No Madeiro encontramos a maior manifestação de amor já vista sobre a terra. O dia se fez noite, a cortina do Templo se rasgou e o homem conheceu a salvação.  Bendita Árvore da Cruz, Bendito o Madeiro que sustentou o Salvador do mundo!

A Cruz expressa ao homem o amor extraordinário com o qual Cristo nos amou e se entregou por nós. Ela aponta a mensura desse amor sem impor condições, sem acepção de pessoas, com gratuidade e entrega plena até a última gota de sangue! “Mas Ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre Ele; fomos curados graças às suas chagas” (Is 53,5).

Impossível conhecer esse Amor e não se permitir ser amado, não movimentar em nossos corações um desejo ardente de resposta.

“Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo!”

É também inviável não se encantar com essa verdade que explode da boca do sacerdote na Sexta-feira Santa! E pensar que em cada canto do mundo, na Igreja de Cristo– fundada sobre Pedro – há um padre que levanta o madeiro e aos poucos desnuda a Cruz e revela mais uma vez ao homem a beleza do crucificado; d’Aquele que deu tudo e nada reteve. “Não tinha beleza, nem atrativo para o olharmos, não tinha aparência que nos agradasse. Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível ele era, não fazíamos caso dele.” (Is 53,2-3). A beleza do Crucificado traz até uma incoerência, mas apenas quem é capaz de compreender a grandeza do Amor da Cruz consegue enxergar a beleza que se esconde nas chagas de Cristo.

… o texto continua após a imagem…

 Da Paixão à Ressurreição

Não existe Cristianismo sem Cruz e acreditar nisso seria ilusão ou imaturidade, já que Glória passa por ela. É impossível chegar à Ressurreição sem passar pelo Calvário e o sofrimento permeia a vida do homem, ninguém escapa dele. Nós, católicos, não buscamos o sofrimento, mas o acolhemos por amor à Cristo, “para completar na nossa carne, o que faltou à Cruz de Cristo.” (Cl 1,24).

Diante disso é possível transcender e transformar cada pequeno sofrimento vivido no ordinário das nossas vidas, em situações de oferta de amor e gratidão à Cristo.

Em minha vida pessoal, uma das situações onde minha cruz particular se tornou mais pesada foi quando perdi meu primeiro bebê, aos dois meses de gestação. Neste tempo de calvário veio o descaso da médica que realizou o primeiro ultrassom, a indiferença do ginecologista que me assistia, a dor física, os medos e as inseguranças; até culminar no aborto espontâneo.

Eu desejava muito ser mãe, só não sabia que ainda não era tempo de levar a termo. O sofrimento veio intenso e constante, mas aprendi o que significa me unir à Cruz de Cristo e posso testemunhar com convicção de que Ele não me desamparou em nenhum momento, pelo contrário, me senti carregada no colo e muito amada por Ele através das manifestações de amor e de carinho por parte da família, da minha Comunidade e dos amigos. Os sofrimentos, as provações e os desafios da vida nos fazem amadurecer e nos aproximam de Deus. É verdade que aprendemos mais com as dores do que com as alegrias, já que o sofrimento gera santificação.  Ele me transformou, aprendi a ser cordeiro no Cordeiro (cf. RVESP – pg 25).

Hoje eu sei que tenho um “anjo pequenino” lá no céu, que intercede por mim e compreendo que foi necessário passar pelo Calvário para que eu estivesse pronta para receber o grande presente das Mãos do Senhor: minha filha Maria Ester!

Somente Deus sabe tudo o que se passou dentro de mim quando engravidei pela segunda vez. Abri o resultado do exame diante do Santíssimo o qual foi um grande momento de intimidade com meu Amado, depois veio uma profunda gratidão, ao escutar pela primeira vez, aquele coraçãozinho pulsando. Deus tem uma pedagogia única para trabalhar com cada pessoa e Ele nunca falha!

Vivemos, cotidianamente, situações passíveis de transformar as lutas e os desafios em oportunidades de oferta e de amor à Cristo. Talvez neste exato momento você esteja diante de uma dessas oportunidades, não deixe esta chance passar e não perca a oportunidade de se aproximar ainda mais do Bom Deus, pois eu experimentei na minha carne e posso testemunhar: Deus é Bom o tempo todo!

Lizandra Romansini 
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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