Servir primeiramente a Deus

Quando pensamos na palavra “servir”, o que nos vem à mente? Talvez você tenha assim como eu tinha uma visão um tanto distorcida da palavra “servir”, talvez você pense que servo é àquele que é explorado pelo patrão, ou tenha ainda uma visão dá época da escravatura, em que servidão era sinônimo de escravidão, ou seja, trabalho sem pagamento adequado pelo serviço prestado.

O que é servir?

Mas, na realidade, a palavra “servo” segundo o dicionário, é aquele que auxilia, que trabalha em favor de algo ou alguém. Isso é muito importante para a reflexão que faremos, principalmente porque a Sagrada Escritura trata o servir como uma missão, como algo que Deus dá àqueles que Ele ama e lhes concede a graça para realizar aquilo que Ele lhes confiou.

Vejamos então que lá no Antigo Testamento o Senhor confiou a vários homens algumas missões um tanto quanto “impossíveis” aos olhos humanos, mas esses homens serviram a Deus crendo que a missão que haviam recebido era possível aos olhos da fé; então, colocaram- se a serviço de Deus para a realização de Sua obra.

Vejamos Abraão: tinha uma vida relativamente tranquila, vivia com sua família, tinha posses, animais, servos, uma vida confortável para o seu tempo, mas Deus lhe pede algo e lhe promete algo em troca, pede a ele que pegue tudo o que é seu e parta para a chamada “terra prometida”.

Parece loucura, mas ele deixou tudo, todo conforto que possuía, para começar um novo tempo, para servir a um Deus que para ele era desconhecido até então, mas, a partir do encontro que teve e da experiência que ele viveu, nasceu em seu coração a fé e ele parte em busca dessa terra. Não é à toa que Abraão foi titulado como pai da fé.

Também tivemos Moisés, filho adotivo do faraó que encontra o Senhor na sarça ardente e recebe a nobre missão de servi-Lo, uma missão dura, que ele não quer, pois teria que libertar seu povo da escravidão do Egito e levá-los à terra prometida.

Muitos de nós já conhecemos essa história e sabemos como ela terminou, mas eu fiz questão de mostrar que esses homens fizeram uma experiência de fé e de amor muito profunda, eles eram íntimos de Deus e foram recompensados por sua generosidade no amor e na servidão a Deus.

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Jesus, o modelo de sero

 “O justo, meu Servo, justificará muitos homens, e tomará sobre si suas iniquidades.” Is 53, 11b.

Ainda no Antigo Testamento, o profeta anuncia Aquele que seria o Servo de todos, que tomaria sobre Si nosso julgo e nos justificaria. Sim, ele falava de Jesus. Ele, sem dúvida, na história da humanidade nos deu o maior exemplo de servidão e amor que podemos imaginar!

Sendo Deus, Ele Se rebaixa à nossa pobre condição humana para nos ensinar como servir e amar a Deus, Seu Pai e nosso Pai.

Foram inúmeras as vezes que Jesus nos ensinou com palavras e ações, que nossa mais profunda realização está unida a servirmos a Deus e amá-Lo de todo coração (cf. Mt 22,37 e Dt 6,5).

Nossa felicidade está escondida neste caminho de amor, pois Jesus foi o servo por excelência: sendo Rei, nasce numa estrebaria em meio aos animais, viveu uma vida humilde sendo criado pela Virgem Maria e Seu pai adotivo São José, que tinha como profissão a carpintaria.

Em Sua vida pública, Jesus não se cansa de curar, ensinar, pois Ele veio para Se gastar: “Assim como o Filho do homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por uma multidão” (Mt 20,28), Ele faz questão de deixar claro que não se podia perder tempo: “Respondeu Jesus: ‘As raposas têm suas tocas e as aves dos céus, seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça”’(Mt 8,20).

Fica claro que servir à vontade do Pai para Jesus era mais importante que seu próprio descanso. Mas, o que levava Jesus a ter essa postura? Era o amor. Jesus sabia-Se amado pelo Pai e esse amor era a mola propulsora que fazia com que Jesus desejasse apresentar o Pai ao maior número de pessoas possíveis; Ele queria servir e esse serviço era para Ele a forma de manifestar ao mundo o amor que Ele recebia do Pai.

Há inúmeras passagens no Evangelho que demonstram esse amor de Cristo pela humanidade, mas chamo sua atenção para uma delas: durante Sua ultima ceia, quando Ele Se levanta, despoja-Se de Suas vestes, cinge a cintura com uma toalha e faz o belíssimo gesto de servidão lavando e enxugando os pés dos discípulos (cf. Jo 13, 4-5).

Ele não nos deixou apenas o ensinamento, mas nos deixou o exemplo: “Vós me chamais de Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós” (Jo 13, 13-15).

Saibamos, a exemplo de Jesus viver esta experiência de amor. Quando nos propusermos a servir a alguém, pensemos que é o próprio Cristo a quem estamos servindo e coloquemos todo nosso empenho e todo nosso amor na realização desta missão, pois é o Senhor quem nos amou por primeiro e o que fizermos nada mais será que uma resposta a este Amor único e ciumento.

Guilherme Granja
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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Category: Artigos Pantokrator

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