?

André Luis Botelho de Andrade
Fundador e Moderador Geral da Comunidade Católica Pantokrator

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