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Sofrimento de uma mãe – tem como evitá-lo?

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Estava indo trabalhar e presenciei dentro do ônibus uma mãe que estava com uma filha que apresentava deficiências mentais. A mãe contava que às vezes no processo de crescimento da filha, recebia alguns socos e chutes dela, mas, sempre com paciência retribuía à filha com beijos, abraços e carinho. Ao longo do crescimento da criança, a mãe contava – com um semblante aparentemente feliz – que essas atitudes da filha foram diminuindo ao longo do tempo e hoje, mesmo sem um tratamento psicológico, ela vive bem com sua filha. Com isso, pensei comigo: como medir o amor de uma mãe? Na mentalidade de hoje, em que a sociedade está cada vez mais se distanciando do verdadeiro amor, o gesto dessa mãe demonstra a grandeza do amor humano, sobretudo, o amor de mãe. Há ainda outros casos de mãe que têm filhos com vários tipos de deficiências, síndromes etc. Sabemos que ter um filho deficiente causa sofrimentos para as mães, mas, se formos perguntar a elas, mesmo tendo filhos deficientes, se gostariam de ter evitado tê-los, a resposta seria quase sempre “não!” Porque o que define o amor de uma mãe não é ter um filho perfeito ou deficiente, mas o próprio amor que está dentro dela, que faz parte da sua identidade de mulher e do dom de ser mãe.

Esse fato me trouxe à memória o que aconteceu nos últimos dias no Supremo Tribunal Federal, acerca da aprovação do aborto de anencéfalos. A deficiência que aquela criança apresentava – como citei acima – me levou a pensar na deficiência de milhares de anencéfalos, que por decisão do STF não terão direito à vida, a ter um nome, a ser batizados e ter uma sepultura digna, mas, poderão ser esquartejados e jogados no lixo hospitalar.

É triste ver o que disse o ministro do STF Marco Aurélio de Mello: “bebês com ausência parcial ou total de cérebro não têm vida”. Fico imaginando, você ver um ser vivo, que tem carne, ossos, tecidos como nós, que se movimenta e que até reage a estímulos, ser ignorado como “um ser que não tem vida”. Isso não pode entrar na nossa cabeça! Não há argumentos nem justificativas plausíveis para a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos. O anencéfalo não nasce em situação de morte encefálica, como foi comprovado pelo governo dos EUA e pelo comitê de bioética da Itália recentemente, e como casos reais que vemos hoje em dia, como dois casos que ficaram famosos no Brasil inteiro – a vida das meninas Marcela e Vitória, nascidas com má formação cerebral.

O que define a vida? Veja esse testemunho!

Segundo o argumento do ministro do STF Marco Aurélio de Mello, as meninas Marcela e Vitória, seriam “mortos jurídicos”. Ou seja, se uma muçher estiver grávida de uma criança anencéfala que esteja se desenvolvendo dentro do seu útero, pode abortar, porque não é uma vida. E no caso de Marcela e Vitória, juridicamente terão direito a assistência? Pela lógica do referido ministro, não, porque não são vidas biológicas.

Essa história que conto traz também minha indignação em viver num país cujo governo se diz democrático, mas age como ditador, onde as decisões não levam em consideração a opinião pública, a lei natural e a lei Deus, mas interesses políticos e financeiros. Um país que decreta a pena de morte para aqueles que apresentam deficiências e que não podem se defender; um país que deveria ter a responsabilidade de proteger a vida humana, no entanto, não o faz, mas promove sua morte; um país que deveria usar a medicina, para proteger, curar e aliviar os sofrimentos humanos e não promover a morte para solucionar possíveis sofrimentos. Que tipo de progresso é esse? Enquanto isso, nossa saúde pública é uma verdadeira calamidade. Se estamos tão preocupados com o sofrimento das pessoas, sobretudo, das mães, por que o foco não é melhorar o atendimento médico e sim investir na prática do aborto?

O STF, que faço questão de dizer – numa atitude anticonstitucional, antidemocrática, imoral – exerceu um verdadeiro “ativismo jurídico”, chamando para si daquilo que é de competência específica do Congresso Nacional, aprovando a morte de anencéfalos. Agora pergunto, e amanhã? Quem nos garante que um feto mal-formado também não será o próximo alvo dos propugnadores do aborto? Sabem por que tudo isso está acontecendo? Porque a anencefalia é o carro de batalha dos abortistas; através dele se dará andamento para a morte de todas as crianças que apresentarem alguma deficiência, na ilusão de ter um mundo perfeito e de poucos; é também o meio pelo qual usarão para implantar a descriminalização do aborto total e irrestrita, porque sua legalização tem intuitos políticos e financeiros, além de interesses de clínicas abortistas que faturam milhões todos os anos, tráfico de órgãos e até indústrias de cosméticos e fabricantes de açúcar.

Quando vemos leis absurdas tramitando pelo Congresso contra a vida humana, como acreditar que um dia esses mesmos senhores que aprovam a matança de crianças anencéfalas  – dando início à legalização do aborto no Brasil – não o farão para aqueles que apresentarem algum outro tipo de deficiência, sobre o pretexto de uma frase que infelizmente está sendo cada vez mais dita: “Pra que deixar uma criança deficiente nascer? Só para causar sofrimento?”.

Pois bem, para aqueles que se seguram neste argumento sem fundamento, sinto-me quase que obrigado a dizer que nesta vida vamos sofrer, vamos passar por dificuldades, vamos chorar, vamos perder pessoas que amamos, e podemos até ficar numa situação de total dependência do outro. O sofrimento é inerente à existência humana. Nascer é um direito do ser humano. Seja para viver dias ou alguns meses. Permitir que um anencéfalo nasça pode trazer sofrimentos, mas que pode ser superado pelo amor, pela virtude e nobreza de uma mãe que não se acovardou, mas foi fiel até o fim com o seu filho. Agora, que tipo de amor posso demonstrar matando? Que tipo de virtude isso nos dá? Se até os animais irracionais protegem e defendem os seus filhos, por que o ser humano que é racional não tem a capacidade de fazer o mesmo?

Quanto à decisão do STF sobre a legalização de abortos de anencéfalos, o Jornal Nacional fez uma matéria tendenciosa no dia seguinte, mostrando o sofrimento de uma moça que descobriu que seu filho nasceria deficiente. Segundo o jornal, a moça queria abortar, mas vivia o drama de não ser protegida pela lei. Como se o aborto fosse a solução para quem não quer ter um filho.

Para que aconteça a liberação do aborto total e irrestrita, os abortistas planejaram alguns passos para chegarem ao seu objetivo: suspender a pena para a mulher que pratique o aborto em casos de estupro e quando há risco de ela perder a vida; autorizar a destruição de fetos congelados; legalizar o aborto de anencéfalos. Seguindo esses passos, vão avançando até chegar à legalização do aborto, como esta notícia chocante, mostrada pelo colunista da Revista Veja – Reinaldo Azevedo:

“DUPLA DE ESPECIALISTAS DEFENDE O DIREITO DE ASSASINAR TAMBÉM OS RECÉM-NASCIDOS.” Os acadêmicos Alberto Giublini e Fracesca Minerva publicaram um artigo intitulado: “After-birth abortion: why shoud the baby live?” – Traduzindo, literalmente diziam: “Aborto pós-nascimento: por que o bebê deveria viver?”

Os que defendem o infanticídio usam o seguinte argumento:

“Precisamos considerar os interesses da mãe, que pode sofrer angústia psicológica ao ter de dar seu filho para a adoção.”

Pois bem, já que estamos falando de sofrimento, os ministros do STF que votaram a favor do aborto de anencéfalos alegaram que obrigar uma mãe a ter uma criança equivale a uma verdadeira “tortura psicológica”. Não negamos que a mãe de uma criança com anencefalia passará por um período difícil e doloroso. Mas este será incomparavelmente menor do que o sofrimento devido à “síndrome pós-aborto”. Com isso, é importante mostrar algumas verdades – retiradas do livro “Catecismo contra o aborto” a respeito das consequências físicas, psíquicas e morais que ficam numa mulher que pratica o aborto, fato esse que os seus propugnadores e a mídia não falam. Tais são eles:

Problemas físicos:

Hemorragia, lesão e infecção, perfuração do útero ou do intestino, predisposição para abortos espontâneos, nascimentos prematuros, câncer de mama etc.

Problemas psicológicos e morais:

Crises de angústia, perda de autoestima, letargia, misantropia, depressão e, acima de tudo, remorsos.

Acaso isso não é sofrimento?! Façamos um questionamento. O aborto é a solução? Evidentemente que não! Quem tem uma criança deficiente, que vai viver poucos dias, com certeza sofre, mas viver é um direito de todos e a virtude e o amor superam a dor; agora, quem opta pelo aborto, o trauma pode ser por toda a vida.

Há ainda aqueles mais ingênuos e inocentes que dizem que o STF apenas deu a liberdade para a mãe escolher!!!

Vivemos um tempo em que a cultura do descartável só admite seres perfeitos. Nós, como sendo irmãos e filhos de Deus, deveríamos dar a vida uns pelos outros. Parece que o ser humano não acredita mais na capacidade do amor que ele tem, procura reduzir sua vida a vãos prazeres que um dia passarão. O que vou pensar do homem pós-moderno? Vou me orgulhar por viver nessa geração? Que pra eles aborto é como se fosse um progresso cultural? Não! O meu orgulho é de ser Católico, de ser de Cristo, de ser a favor da vida e de pertencer a uma Igreja que é fiel na justiça, quem tem uma doutrina sólida a respeito do ser humano, com base na lei de Deus e na lei natural.

Parece que o foco da sociedade estar em fazer o possível para “não causar sofrimento”, como se fosse possível bani-lo das nossas vidas.

O aborto é um pecado monstruoso que brada aos céus e clama pela justiça de Deus. É necessário, nos tempos de hoje, um posicionamento firme de nós, católicos, contra aqueles que são contra a vida. Enquanto não nos posicionamos, eles crescem, pois, como diz uma frase conhecida: “os maus se alimentam da covardia dos bons”. É necessário um posicionamento forte da opinião pública, de Padres, de Bispos e de leigos em defesa da vida humana; senão, vamos ficar assistindo à vitória do mal sobre nós. Há um trecho retirado do documento para os leigos do Concílio Vaticano II que nos exorta a respeito de como deve ser a missão do leigo no mundo:

“Os católicos sintam-se obrigados a promover o bem comum na dedicação à pátria e no fiel cumprimento dos deveres civis, e façam valer o peso da sua opinião, de modo a que o poder civil se exerça com justiça e as leis correspondam aos preceitos morais e ao bem comum”.

Com ajuda de Deus e da Virgem Maria, preparemo-nos e nos posicionemos para defender a vida em todas as situações, pois, todos somos iguais, todos somos irmãos, participamos de uma mesma família. Não cabe a nós, simples seres mortais que nascemos para um dia morrer, decidir quem deve ou não viver, pois, isso não é matéria que cabe a nós, mas Àquele que nos criou, que nos deu a vida e que tem todo o poder – O Deus todo poderoso!

Referências:

– O aborto e sua legalização – Presidente do Pró-vida Família, Prof. Humberto L. Vieira.
– Catecismo contra o aborto – Pe. David Francisquini
– IPCO – Instituto Plínio Corrêia Oliveira

Fábio Junior
Díscipulo na Comunidade Pantokrator

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