Uma coisa de cada vez e o céu como meta!

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A santidade não consiste em fazer muitas coisas ao mesmo tempo, mas em fazê-las cada dia com mais amor a Deus para recapitular o mundo com Cristo.

A vida tornou-se uma correria incessante. Trabalho, trânsito, filhos, tarefas domésticas, cursos, enfim, uma gama de atividades que transformam o dia num instante. Além disso, há o cansaço de se fazer muitas tarefas ao mesmo tempo, de se distrair na realização de uma atividade com o toque do celular, avisos de mensagens do Whatsapp, Facebook,… E assim vai, pulando de uma tarefa para outra, sem sentido, sem metas, começando muitas coisas, concluindo algumas e produzindo bem menos do que se gostaria.

Não resta tempo e nem espaço para a reflexão e a oração, as pessoas vivem a superficialidade do momento e das coisas, de modo que a sociedade está se tornando cada vez mais materialista e poucos se detêm a pensar sobre o sentido e o alcance da vida do Homem. Vive-se uma aceleração do tempo, tudo tem que ser rápido, imediato. Por mais que as pessoas queiram acessar toda informação disponível nos canais de televisão e notícias da internet, não se tornam bem informadas, mas bem superficiais, pois não dedicam tempo para pensar e ir além daquilo que ouviu ou leu.

O problema é que não se pode ter avanços sem dedicar tempo para pensar e se concentrar. A ausência da vida espiritual leva as pessoas a viverem pelo instinto e sensualidade, daí se tornarem presas em si mesmas, ao dinheiro e ao sexo.

Mas para quem deseja ser santo, o comportamento de desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo, tem que ceder espaço a um estilo oposto, o de se concentrar em uma coisa de cada vez e ter o céu como meta, com a intenção de fazer o melhor de si, bem feito e com amor para santificar cada atividade diária.

A antítese ao excesso de informação e estímulos, em que se presta um pouco de atenção a várias coisas o tempo inteiro, para de fato se concentrar no que se está fazendo no momento, pois a santidade não consiste em fazer muitas coisas ao mesmo tempo, mas em fazê-las cada dia com mais amor a Deus para recapitular o mundo com Cristo.

O excesso de informação prejudica a vida espiritual, a vida da fé, pois as pessoas vivem dispersas, sem metas e se veem preocupadas com dados que não têm qualquer serventia para a realidade concreta e a toda hora querem saber se alguém a mencionou no Twitter ou se tem novas notícias na web. Mas é preciso reagir e aproveitar o tempo – que não vale apenas dinheiro, é presente de Deus – e criar espaço para momentos de oração, folgas e diversão. Comandar o ritmo da vida, rezar e viver o presente. Transformar as noites e finais de semana em tempo livre para Deus e para a família.

Fazer o que deve ser feito e estar inteiro no que se faz, não por rotina nem para ocupar as horas, mas viver por amor a Deus e não distraído ou correndo.

Os smartphones, tablets e aplicativos trouxeram a ideia de que a tecnologia poderia facilitar a vida humana e torná-la mais eficiente, saciada em sua ânsia de ser múltipla ao limite, mas a superabundância de ferramentas provocou uma sobrecarga digital e se tornaram controles remotos de gente.

Mas realizar duas ou três coisas ao mesmo tempo, não significa um melhor uso de tempo. Quando se tenta fazer várias coisas ao mesmo tempo só se torna mais lento e aumenta a chance de erros, pois a mente humana é programada para processar uma informação por vez, já que as mesmas partes do cérebro são usadas em conjunto no processamento de diferentes dados. Daí que, quando se acha que está no modo multitarefa, na verdade, está apenas trocando de uma atividade para outra e perdendo tempo com isso, pois sempre leva alguns minutos para voltar a se concentrar na atividade anterior.

Não se interessar por jornais de qualquer tipo, não parece uma postura exemplar, mas é muito difícil alguém rezar, refletir, sem uma certa distância da correria do cotidiano, sem ter o céu como prioridade e meta. É importante experimentar um distanciamento reflexivo da realidade e fazer uma coisa de cada vez, pois se tira uma preocupação da mente e o trabalho flui mais leve e com mais foco na meta proposta.

O segredo para realizar cada dia melhor as atividades e tarefas são as pequenas coisas e que dão o remate de perfeição à atividade. A ordem, a alegria, a constância, a humildade, a magnanimidade e outras virtudes, tornam as atividades da vida oportunidades de amar e ser fiel a Deus para a recapitulação do mundo e salvação das almas.

Sem a caridade, o esforço humano não basta para santificar os afazeres, porque o amor sobrenatural a Deus e às almas é a essência da santidade.

Na realidade, também não se pode dizer que se fez muitas coisas e nem bem-feitas, porque a caridade está por dentro das virtudes e a sua falta demonstra que o rol de obrigações e atividades feitas, por mais que custassem montanhas de energia e preocupação, levaram à conquista de algo inútil. E, além disso, o amor a Deus é um sentimento operante, que deve governar a realidade concreta da vida de um filho de Deus, através do exercício das virtudes humanas, pois só assim se pode viver a santidade no comum da vida sendo fiel a Deus incondicionalmente.

Selecionar as tarefas por ordem de importância e executá-las com amor, tendo o céu como meta, é uma forma de se ganhar tempo na vida, mas para isso é preciso mudar de perspectiva e a visão da vida superagitada e não pensar no quanto se pode ganhar nesta terra, mas no que se perde ao viver dessa maneira corrida e distraída. Considerar mais profundamente o que tem valor para a vida e daí adotar novos comportamentos. Apesar de ser um desafio e tanto, o céu pode ser alcançado passo a passo. Uma coisa de cada vez.

Gabriela da Silva
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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