Você já pensou em se entregar totalmente para a Mãe de Jesus, a Virgem Maria? Fazer tudo o que ela te pedir? Como dizer “Sou todo teu ó Mãe” sem ser da boca pra fora? Gostaria de convidar a uma breve reflexão a respeito desta graça imensa que é de não ser órfão.

Temos uma Mãe!

Para nos ajudar numa reflexão, pensemos em um garoto na adolescência, apaixonado por uma garota, a mais bela da escola, tão linda que todos os outros rapazes também a desejam, e vendo o tamanho da concorrência o garoto diz com toda a certeza do coração: “Faria tudo para tê-la!”. Obstinado pela garota, fica sempre atento as oportunidades de vê-la e procura perceber o que poderia fazer para conquistá-la. Entra na academia para ficar forte e notável, começa a praticar esportes, busca ser alguém para ela, se possível até aprende a tocar um instrumento. Podemos dizer então que este rapaz vive por esta donzela e que ele é todo dela, mesmo sem tê-la, ela o possui, pois ele fez dela o sentido maior da sua vida, tudo gira em torno desta conquista.

Retirando a questão do relacionamento entre homem e mulher, podemos ver uma semelhança deste exemplo com a verdadeira consagração a Virgem Santíssima, ser todo da Virgem Maria não é uma atitude passiva, na qual basta colocar uma corrente nos braços e rezar um conjunto de fórmulas diariamente. É preciso ter atitude, ter coragem, sair da estagnação e lutar contra si mesmo, contra os pecados, defeitos e más inclinações. Saiba, a Virgem Santíssima é uma Mãe muito terna, doce e muito carinhosa, porém, é uma Mãe exigente! Ela não aceita perder um filho seu para o mundo e não deseja nada a menos que a santidade para você! Ser todo da Virgem Maria é um compromisso sério com a santidade.

Talvez você me questione se não deveríamos nos apaixonar por Cristo ao invés de Nossa Senhora, pois afinal Ele é o nosso único salvador. Sim, mas a experiência de, ouso dizer, TODOS os santos, foi que sem paixão por Nossa Senhora não tem Paixão por Jesus Cristo. Parece que estou pegando pesado em dizer isso, mas lembre-se que a atitude de Virgem Santíssima sempre foi nos dizer “Fazei tudo o que Ele vos disser!” (Jo 2, 5) também São Luiz Maria Montfort vai escrever no tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem:

“[…] nunca pensas em Maria sem que Maria, em teu lugar, pense em Deus, e nunca louvas Maria sem que Ela contigo louve e honre a Deus. Maria só a Deus se refere, e bem lhe poderíamos chamar de a relação de Deus, que só existe em referência a Ele, ou o eco de Deus, porque Ela só diz e repete: “Deus”. Quando dizes Maria, Ela diz Deus.” (parágrafo 225)

“Onde está Maria, não entra o espírito maligno, e um dos sinais mais infalíveis de que se está sendo conduzido pelo bom espírito é a circunstância de ser muito devoto de Maria, de pensar nela muitas vezes e de falar-lhe frequentemente.” (parágrafo 166)

O orgulho do homem induzido pela tentação de Satanás muito desprezou ao longo a história a devoção a Virgem Santíssima. Hoje é frequentemente passado por “reza de senhorinhas” ou então por “modinhas de grupos de jovens” e dentre os protestantes “idolatria”, mas na verdade Maria é a nossa arma principal e indispensável para vencer o mal e abraçarmos a salvação de Cristo.

No livro “Céu, Inferno e Purgatório”, Dom Bosco, ao descrever a visão que teve do inferno menciona que existiam laços que envolviam as pessoas e as arrastavam para dentro do inferno, mas estes laços poderiam ser cortados por algumas armas que ali eram colocadas pela providência divina. Veja como ele descreve a devoção a Virgem Maria: “Havia também duas espadas. Uma delas indicava a devoção ao Santíssimo Sacramento, especialmente com a Comunhão frequente, a outra, a devoção a Nossa Senhora.”

Portanto, não sejamos cabeças duras, não caiamos no orgulho de achar que sem a Virgem Santíssima conseguiremos ser santos. Se você não quiser ser santo saiba que se você começar a ter intimidade com Nossa Senhora ela te dará este desejo. Uma mãe que ama verdadeiramente seu filho jamais o deixaria desamparado em suas aflições, e assim Maria não nos deixa desamparados, mas esta mesma mãe com certeza exigiria que seu filho andasse pelos caminhos corretos. A Virgem Maria sabe mais do que ninguém o melhor caminho a se seguir, se o Santo dos Santos foi conduzido por ela desde seus primeiros passos, quem somos nós para decidirmos nosso próprio caminho? Se Deus quis usar de Maria para gerar o Santo dos Santos, logo se quisermos a felicidade eterna precisamos nos voltar para esta bondosa Mãe.

Cada pessoa da Trindade tem um papel em nossa vida, o Pai é aquele que nos sustenta na existência, o Criador. O Filho é aquele que nos salva pela sua carne obediente e o Espírito Santo é aquele que nos santifica, que nos orienta. Para que Deus possa trabalhar em você é preciso relacionar-se com cada pessoa da trindade, ter intimidade com cada uma delas, ou seja, dedicar tempo, com disciplina, diariamente. E com a Virgem Santíssima não é diferente, para você ser todo dela é necessário dedicar tempo a Ela, o papel da Virgem Maria é, com o Espírito Santo, gerar o Filho. Por isso que é impossível cometer idolatria sendo todo de Maria, porque ela gerará o Cristo em você.

Temos uma Mãe, não podemos viver como órfãos, por exemplo, se você está com dificuldades na vivência da castidade, passe um tempo com Maria todos os dias e ela te ensinará a castidade de Cristo. Se você tem tendências a comer demasiadamente e falar mal das pessoas, esteja com Maria que ela irá te contar como Jesus se alimentava e como ele olhava para as misérias das pessoas. Se você não quer servir e está muito ocupado com a sua própria vida, escute Maria e ela te contará da aventura que ela viveu com Jesus para trazer a salvação até você. Enfim, por mais que você já tenha dado muitos passos na fé, seja de caminhada por longos anos na Igreja, se não tens crescido na intimidade com Maria, estais correndo sérios riscos de perder tudo o que já conquistou na vida espiritual. Devemos nos lançar nos braços da Mãe, Ela nos alimentará, dará carinho, proteção e nos conduzirá por um caminho surpreendente. É exigente, porém, permeado de alegrias verdadeiras que desembocam na felicidade eterna.

Lucas Sturion 
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator 

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