Seremos covardes ou testemunhas da Verdade?

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Na minha adolescência, quando assumi a fé católica e passei a participar da Igreja, eu tinha muito medo de entrar em conflitos ou discussões a respeito da minha fé. Tinha consciência de que era imaturo no conhecimento da Verdade e, por isso, me acovardava diante dos questionamentos sobre as coisas da fé Católica que eu não sabia, então eu fugia e dizia: Religião não se discute.

Porém, assim como biologicamente há um processo natural de desenvolvimento do corpo, também através da oração e do estudo deveria haver um crescimento na vivência da Fé.

Isso é fundamental para que possamos ser verdadeiras testemunhas da graça que recebemos. Mas há aqueles que permanecem nessa imaturidade espiritual a vida toda, apesar de uma aparente maturidade biológica, não assumindo assim a missão de serem testemunhas, ou até mesmo se tornam contra o testemunho dentro da Igreja.

A graça de Deus

Vejamos dois exemplos contido nas sagradas escrituras, leituras tiradas do evangelho de São Lucas. Nele, lemos que o anjo Gabriel apareceu primeiro a Zacarias.

Ele então estabelece com ele um diálogo onde manifesta a graça do Senhor sobre sua família e revela a ele que sua esposa Isabel, mesmo sendo de idade avançada, conceberia e daria à luz um filho, e este seria grande e deveria preparar o coração do povo para a vinda do Messias. Ou seja Gabriel, anunciou a graça de Deus para com Zacarias e qual foi a atitude dele? Duvidar. Ele não creu naquilo que lhe foi revelado e, por isso, o anjo o emudeceu até que aquilo que havia sido dito acontecesse.

Logo depois, o anjo é enviado a uma cidade da Galileia, de nome Nazaré, para fazer um outro anúncio a uma virgem chamada Maria.

Você e eu já ouvimos inúmeras vezes essa maravilhosa notícia, mas chamo a atenção à atitude de Maria diante da manifestação da graça que o anjo Gabriel revelou a ela. Diferente do seu parente Zacarias, Maria acolhe a graça e acredita na manifestação e no poder de Deus, “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Lc1,38.

Testemunhas da Verdade

É essa graça que você e eu recebemos para sermos testemunhas da Verdade, e essa graça depende de duas ações, a primeira vinda de Deus, pelo derramamento do Espírito Santo, como com Maria.

Ela creu e o Espírito veio sobre ela “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra”. Lc1,35. Isso alcançamos através da intimidade com Deus pela vida de oração, a outra é o nosso esforço em buscar a verdade e o conhecimento, através da leitura das sagradas escrituras e dos documentos do Magistério da Igreja.

Precisamos pedir a Deus essa graça e Ele generosamente derramará sobre nós. Também precisamos ter coragem para o enfrentamento das diversas situações que acontecerão para colocar à prova nossa fé.

Teremos a cada dia inúmeras oportunidades de sermos testemunhas da verdade, mas não tenhamos medo, pois o Espírito Santo será nosso auxílio, assim como nos falou Jesus: “Mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.” Atos 1,8.

Essa força deve mover nosso coração a um profundo desejo de testemunharmos a Verdade com nossa vida, fazendo essa experiência que foi vivida desde os primeiros Cristãos.

Então provaremos a alegria de sofrermos por amor a Cristo, sermos perseguidos por causa da verdade que anunciamos e de amarmos de maneira madura Aquele que é o motivo de toda nossa vida, Cristo Jesus, morto e ressuscitado. Então, devemos ter coragem.

Guilherme Granja
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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