Tempo de noivado, para que serve?

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Ao falar sobre noivado pensamos imediatamente num tempo curto, de organização e preparação. Seja da residência para morar e/ou no momento social de celebração com os familiares e amigos. Tudo isso tem muito valor, é muito bom e realiza o coração do casal, no entanto, é necessário conhecer melhor o que estarão assumindo.

Para nos ajudar a vivermos um período de noivado frutuoso a Igreja nos ensina a dividi-lo em duas etapas, a preparação próxima e a preparação imediata (cf. Conselho Pontifício para a Família – Preparação para o Sacramento do Matrimônio n 32-59). Muitos podem pensar ser ingênuo acreditar que seguir este protocolo fará alguma diferença na vida matrimonial.  Entretanto, não se trata de um código, mas sim a base que orienta a Santa Igreja de Cristo.

Tempo de preparação próxima

A preparação próxima serve para firmarmos a decisão pelo cônjuge. Para amadurecermos e tomarmos consciência do compromisso que iremos assumir perante Deus e aos homens. O matrimônio é um sacramento. Da mesma forma como a Eucaristia e o Batismo, é necessário tratá-lo com sacralidade. “O próprio Deus é o autor do matrimônio, o qual possui diversos bens e fins” (Gaudium Et Spes p.48).

O casamento também é um chamado de Deus. Assim como, um rapaz é chamado para ser padre, o rapaz e a garota também são chamados para constituir uma família. E desta forma manifestar ao mundo o amor de Cristo pela Igreja. Por ser uma vocação tão digna quanto a do sacerdócio ou a vocação religiosa, o matrimônio também tem uma finalidade: a salvação das almas.

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“Dois outros sacramentos, a ordem e o matrimônio, estão ordenados à salvação de outrem. Se contribuem também para a salvação pessoal, isso acontece por meio do serviço aos outros. Conferem uma missão particular na Igreja e servem para a edificação do Povo de Deus.” (CIC 1534)

É triste quando as pessoas nivelam por baixo o sacramento do matrimônio. Isso se deve em muitos casos, por não conseguirem viver com leveza, na alegria e no louvor. Não contentes com espalhar suas frustrações aos ares, te olham com sarcasmo dizendo: “Você vai ver! Quando casar tudo muda!”. Dando uma impressão de desejo que passemos pela mesma frustração.

Sinto muito, mas com esse pensamento, nós desacreditamos que o poder de Cristo pode transformar nossas vidas e nos salvar. Entregamos nosso futuro nas mãos de satanás e caminhamos diretamente para uma vida sem esperança, fria e sem graça.

Minha noiva e eu estamos vivendo a preparação próxima. Neste período não podemos mais voltar atrás e questionar se estamos com a pessoa certa, pois isto deve ser feito no namoro. Mas estamos entendendo aos poucos sobre o que é se entregar livremente por amor a Deus e ao outro.

Nossas experiências revelam fagulhas do grande desafio que nos espera. Desta forma, certamente, esta fase torna a aterrissagem na terra do matrimônio mais suave e assim,  nos prepara melhor para enfrentar os desafios que virão.

Renuncias

Para conseguirmos viver com qualidade esta etapa é necessário renunciar constantemente as superficialidades deste mundo. Talvez isto soe um pouco rude, mas o vestido e a aliança não são mais importantes do que a noiva, bem como o terno ou o smoking não são mais importantes que o noivo.

A decoração da Igreja e a música não são mais importantes que os corações dos noivos durante a celebração do rito do matrimônio. A festa não é mais importante que a capacidade do casal ser transbordante de amor um para o outro. De modo que este amor transborde para a comunidade. O DJ e as danças não são mais importantes do que o jogo de cintura que o casal precisará ter para vencer os desafios.

Da mesma forma, a lista de convidados não é mais importante que as amizades verdadeiras que o casal precisa construir e cultivar. A viagem da lua de mel não é mais importante que a futura vida sexual do casal que precisa ser vivida em constante louvor a Deus, entrega mútua, união e generosidade para acolher quantos filhos Deus enviar.

Não digo que é fácil renunciar neste momento as preocupações com estes detalhes. No entanto, é um exercício frutuoso para a paciência, espera e confiança em Deus. Nesta fase educamos nosso coração para se apegar aos bens mais elevados. Desenvolvemos nossa capacidade de transcender sobre as realidades terrenas, nos configuramos melhor a palavra de nosso Senhor.

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.” (Mateus 6, 33)

Tempo de preparação imediata

Nesta etapa inicia-se a preparação para as coisas práticas. Procura-se a Igreja para a realização da celebração, definir os detalhes da liturgia. Da mesma forma, comprar ou alugar o vestido da noiva e o terno do noivo, os preparativos para a festa, o planejamento da lua de mel e outros detalhes.

Aconselha-se que o casal deixe para ler livros sobre vida sexual cristã nesta etapa, as tentações na sexualidade costumam ser mais intensas no noivado. Deixar para o último minuto é saudável, prudente e favorável para a fidelidade na vivência da castidade.

Muitos casamentos que acontecem hoje são belos por fora, mas podres por dentro. Com o tempo a casca envelhece e nada sobra. Ao viver uma preparação segundo o coração de Deus construímos fundações sólidas e alicerçadas sobre a rocha. Ou seja, sobre os ensinamentos do Mestre.

São estes bens mais elevados que precisam brilhar no dia do casamento e isso só acontece se realmente forem verdadeiros e provados neste tempo de graça que é o noivado.

“Para que o sim dos esposos seja um ato livre e responsável e para que a aliança matrimonial tenha bases humanas e cristãs sólidas e duráveis, a preparação para o casamento é de primeira importância.” (CIC 1632)

Lucas Sturion
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator

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