Home Artigos Pantokrator Vai se casar? A história que ninguém te conta antes

Vai se casar? A história que ninguém te conta antes

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Vai se casar? Será que ainda vale a pena? Antes de você responder a estas perguntas é preciso que reflitamos algumas coisas importantes.

Duas pessoas se encontram, se conhecem, descobrem afinidades comuns, sentem-se atraídas um pelo outro e decidem então começar a relacionar-se. Deste relacionamento nasce uma amizade e neste processo, um conhecerá o outro e se dará a conhecer por ele.

Bem, após algum tempo de amizade, ambos percebem a necessidade de estarem mais próximos. Percebem que há algo além da amizade; há uma necessidade do outro, de compartilhar momentos especiais com esta pessoa e que esta necessidade é recíproca. O outro ou a outra também te procura, deseja estar próximo de você, então ambos descobrem-se enamorados e decidem namorar. Este é um segundo passo, que possui etapas próprias que não abordarei nestas linhas.

Se este período for bem vivido, com equilíbrio e liberdade, conhecendo o outro e dando-se a conhecer, então é necessário dar mais um passo: o noivado, processo que antecede o casamento e momento de grande responsabilidade, pois o casamento é um momento único na vida de um casal. É nesta etapa que ambos decidirão dar um passo juntos e que mudará suas vidas para sempre, casar! É também nesta etapa que algumas coisas precisam ser ditas, infelizmente não abordadas na grande maioria dos encontros para noivos das paróquias (muito pelo contrário).

Casar para ser feliz?

A primeira delas é que você não se casará para ser feliz. Isso mesmo. Se você vai casar para ser feliz está cometendo um grande engano! Você está se casando para fazer o seu esposo ou esposa feliz, ainda que isso custe a sua infelicidade; entenda que é importante ter esta consciência, e, uma vez que a tenha, você evitará muito sofrimento, tanto para você quanto para seu cônjuge.

Um exemplo disso foi vivido por mim nos primeiros anos de casamento, quando, depois de trabalhar a semana inteira, no final de semana minha esposa me chamava para ir ao Shopping Center. O que eu mais queria era ficar jogado no sofá, assistir um filme… mas, para fazê-la feliz eu precisava sacrificar a minha felicidade.

O que ocorre muitas vezes e em muitos relacionamentos é que esta dimensão do sacrifício não foi vivida durante a vida; também isso não foi experimentado durante o namoro ou o noivado, ou até foi vivido, mas de maneira muito superficial, já que quando um não quer fazer algo que o outro deseja, residindo ambos em casas separadas, cada qual irá para sua casa e “vida que segue”. Dentro do matrimônio isso não pode ser vivido desta maneira, é preciso experimentar os sacrifícios diários.

Limitações

A segunda coisa que deve ser dita é que você precisará ir ao encontro da limitação do outro. Essa é a realidade e é muito importante. Você não se casará com uma pessoa perfeita; ele não é o príncipe encantado, ela não é uma princesa de conto de fadas; é uma pessoa comum, limitada e cheia de defeitos e de qualidades… então, o que você fará com esta informação? Você será responsável por ajudá-lo a corrigir seus defeitos, superar suas limitações? Podemos chamar este caminho de santidade; uma vez casados vocês serão mutuamente responsáveis por caminharem nesta busca. A realidade é que este caminho é difícil; haverá subidas, descidas, pista irregular, pisarão em campo até então desconhecido. Mas ele deve ser vivido numa perspectiva única: você não se casou para ir para o céu, você se casou para leva-la ou leva-lo para o céu.

Quero também abordar um outro ponto: no casamento não tem teste drive. Se você está vivendo em união estável ou numa segunda união, você não está vivendo sob a graça sacramental do matrimônio. É comum muitos casais que viveram anos nesta situação, após receberem o sacramento passarem a enfrentar dificuldades que antes não enfrentavam; ou seja, quando recebemos uma graça específica para viver algo, temos que ter a consciência do combate espiritual que passamos a lutar; muitos acabam, infelizmente, por se separar com a desculpa de que ele ou ela mudou depois que se casaram.

Entendam, antes vocês viviam em pecado, agora estão vivendo sob a graça, então vocês serão alvo das investidas do demônio.

Acolher os filhos que Deus lhes confiar

Por último, quero abordar a importância de serem homens e mulheres de palavra. Durante a cerimônia do matrimônio, os cônjuges prometem algo que depois acabam se esquecendo; normalmente, logo após a festa de casamento já não lembram, pode ser que sofram de “amnésia matrimonial”. Vale relembrar que ambos prometeram acolher os filhos que Deus lhes confiar, foi isso o que o sacerdote lhes perguntou e ambos responderam que SIM. O que ocorre, no entanto, é que uma vez casados são vítimas da amnésia e passam a usar métodos artificiais para evitar os filhos que Deus deseja lhes confiar; muitos passam a não querer ter filhos e alguns chegam ao extremo, não sendo incomum, de substituírem filhos por animais de estimação, chamando-os de “filhos” inclusive.

Não estou recriminando aqueles que gostam de animais, tendo por estes um sentimento de amor. Mas, colocá-los em equivalência e substituição ao amor dos filhos que o Senhor deseja confiar ao casal é a demonstração de um desequilíbrio profundo.

Então é preciso refletir, rezar, antes de decidir se casar; vivemos a cultura do provisório mas Deus não mudou, vocês prometerão amor e fidelidade todos os dias de suas vidas até que a morte os separe. Viver esta promessa é viver a santidade, caminho para céu.

Deus os abençoe!

Guilherme Granja
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

Guilherme Granja
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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