Você acredita ou não no diabo?

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Certa vez, eu ouvi alguém dizer durante uma pregação que o maior trunfo do Diabo, nos tempos atuais, não seria o medo ou as ilusões demoníacas; por incrível que pareça, o maior trunfo deste cruel inimigo é a crença – cada vez mais popular –  de que os demônios não existem. De fato, basta pensar: o que poderia ser mais perigoso e mortal do que um inimigo agindo sem ser notado?

Neste sentido, o mundo moderno e “racionalista” acaba fornecendo um cenário muito propício para Satanás e os seus demônios. Eu já ouvi muitas “explicações” do tipo: “O Diabo é uma invenção da Idade Média, para que as pessoas obedecessem à Igreja”; ou: “A realidade do demônio e do inferno é algo criado a partir de lendas e mitos dos povos antigos”; ou ainda: “A figura do Diabo é apenas um símbolo, que significa o egoísmo e a maldade das pessoas”. A lista de “explicações” poderia se estender interminavelmente… Porém, o que isso realmente demonstra, é a incapacidade dos homens modernos de enxergarem além do puro materialismo.

MAS… DE ONDE SURGIU O DIABO? E O QUE ELE TEM CONTRA NÓS?

A Tradição Católica sempre ensinou que, antes da criação deste mundo e de toda a humanidade, Deus criou seres magníficos, belos e inteligentes, que nós chamamos de anjos. Não pense nos anjos como sendo bebezinhos rechonchudos e com um arco e flecha na mão. Ao contrário, são criaturas extraordinárias e dignas de assombro. E uma coisa precisa ficar clara: todos os anjos eram bons quando foram criados (conforme ensina o parágrafo 391 do Catecismo da Igreja Católica).

Porém, conforme nos explica Santo Tomás de Aquino, todos os anjos foram submetidos a uma prova. Assim como ocorre conosco, Deus não quis obrigar nenhum anjo a amá-Lo. Eles puderam exercer o livre-arbítrio. E é aqui que a história fica triste: um dos anjos mais belos de todos, situado em um lugar de honra na hierarquia angélica, recusou-se a continuar servindo a Deus, após ser submetido à grande prova (que nós não sabemos exatamente o que foi). Este anjo belo e inteligente se chamava Lúcifer (que, em latim, significa “Portador da Luz”) e, em sua revolta contra o criador, acabou levando consigo um terço de todos os anjos do céu (cf. Ap 12,4). Desde então, este anjo soberbo passou a ser chamado de Diabo, Satanás ou Belzebu. E os “anjos caídos” que lhe acompanharam, passaram a ser conhecidos como demônios. Foram eles que inventaram esta realidade a que nós chamamos de inferno.

Satanás e os seus demônios foram expulsos do céu e perderam a Graça de Deus para sempre. Por causa da sua soberba, estes anjos caídos sentem um ódio gigantesco pelo Criador. Como eles não podem atacar diretamente a Deus (que é infinitamente maior e mais poderoso do que qualquer das suas criaturas), os demônios voltaram o seu ódio para aqueles com quem Deus se importa: a humanidade.

Basta nós compreendermos que, por mais frágeis que sejamos, Deus nos quer habitando o céu – este mesmo céu que os demônios perderam para sempre. Ora, não é preciso fazer muito esforço para adivinhar a inveja que o Diabo sente deste privilégio que nós temos. Portanto, o objetivo destes inimigos é bem simples: já que perderam o céu, querem que também nós o percamos. Desta maneira, conseguem atingir a Deus indiretamente, já que somos criaturas amadas por Ele.

QUAL É O PODER DO DIABO? E POR QUE DEUS PERMITE A AÇÃO DELE?

Apesar de Satanás e os seus demônios serem inimigos terríveis e inteligentes, eles não podem tudo. Muito pelo contrário! O Diabo não pode nos obrigar a pecar, por exemplo. Aliás, ele não sabe o que nós guardamos lá fundo da consciência. As grandes armas do maligno são a observação e a mentira. Conforme nos recorda São Pedro, em sua primeira carta, “o vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar” (I Pd 5,8). É assim que o inimigo capta as nossas fraquezas, para utilizá-las em nosso desfavor no futuro: ele observa atentamente. Quando chega o momento oportuno, ele nos faz propostas mentirosas: geralmente oferece a “felicidade” em troca do pecado. A isso nós damos o nome de tentação.

Sim, a tentação é a prática preferida do inimigo. Não pense que o Diabo age somente em casos extraordinários de possessão ou coisas do gênero. Lembre-se: ele prefere agir escondido, sem que a pessoa saiba que está sendo influenciada. Através da tentação nós podemos cair no pecado; e é o pecado quem nos afasta de Deus e nos leva para o caminho do inferno (a grande finalidade dos demônios). E aqui eu volto a ressaltar o que disse no início do texto: se esta já é uma batalha difícil quando nós sabemos quem é o adversário e o que ele faz, imagine para aqueles que não acreditam ou ignoram a existência do maligno!

Muitos poderiam indagar: “Se Deus quer a nossa salvação, e se Ele é Todo-Poderoso, por que Ele não impede a ação e as tentações do Diabo?”. Esta é uma pergunta válida e que já foi objeto de análise de muitos teólogos. Porém, seja qual for a melhor resposta a este mistério, o que nós precisamos ter em mente é o seguinte: Deus não permitiria que o mal acontecesse se não houvesse um bem maior a ser tirado deste mal. É bem verdade que os sofrimentos são ruins – e não estavam no plano original da Criação –, mas Deus os permite por saber que podemos usar isso para a nossa salvação. É verdade que as tentações são perigosas, mas foi vencendo as tentações que os santos adquiriram um imenso grau de amor e de glória! Deus não nos colocaria em uma briga que nós não conseguiríamos vencer.

O QUE POSSO FAZER PARA ME PROTEGER DO DIABO E GANHAR O CEÚ?

A vitória já foi alcançada pela cruz do Senhor Jesus; basta que nós tomemos posse desta vitória. Não pense que você está em um campo de batalha desarmado e totalmente exposto às forças inimigas. Deus combate em nosso favor e nos dá inúmeras armas para assegurarmos o céu para nós e para os nossos irmãos.

A primeira coisa que devemos fazer é desmascarar o nosso inimigo e as suas táticas imundas. Conforme dito anteriormente, o grande trunfo do Diabo é agir sorrateiramente, em um mundo que já não crê mais na sua existência. Precisamos fazer justamente o contrário! Não significa, evidentemente, que tenhamos que fazer propaganda do inimigo; o que precisamos é demonstrar que estamos sob ataque, mas que estamos do lado vitorioso, pois “quem é como Deus?”.

Tendo a consciência desta batalha, devemos nos apegar muito aos sacramentos, especialmente à comunhão e à confissão frequentes. Através da vida sacramental e de oração, nos colocamos em união íntima com o nosso Senhor e crescemos em estatura espiritual. São João da Cruz vem nos lembrar: “O demônio teme a alma unida a Deus como teme ao próprio Deus”.

Algumas devoções em particular também podem nos ajudar muito nesta batalha, como por exemplo a devoção ao nosso anjo da guarda (que nos foi dado, justamente, para servir de apoio da luta espiritual) ou orações a São Miguel Arcanjo – que, segundo a Tradição, foi quem varreu do céu todos os anjos rebeldes. Santa Teresa D’Ávila nos recorda, também, sobre a importante eficácia da água benta.

Porém, se queres uma aliada indispensável nesta luta, se encomende aos cuidados da Virgem Santíssima. É ela a Nova Eva que esmaga a cabeça da velha serpente (cf. Gn 3,15). Muitos santos e teólogos afirmam que o Diabo odeia mais Nossa Senhora do que ao próprio Deus, já que ela é o oposto dele: enquanto o maligno se rebelou, a Virgem se submeteu.

Enquanto Satanás gritou o seu “não servirei”, a Mãe de Jesus afirmou o seu “faça-se em mim segundo à Tua palavra”; enquanto ele perdeu para sempre o seu lugar no céu, ela foi coroada como a Rainha dos Anjos! Portanto, se quisermos fugir à influência do grande “quebrador de promessas”, basta imitarmos às virtudes da grande Mãe da Igreja. Não é à toa que São Padre Pio chamava de “arma” o seu pequeno terço.

A verdade é que nós estamos lutando a guerra decisiva e temos a opção de escolher o lado que já é vitorioso (o lado da Cruz!). E a coroa da vitória nada mais é do que a felicidade eterna. Que nós possamos, com a graça de Deus e o amparo de Nossa Senhora, resistir às ciladas do Diabo e abraçar um verdadeiro propósito de santidade.

Deus nos abençoe sempre!

Rafael Aguilar Libório
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator

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