Vende tudo o que tens, depois vem e segue-Me!

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Passagem bíblica do Jovem rico

Meditando sobre o seguimento de Cristo na passagem do jovem rico, percebemos que o seu chamado pressupõe renúncias e desapego. Analisemos o que Jesus diz a este jovem: “Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. (Mt 19, 21).

Essa passagem revela muita coisa para quem se decidiu seguir Cristo. Muitas vezes, Cristo nos chama a segui-l’O e até respondemos ao seu chamado indo para onde Ele quer, mas quando estamos na caminhada, percebemos que algumas coisas estão muito pesadas, muito difíceis de viver e começamos a nos questionar. Um grande problema pode ser que queremos seguir Jesus sem vender os nossos bens, sendo que, primeiramente Ele pede, “vende teus bens, dá-os aos pobres… Depois, vem e segue-me”.

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Passagem bíblica do Jovem rico

O jovem rico até tinha uma boa intenção de querer se aprofundar mais no conhecimento de Deus e observava os mandamentos, mas lhe faltava a capacidade da “renúncia”. Ele não era capaz de deixar seus bens para seguir Cristo. Era uma pessoa apegada. Este evangelho nos revela que não basta observar a lei, é preciso algo a mais, é preciso ir mais além e isso está na capacidade de deixar nossos bens, nossos valores, nossas vontades para seguir Cristo.

Diante disso, resta-nos observar nossa vida atentamente e descobrir quais são os nossos bens aos quais estamos apegados e que nos impossibilitam de seguir Cristo em liberdade. Faz-se necessário dizer que nossos apegos, sejam eles de ordem afetiva, espiritual, material ou qualquer outra coisa, podem causar danos à nossa alma e nos impedir de experimentar a felicidade que vem de Deus e que está na sua vontade para nós.

Deus precisa ser o centro da nossa vida para que todas as coisas fiquem em ordem. Já nos dizia São João da Cruz:
“O apego fascina, isto é, acende a concupiscência e deslumbra o entendimento de modo a esconder a luz que lhe é própria. Fica obscurecido por esta luz e nada mais consegue ver. Pode fazer inúmeras mortificações, atos de piedade etc., mas não consegue crescer porque, assim como é indispensável lavrar a terra para fazê-la frutificar e, sem ser lavrada só produzirá ervas daninhas, também à alma se faz necessário o desapego, se quiser progredir na virtude”.

Se percebermos que estamos estagnados em nossa caminhada, pode ser que alguns apegos estejam nos impedindo de ir mais adiante, pois uma alma desapegada só tende a crescer na virtude. Alguns apegos são pequenos e achamos que não têm proporção nenhuma, mas, como diz São João da Cruz, “enquanto houver apego a alguma coisa, por mínima que seja, é escusado poder progredir a alma na perfeição. Pouco importa estar o pássaro amarrado por um fio grosso ou fino; desde que não se liberte, tão preso estará por um como por outro”.

É importante fazermos uma reflexão para descobrir quais são os nossos bens, os nossos apegos – por assim dizer – que percebemos que nos impedem de sermos verdadeiramente livres. Como diz São João da Cruz – que nos impedem de progredir na virtude.

A passagem do jovem rico é tão significativa que inspirou também São Francisco de Assis a elaborar sua Regra de Vida baseada no desapego aos bens e o amor aos pobres.

Que a passagem do jovem rico, o exemplo de São Francisco de Assis e o ensinamento de São João da Cruz nos ajudem e nos conduzam a vivermos as renúncias que são necessárias para estarmos mais perto de Deus e consequentemente mais livres!

Fábio Junior
Discípulo na Comunidade Pantokrator

 

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