Sexo antes do casamento: por que não?

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Nas últimas décadas, a Igreja Católica tem sido cada vez mais atacada em relação a inúmeros pontos de sua doutrina, estando entre um dos assuntos mais polêmicos o sexo antes do casamento. São realizadas diversas alegações para defesa da aceitação do ato em si antes da união dos cônjuges em matrimônio, como: um ato moral inconsistente; cultura moderna atual; e até mesmo dizendo que a “proibição” fere a liberdade de cada indivíduo. Mas afinal, por que esperar, então?

Por muito tempo, também, usei em minha vida o discurso que defendia o “ser humano livre”. Em minha pobre e ignorante opinião a Igreja de Cristo de 2000 anos deveria atualizar seus conceitos diante de uma realidade tão moderna como a do século XXI, libertando as pessoas desta opressão infundada de castidade e liberando o sexo antes do casamento. Mas a verdade, é que eu não tinha ideia do que realmente significava castidade, amor e liberdade. Quando compreendi estes conceitos, entendi os motivos que levam a Igreja, defender sem intenção alguma de barganha de fiéis, o motivo da espera.

Pense um pouco: Qual o significado de liberdade para você?

Em um mundo cada vez mais viciado em suas próprias vontades, o contexto de liberdade vem ganhando uma conotação errônea na sociedade, sendo considerado livre aquele que faz tudo ou apenas o que sente desejo de fazer.

Considerando que o significado da palavra liberdade é: “Condição daquele que não é cativo ou que não é propriedade de outrem, possibilidade que tem o indivíduo de exprimir-se de acordo com sua vontade, sua consciência, sua natureza”, o que se torna fato é que a maioria de nós não é livre, mas escravo de si próprio, andando atrás do egoísmo, nos pautando apenas nos próprios prazeres, na busca de nos afastarmos de todas as maneiras possíveis de sofrimentos. Os atos são deliberados a mercê dos desejos, deixando de usar a consciência, o raciocínio e a razão.

Nosso corpo, hoje tratado por muitos como uma coisa qualquer, perece por conta de nossas tentativas incansáveis de alcançar este contentamento estável. O ser humano, para muitos, está limitado apenas ao corpo e mente, envolto em uma cultura hedonista, na busca do prazer e realização pessoal como definição de uma vida plena e de sucesso. Assim, o homem ou mulher, tende a expressar através de seu corpo este insistente comportamento de “caça” para saciedade de seus prazeres, ficando perdida neste contexto a realidade sobrenatural da nossa vida com Deus.

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gn 1,26-27).”

O ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, possui impresso em sua alma o querer ser saciado por amor, em amar e fazer com que este amor gere vida, restabelecendo assim, o princípio da criação no movimento da Trindade. Em nossa natureza decaída, o pecado tenta calar a voz de nossa alma que suspira e espera ansiosamente para viver inteiramente com Deus, em Deus e para Deus. Assim, tornamo-nos incapazes de entender o que a alma tenta comunicar ao corpo, deixando-o como que às cegas. Não conseguindo compreender ao certo aquilo que procura, sacia-se nos desejos de suas paixões, cegando cada vez mais sua razão e vontade e tornando-se mais distante de sua maior necessidade: amar a Deus!

“Deus, infinitamente Perfeito e Bem-aventurado em si mesmo, em um desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para fazê-lo participar de sua vida bem-aventurada. Eis por que, desde sempre e em todo lugar, está perto do homem. Chama-o e ajuda-o a procurá-lo, a conhecê-lo e a amá-lo com todas as suas forças (CIC 1).”

Diferente dos animais, o homem possui esta realidade espiritual e, justamente por isso o ato sexual deve ser vivido também e principalmente espiritualmente, pois o homem, através do ato sexual está também buscando saciar-se de amor, está buscando a participação desta vida bem-aventurada de Deus. O ser humano, através do ato sexual, entrega-se inteiramente ao outro, de corpo e alma. Sendo assim, para que exista um compromisso de amor livre, total, fiel e fecundo, tanto fisicamente quanto espiritualmente, se faz necessário a união dos esposos através do sacramento do matrimônio, onde o amor humano se torna inquebrantável pela graça de Deus, sendo este definitivamente consumado no ato conjugal, onde um se dá ao outro por inteiro, na indissolubilidade do matrimônio.

O namoro é uma etapa de beleza própria firmada na decisão da espera pelo outro. Tempo de conhecer como o outro cuidará de você, como te acolherá em cada qualidade, defeito ou dificuldade. É tempo de deixar o outro saber como será cuidado e acolhido e, então, nesta firme decisão, se entregar ao outro por inteiro!

Quando homem e mulher se unem através do ato sexual, ambos estão expressando através de seus corpos que se entregam por inteiro, que um pertence ao outro. Porém, quando o ato é vivenciado “por acaso” ou no namoro, cada um retorna para sua própria casa, com suas próprias responsabilidades, em vidas distintas, caracterizando assim uma mentira! Então, algo que foi criado para fortalecer a união dos esposos, quando realizado em outra realidade distinta, ao invés de confirmar o amor, confirma o egoísmo, gerando inconscientemente dúvida, desconfiança, descaso, pois um usa o outro como objeto para satisfação de seus prazeres individuais, sem nenhuma intenção de um compromisso com o outro visto que, uma vida gerada dentro de um namoro, no início, é tratada como um problema e não como uma consequência agradável e responsável da união dos corpos, das vidas!

Nunca é tarde para recomeçar! Nunca é tarde para tentar, e não é porque um namoro começou desde o início com relação sexual que você está condicionado a viver assim até o relacionamento acabar ou se casar, visto que, o namoro é tempo de conhecimento mútuo.

Deus te fez livre! Use esta liberdade para buscar esta alegria em participar da vida bem-aventurada de Deus e viver com totalidade cada etapa do seu relacionamento, fazendo uso de sua razão e vontade, e dominando suas paixões e desejos. Deus nos dá uma incrível capacidade de sustentados por sua graça, buscar em todos os momentos a vontade dEle, pois Ele somente deseja nosso bem!

Felizmente podemos concluir que a Igreja, que ama seus filhos, permanece atual em seus ensinamentos mesmo após 2.000 anos, pois protege com a Verdade, a beleza de um amor verdadeiro que permanece, acolhe e espera o tempo certo na vida de cada um.

Larissa Martins Machado
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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