Você está fugindo de Deus ou para Deus?

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Nas situações que te surpreendem, você esta fugindo de Deus ou correndo ao seu encontro sabendo que Ele tem o melhor para você?

Muitas vezes somos surpreendidos por situações que não queremos enfrentar, temos medo de viver e – seja por orgulho ou insegurança – medo da cruz e do sacrifício. Seja pelo ao apego ao bem-estar, à autoimagem, à família, aos hábitos, ao querer e à vontade, fugimos! Mas nós temos fugido de Deus ou estamos indo ao seu encontro sabendo que Ele tem o melhor para nós? Às vezes, caminhamos no sentido contrário da Vontade de Deus. No orgulho de não aceitar nossas misérias, vivemos um combate no qual o maligno nos desgasta, não sobrando forças para lutar pela santidade no cotidiano, de forma que somos aprisionados pela angústia e tristeza. A solução, então, é fugir. E fugir nos deixa agressivos quando não acertamos, passamos a agir com descaso com relação ao que não conseguimos fazer e a começam as justificativas permeadas pela autopiedade. É aí que o inimigo nos pega. Precisamos sair do nosso drama, do melindre, porque isso nos desgasta e gera secura.

De fato, quando fugimos, vivemos nos esquivando e perdemos a paz, mas Deus quer muito trazer o descanso, que traz inteireza e felicidade para quem corre ao Seu encontro e se entrega totalmente a Ele. Através da pequenez podemos descansar na dependência de Deus, o descanso de quem está bem com o Senhor e sair da tensão, do fechamento à graça para entrar no abandono total nos braços do Pai.

fugindo

Você precisa confiar na bondade e misericórdia de Deus que te acolhe em suas fugas!

De quais combates e martírios você está fugindo? Do que você foge na vivência do amor por Jesus? O que você poderia dar e não está dando? Que amor você não está doando?

A exemplo do apóstolo Pedro, podemos contemplar em nós diversos âmbitos dentro do nosso desejo de entrega da vida a Deus: a humanidade, o chamado, a graça e o pecado. E da mesma forma, podemos contemplar também em nós a fidelidade do Senhor mesmo em nossas inconstâncias. Embora Pedro já tivesse recebido a graça, continuava humano a tal ponto de ser causa de escândalo para o Senhor. Mas Simão é Pedro não por causa de uma humanidade privilegiada, mas simplesmente pela escolha e graça de Deus. E Jesus chama você assim como chamou a Pedro apesar de suas misérias, porque tudo é graça de Deus. Jesus fixa Seu olhar em você e lhe diz: “Não fuja! Eu estou com você e te amo”.

Pedro começa no entusiasmo, anda sobre as águas, mas termina no fato: ele é submergido pela água. Ao olhar para ela, o apóstolo se vê ameaçado pois não teve suficientemente madura para enfrentar a difícil realidade. A fé se concretiza nos fatos da vida.

De fato, ela sem obras é morta, é preciso deixar que a nossa fé em Deus nos leve a transcender os desafios, os fatos da vida e gere uma nova realidade de conversão, amor e felicidade. É preciso saber lidar com os fatos, com o que somos, os contratempos, os medos, as misérias, os pecados sob o olhar da crença, sem fugir de Deus. A fé nos leva a transcender os fatos em realidades de santidade.

Pedro chama Jesus quando afunda e nós devemos fazer essa experiência quando afundamos nas crises, pecados e sentimos vontade de fugir. O apóstolo, por mais que tenha se perdido e sido vencido pelo fato da água não o sustentar, tem um nome a clamar, Ele tem fé em Jesus Cristo e assim também nós devemos gritar pelo nome do Senhor e pedir que o Espírito Santo renove e amadureça a nossa fé para nos fazer livres para viver a vontade de Deus.

É momento de analisar os desencontros entre os objetivos que achamos que Deus quer de nós e o que nós conseguimos viver. Esses desencontros que geram falta de confiança e até desprezo de nós mesmos por nos vermos incapazes de seguir Jesus, de fazer Sua vontade, são de onde surgem a autoacusação, que é uma ação do maligno para nos roubar a dignidade.

É preciso deixar que a nossa aflição se encontre com a verdade de Jesus para nós, na certeza que Ele acolhe o amor que nós podemos dar, contanto que seja realmente amor. Jesus quer a “oferta da viúva”, o nosso pouco, mas o pouco decidido por Ele. Não importa que seja a quantidade, desde que seja o tudo que nós temos para dar.

Jesus espera o nosso amor limitado pelas misérias, mas entregue a Ele de coração sincero. Ele espera a nossa decisão, mas perdoa quando O negamos com nossos pecados. No entanto, se encontrarmos a nossa verdade com a verdade de Cristo para nós, então descobriremos o quanto somos pequenos e dependentes, mas também amados. Daí surge o nosso abandono à vontade Divina de Jesus que hoje nos diz: “apascenta as minhas ovelhas” e por esse abandono, a graça de Deus operará em nossos corações.

Jesus se abaixa a Pedro, o acolhe em sua pequena estatura espiritual e humana para levantá-lo e deixá-lo fazer coisas que jamais imaginou conseguir fazer. Deus quer a nossa
santidade, o caminho que nunca pensamos poder trilhar, mas hoje Ele nos pede o que podemos dar: a nossa decisão por ser santo! E, de fato, para ser santo, é preciso receber e experimentar a misericórdia de Deus.

No Salmo 138 Davi canta ao Senhor: “Vós me perscrutais e me conheceis, sabeis tudo de mim, quando me sento ou me levanto. De longe penetrais meus pensamentos. Quando ando e quando repouso, vós me vedes, observais todos os meus passos. A palavra ainda não me chegou à língua, e já, Senhor, a conheceis toda. Vós me cercais por trás e pela frente, e estendeis sobre mim a vossa mão. Conhecimento assim maravilhoso me ultrapassa, ele é tão sublime que não posso atingi-lo. Para onde irei, longe de vosso Espírito? Para onde fugir, apartado de vosso olhar?”

É tempo de refletir sobre isso, sobre a disposição de dar tudo para Deus! Se Deus acolhe a sua vida e o seu coração, Ele quer a totalidade daquilo que você é, Ele quer ser sempre o teu primeiro refúgio em tudo!

Gabriela da Silva 
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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