Início Artigos Pantokrator

Sinto-me constantemente abandonado

0

Quem nunca se sentiu abandonado? Quem nunca se sentiu sozinho em plena multidão? Quem nunca sentiu um vazio sucumbindo suas forças? Quem nunca se sentiu caminhar só em meio aos problemas, às provações, ao dia-a-dia de um lar agitado, de um ambiente corporativo tão exaustivo e desafiador?

Em um mundo que vai nos consumindo, não são poucas as vezes em que nos sentimos desprotegidos, vulneráveis, expostos… Abandonados em meio às tempestades das nossas vidas.  

É curioso que, mesmo diante de tantas redes sociais que “ligam” milhares de pessoas, nós vivemos em um tempo marcado pela solidão. As pessoas consideram que somente há uma real presença quando há uma mensagem ou um contato físico. É um tempo de correria e “praticidade”, em que a ciência precisa validar algo para que apostemos em algo/Alguém.

Em tempos assim, acreditar que existe uma Pessoa que se faz presente nas coisas mais singelas e silenciosas chega a ser considerado utopia. Por conta disso, a nossa alma, que transcende os contatos físicos, fica cada vez mais sozinha, abandonada, vulnerável e sem amparo. 

Esta é a verdadeira importância da fé! Acreditar que há Alguém no barco da nossa vida, que tenha o controle de tudo. É apostar que tudo ficará bem, que tudo dará certo, porque nunca estamos sozinhos!

Abandonado nos braços do Pai

Mas como acreditar? Como ter fé? Como ter forças para olhar esse sentimento de abandono que é tão real e conseguir caminhar? 

Só há uma maneira: Se colocar aos cuidados do Criador de tudo! Somente quem cria algo/alguma coisa sabe exatamente como isso funciona… Apenas Aquele que nos criou sabe o que é de fato necessário, o que realmente é preciso para sermos homens e mulheres verdadeiramente felizes.

Nosso criador nos faz uma promessa: “Será que uma mãe pode esquecer-se do seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa se esquecer, eu não me esquecerei de você! (Isaias 49,15). Enquanto vivermos pensando ser donos de nós mesmos e buscando ter controle de tudo, mais distantes estaremos do nosso Criador e mais afundados nesse sentimento de abandono e de falta de cuidado. Enquanto não entendermos que nem tudo está sob nosso domínio, que não temos como controlar uma doença, uma perda, uma situação financeira ruim e tantas outras coisas, estaremos fadados ao fracasso. Fadados a esse sentimento de impotência.

Reconhecer nossa realidade

Precisamos entender que somos criaturas finitas, que somos frágeis, débeis, que não conseguimos levar sobre nossas costas tudo o que nos rodeia. Compreender que não precisamos dar conta de tudo… E, ao fazermos isso, nossa alma vai se reconhecendo criatura e  vai contemplando os cuidados Daquele que é por nós. Estar sob os cuidados do nosso criador é saber que somos amparados e zelados; que, mesmo estando em uma agitada tempestade, não estamos sozinhos. Conforme lembra Santa Teresinha, é saber que atrás das densas nuvens existe um Sol a brilhar.

Estar na presença do Criador é se sentir aquecido pelo seu amor; é se deitar e saber que tudo ficará bem, e realmente ficará, pois Ele sabe do que precisamos e a hora em que precisamos. É nunca mais caminhar sozinho, ter a certeza de que:  “Quando Jesus está presente, tudo é bom e nada parece dificultoso” (Imitação de Cristo – Cap. XIII). É darmos a chance de deixar Jesus permanecer junto de nós, caminhando conosco e nos ensinando a beleza do dia-a-dia, para nos fazer apaixonados por tudo o que temos ao nosso redor. Ele, como Nosso Senhor, quer nos ensinar a amar cada fragmento da nossa vida e sabermos que Ele está em todos os lugares.

 

Angélica Baruchi Libório
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, insira seu nome aqui.

vinte − dezenove =

×