Todo vitorioso teve quedas, mas não parava nelas

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Nesta vida, que é uma corrida rumo à casa do Pai, enfrentamos muitos obstáculos (cada indivíduo com seus respectivos dilemas, e com seu tempo para completar a chegada – sem saber o quanto falta para se completar o prazo). Diante de tamanho desafio, são comuns as inevitáveis quedas.

Por vezes, nos deparamos com a barreira das nossas limitações humanas: dificuldades físicas, intelectuais, temperamentos difíceis, exigências sociais no ambiente de convívio (nas quais não nos enquadramos), entre tantas outras. Dependendo como “esbarramos” nestas limitações, caímos no chão!

quedas

Outras vezes, tropeçamos na pedra da pretensão de anexarmos uma lista enorme de afazeres durante o dia, sem levarmos em conta que ele tem vinte e quatro horas, nada além disso. Ao agirmos assim, somos conduzidos à queda, porque não damos conta de tudo: ou deixamos de suprir as necessidades básicas do nosso corpo, trazendo malefícios à saúde, o; Ou não temos tempo de viver os afetos com as pessoas do nosso convívio, prejudicando estes relacionamentos. Ou deixamos de cultivar a intimidade com Deus, essencial para o nosso bem.

Outras vezes ainda, escorregamos nas nossas más tendências: gula, preguiça, luxúria, avareza, soberba, inveja, ira, entre outros vícios. O inimigo do Pai, querendo evitar que seus filhos amados cheguem ao destino que nos é esperado, está sempre à espreita, querendo “puxar nosso tapete”. Quando não estamos fortalecidos em Deus, nosso interior fica desestruturado, e caminhar se torna tão insuportável, que nos rendemos ao chão, numa nova queda.

Sobre encontrar-se caído 

Como vimos acima, existem as quedas que fogem ao nosso controle, mas também há quedas às quais nos rendemos, por fraqueza. Não podemos nos condenar por sermos assim: seres que vivem caindo! Se Deus nos ama com nossas imperfeições, quem somos nós para deixar de amar a nós mesmos ou aos outros?

No chão, encontramos apoio, “consolo”, e refazemos nossas forças. Estar em contato com o “pó da terra”, de onde viemos (Cf. Gn 2,7), nos resgata a humildade, nos faz ver que a força para prosseguir não está toda em nós, mas que dependemos uns dos outros, e principalmente d’Aquele que nos criou. Muitas vezes, é quando estamos caídos que aprendemos a recorrer a Ele, que está sempre disponível, e anseia por nossa correspondência de amor.

De fato, a queda muitas vezes nos é importante para acalmar e colocar os fatos em seus devidos lugares. Mas não podemos ficar muito tempo no chão, não podemos ficar estagnados! Estamos em meio a uma corrida, e temos um tempo para completá-la! Além de tudo, neste mesmo solo do qual fomos criados, existem elementos que nos contaminam! Podemos ser tomados pelo comodismo, pelo desânimo, pelo cultivo de nossos vícios e pela mentira de que é impossível chegarmos à casa do Pai!

Devemos fazer de nossas quedas – e de nossas tendências à queda – uma espécie de mola, um impulso à santidade. Aproveitar o que elas nos trazem de lição e desenvolver os mecanismos para evitá-las. Desta forma, seguimos em frente com maior decisão.

Sobre o vitorioso

Sai vitorioso desta corrida, não aquele que chega primeiro – pois muitos já a completaram, enquanto muitos outros nem a começaram. Vence a corrida quem supera os obstáculos com sabedoria, quem justamente auxilia os demais “participantes” e se deixa ajudar.

O vitorioso cai sim, mas recorre Àquele que nos espera no ponto final, e se levanta, com confiança e determinação. Não deixa que roubem seu sonho de alcançar o lugar almejado.
Quando preciso, luta consigo mesmo, “arranca os olhos” que levam à perdição, “corta as mãos” que levam ao pecado (Cf. Mt 5,29-30). São Francisco de Sales deixou-nos muitos bons exemplos com sua vida, mas chama a atenção a maneira com que lidou com seu temperamento explosivo: ao atender as pessoas em sua sala, preferia arranhar a mesa (por baixo) do que responder-lhes de maneira agressiva. Vejam: alguém que exerceu domínio sobre o temperamento difícil, e foi sempre visto como um portador da mansidão e misericórdia de Deus!

O próprio Cristo, Vitorioso dos vitoriosos, em sua Paixão, experimentou tantas quedas! Com elas, nos ensinou a levantar o quanto antes pudermos.

Existem muitas vitórias na vida: superar alguma dificuldade que se tem, conquistar a amizade daqueles por quem temos carinho, conseguir um emprego estável, finalizar os estudos tão almejados, contemplar a cura de alguém que estava muito doente, desenvolver-se humanamente, entre tantas outras! Mas a verdadeira vitória é completar a Corrida rumo à casa do Pai! Que o brilho das demais não ofusque sua luz desta.

Acredite! Você foi criado(a) para vencer a corrida! “Bora” levantar?

Luiza Torres
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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