Tempestade acalmada: Ele dorme, mas Seu coração vela

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Certamente, você já fez a experiência de acordar e se deparar com todas as suas agitações, antes mesmo de se levantar da cama. Pensar em tudo que se tem para resolver naquele dia, pensar se dará tempo de resolvê-lo, de conciliar horário. Ou diante de uma decisão importante que precisa ser tomar, uma reunião importante de trabalho: inseguranças, medos, distrações. Muitas são as agitações que nos acometem pela manhã, e ao longo do dia, inclusive. Elas, em muitos momentos, se assemelham a tempestade que parece não ter fim.

Levando em consideração as agitações diárias, onde será que está Deus?

Sou uma pessoa ansiosa e controladora. Antes de dormir, já começo a pensar no que farei no dia seguinte e nos sucessores, a fim, de tentar conciliar o horário das minhas atividades semanais, prazos a serem cumpridos, audiências a serem estudadas e realizadas. Tempo para sair com os amigos, visitar familiares. Enquanto escrevo este texto, já estou pensando no que farei posteriormente a ele. Tantas são as agitações.

Em contrapartida, as agitações também são acometidas no tempo reservado para a oração pessoal.

Torna-se um tanto quanto difícil silenciar para rezar. É fechar os olhos, que todas as agitações aparecem, como se o silencio fosse o gatilho. Mas, o que fazer quando isso acontece? Desistir da oração?

No atual cenário de uma vida agitada, constantemente, estamos diante de decisões a serem tomadas. E para muitas destas, na verdade, para todas elas, é necessário o auxilio de Deus para fazermos o discernimento.

Diante dos barulhos, exteriores e, principalmente, interiores, se concentrar para ouvir a voz de Deus se torna um obstáculo a ser vencido.

Recordemos a passagem da tempestade acalmada (Mc 4,35-41), quando os discípulos, adentraram no barco com Jesus para atravessar até a margem. Durante a travessia desabou, então, uma tempestade de vento sobre o mar. A barca enchia-se de água e eles se achavam em perigo. Desesperados, temendo perder a vida, aproximaram-se de Jesus que dormia e gritaram: “Mestre, Mestre, não se importa que estejamos perecendo!” Levantou-se Jesus e ordenou aos ventos e a fúria da água que se acalmassem. Eles se acalmaram e logo veio a bonança.

Tempestade acalmada: Ele dorme, mas Seu coração vela

Você, filho de Deus, é convidado a adentrar nesse barco e atravessar até a margem com Jesus; entrar nesse convite de oração, se decidir por orar, e fazer a travessia.

Em seguida, Jesus dorme, mas Seu coração vela.

Vêm as tempestades, medos, incertezas, inseguranças. E, se for diante de uma decisão importante, vêm os questionamentos, nos apavoramos, e não conseguimos ouvir a voz de Deus, não porque Ele não nos responde, mas porque em nós há uma desconfiança de que não seremos amparados por Deus, muito por conta da marca do pecado original impressa em nós.

Traídos pelo sentimento de abandono, assim como aqueles discípulos, começamos a gritar com Deus “Mestre, Mestre, não se importa que estejamos perecendo!” Não se importa que esteja eu desesperado, precisando do seu auxilio, do seu socorro?

Nesse grito de socorro, Jesus ordena aos ventos e a fúria da água que se calem, e a calmaria se instala.

Nessa ordem, que vem seguida de uma súplica, não de uma desistência, Jesus nos lembra, que Ele esta conosco, nunca nos abandona, cessa nossas agitações interiores, e nos exorta: “Onde está a vossa fé?”.

Que diante das nossas agitações, não deixemos de buscar o auxílio de Deus. Lembremo-nos de Deus que está conosco dentro do barco e que é incapaz de nos abandonar.

Ele dorme, mas Seu coração vela.

Jéssica Feitosa Fernandes
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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