Celebramos hoje a solenidade de São Pedro e São Paulo

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Ó Roma felix! Ó, Roma feliz, adornada de púrpura pelo sangue precioso de Príncipes tão excelsos. Tu ultrapassas toda a beleza do mundo, não por teu mérito, mas pelo mérito dos santos que mataste com a espada sangrenta”. É assim que os canta o hino das II Vésperas, que remonta a Paulino de Aquileia († 806). Eis o mérito do martírio de São Pedro e São Paulo. A Igreja celebra a mais viva esperança: a força e o amor do Cristo Ressuscitado! Cristo oferta a sua vida em resgate do seu povo. São Pedro e São Paulo seguem a voz de Cristo e também se unem à  Sua Páscoa.

A Solenidade de hoje é celebrada em honra ao martírio dos apóstolos São Pedro e São Paulo em Roma, dois dos mais importantes mártires e discípulos de Cristo, duas colunas da Igreja. É neste dia do ano litúrgico que os recém-apontados bispos metropolitas e arcebispos receberam o símbolo primário de seu cargo, o pálio, diretamente do Papa Emérito, em Roma.

Solenidade de São Pedro e São Paulo

A liturgia comemora São Pedro e São Paulo como mestres e confessores da fé. “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16, 16), proclama Pedro em nome dos demais discípulos, diante da pergunta de Jesus. Por sua parte, já no fim da vida, Paulo abre a alma para Timóteo: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé” (2Tm 4, 7). São Pedro e São Paulo são considerados “os cabeças dos Apóstolos”, por terem sido os principais líderes da Igreja Primitiva, tanto por sua fé e pregação, como pelo zelo e ardor missionários.

Simão, irmão do Apóstolo André, pescador simples de Betsaida, responde pela fé dos seus irmãos (cf. Mt 16,13-19). Por isso, Jesus lhe dá o nome de Pedro, que indica sua vocação de ser “pedra”, rocha, para que Jesus edifique sobre ele a comunidade daqueles que aderem a ele na fé: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). Pedro deverá dar firmeza aos seus irmãos (cf. Lc 22,32). A pedra na Sagrada Escritura significa a segurança, a solidez e a estabilidade. Mas Jesus sabia que, sendo criatura humana, Pedro, por mais fiel que Lhe fosse, seria sempre uma criatura fraca. Por isso, Jesus faz de Pedro o fundamento, para que se pudesse enxergar a força de Cristo pela sua fraqueza límpida e humilde, como o vidro da janela deixa penetrar a luz do sol sem se apropriar dela.

A Graça tornou Pedro intrépido pregador do Evangelho através da descida do Espírito Santo, no Dia de Pentecostes, o que o tornou líder da primeira comunidade. Pregou no Dia de Pentecostes e selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos em Roma, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor. Escreveu duas Epístolas e, provavelmente, foi a fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho. O simbolismo das chaves que se relaciona a Pedro é claro. A chave abre e fecha. Possuir a chave significa garantia, propriedade, poder de administrar. Jesus escolhe um humilde pescador para administrar a nova casa de Deus, dando-nos a entender duas premissas fundamentais para quem detém a autoridade: primeiro, que a condução deve ser do Espírito Santo para que se faça a vontade do Pai, não a própria; segundo, que quem governa seja o servo de todos.

Paulo, cujo nome antes da conversão era Saulo, era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada “aos pés de Gamaliel”, um dos grandes mestres da Lei na época. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles. Não fez parte do grupo dos doze. Converteu-se à fé cristã no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Recebeu o Batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério. Tornou-se um grande missionário e doutrinador, fundando muitas comunidades. De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação. Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o “Apóstolo dos gentios”. Deixou-se invadir pelo Espírito Santo e entregou-se de corpo e alma ao serviço da evangelização.

Podemos dizer que hoje é o dia da fé: fé pessoal de Pedro e de Paulo em Jesus, proclamada e ensinada por ambos, ao longo de trinta anos até a morte. Fé confessada e testemunhada dia após dia, entre perseguições e consolos, até o derramamento do seu sangue.

Em Pedro, a fé é um processo contínuo, desde o primeiro encontro com o Senhor até a sua morte. Em Paulo, a fé é uma fulgurante irrupção a caminho de Damasco, que vai amadurecendo e se aprofundando. Pedro é o fundamento visível da unidade, e Paulo, o símbolo da missão universal. Por isso hoje é o “Dia do Papa”, que, por um lado, é o sucessor de Pedro e pastor de toda a Igreja, e, por outro, é responsável por garantir que a obra de Cristo chegue aos confins da terra e que os cristãos se mantenham unidos por meio dos sacramentos.

Por esse motivo, nas Missas em que se celebra essa Solenidade se fazem as coletas do Óbolo de São Pedro, destinada às necessidades da Igreja Católica. Em boa parte das paróquias do mundo, na missa deste domingo, acontecerá a coleta do Óbolo de São Pedro, por ocasião do dia de hoje, 29 de junho, Dia da Caridade do Papa. O dinheiro recolhido é dedicado às obras de ajuda a favor dos mais pobres. O Óbolo de São Pedro compreende também as contribuições procedentes dos institutos de vida consagrada, sociedades de vida apostólica e fundações, assim como de doações de fiéis particulares.

Neste dia reza-se especialmente pelo Papa. O Papa é sempre o bispo de Roma. Deus quis que Roma tivesse esse significado especial na história da Igreja. O Romano Pontífice como vigário de Cristo, é o administrador de Cristo aqui na terra, como sucessor de Pedro, leva consigo toda a autoridade que Cristo confiou ao mesmo Pedro para apascentar o rebanho do Senhor. S. Jerônimo († 420) expressou firmemente a sua adesão ao Papa com as seguintes palavras: “não sigo nenhum primado a não ser o de Cristo; por isso ponho-me em comunhão com a Sua Santidade, ou seja, com a cátedra de Pedro. Sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja”. S. Josemaría Escrivá († 1975) dizia que “o amor ao Romano Pontífice há de ser em nós uma bela paixão, porque nele vemos Cristo”.

São Pedro e São Paulo são os grandes mestres e testemunhas da fé, cujo discípulo e imitador encontramos em perfeição no Santo Padre, o Papa. Hoje Francisco é a síntese de Pedro e Paulo para o nosso tempo. O católico deve estar sempre perto do Papa: escutá-lo, apoiá-lo, rezar por ele e por suas intenções. O Papa é quem garante a unidade da Igreja de Cristo. Foi em torno dessa pedra, que Cristo edificou Sua Igreja.

Viva o Papa!

Kátia Maria Bouez Azzi
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator, Teóloga e Filósofa

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