Sociedade do vício
Estamos no tempo da pós-modernidade. Parece que nunca o homem foi tão contraditório. Olha só:

– Somos globalizados, mas nunca as pessoas se sentiram tão sozinhas;

– A medicina é avançada, mas nunca se teve tanta gente doente, inclusive com doenças psíquicas;

– As pessoas têm acesso a todas as informações, mas continuam mergulhadas na ignorância;

– As pessoas se gabam de serem críticas, mas são facilmente manipuladas;

– Os jovens têm acesso a mil formas de diversão, mas nunca foram tão sem esperança;

– As crianças aprendem rápido as coisas, mas logo se tornam jovens revoltados;

– Fala-se tanto em direitos humanos, mas nunca a vida esteve tão vulnerável;

Poderíamos estender essa lista de contradições a um número infindável de exemplos. Mas quero destacar uma: a liberdade e o direito nunca foram tão enaltecidos como na pós-modernidade, fruto de conquistas iniciadas no iluminismo do séc. XVIII. Todavia, vivemos numa sociedade do vício, ou seja, onde as pessoas são escravas de mil coisas. Alguns vícios são tão envolventes que mal se percebe sua força. Fala-se da epidemia das drogas, do vício da tecnologia, da necessidade de consumo e bens para ser feliz. Mas o homem moderno é viciado em outras coisas como o prazer e bem-estar e por isso é incapaz de sacrifícios; é o vício das emoções, em que a experiência afetiva, religiosa e mesmo o entretenimento, se não forem emocionantes, de nada valem. Também aqui poderia estender a lista dos vícios da pós-modernidade.

Como uma sociedade livre é tão escrava? O discurso de liberdade é forte e envolvente, as estruturas preservam os direitos das pessoas através de mil formas de normas e leis, mas na prática as pessoas continuam prisioneiras. Acontece que não existe verdadeira liberdade se ela não conduz o homem ao bem, e o bem pressupõe sacrifício e caridade. Não existe direito se as pessoas não são capazes de cumprir seus deveres e o dever pressupõe uma verdade a seguir. Liberdade sem sacrifício e caridade é libertinagem; e direitos sem verdade só produzem a opressão dos mais fortes (que estão fora e dentro de nós, nesse caso, os instintos e o ímpeto à maldade). Libertinagem gera desesperança, porque, sendo uma suposta liberdade que não conduz ao bem, não leva o homem à felicidade, e um homem sem esperança de ser feliz é alguém desesperado. A opressão gera tristeza, porque uma pessoa que não pode ser ela mesma é alguém sem identidade, alguém infeliz.

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O contraditório é que a liberdade e o direito não têm levado as pessoas à felicidade, mas ao contrário, à infelicidade. Para compensar, as pessoas recorrem a satisfações imediatas repetitivas que, ao mesmo tempo em que trazem sensações físicas, psíquicas e espirituais, amortecem o drama da infelicidade. Trata-se das diversas formas de vício que a sociedade moderna oferece de forma abundante e velada. Isso é tão forte que mesmo a religião pode se tornar uma forma enganosa de vício que mascara a infelicidade do homem.

O que falta? Falta DEUS! Só em Deus somos verdadeiramente livres, porque é Ele que em Cristo nos ensinou o sacrifício e o amor. Só em Deus alcançamos nossos direitos, porque é n’Ele que está a Verdade. Se nos vícios as pessoas pagam por momentos de satisfação, em Deus a verdadeira felicidade é plena e perene, porque Deus é Dom gratuito que constantemente Se doa a nós.

 

André Luis Botelho de Andrade
Fundador e moderador geral da Comunidade Pantokrator

2 COMENTÁRIOS

  1. Realmente os vícios tem sido confundido como solução para fujir da dura realidade. Realidade essa que a mídia tenta esconder com soluções fáceis para problemas difíceis. Jesus não nos deixou a cruz para ser adornos de estabelecimentos e portas, mas a mensagem da cruz é real.
    Só em Deus somos verdadeiramente livres.
    Abraço.

    Givanilda,Palmas.

  2. A verdade é como uma luz forte que penetra dissipa a escuridão e a penumbra. A verdade liberta, mas, a princípio, ela incomoda e incomoda bastante.
    Intercedo a Deus, agora, por algumas pessoas que estão justamente vivendo esta situação: rejeitando a luz da verdade, desejando a ilusão da penumbra, como uma resposta imediata (ainda que mentirosa) de felicidade e realização. Convido a vc. tb. interceder, sobretudo por nossas famílias, para que sejam libertas.
    Peço tb. por mim, para que o Espírito Santo me lave de todo vício e me atraia à luz da verdade.

    Bom dia a todos!

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