Você tem medo de mudanças?

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Tem gente que não gosta de seu emprego, mas recusa quando há oportunidade de mudar. Tem gente que sonha grande, mas foge quando pode fazer o sonho se tornar real. Tem gente que até está satisfeito com tudo que tem, mas quando a chance de ganhar algo diferente surge, prefere não arriscar. As mudanças e os medos, um dilema eterno da nossa existência. Já parou para pensar quão fundo o medo pode nos levar? Esses exemplos podem ser muito grotescos de certa forma, claro que não é assim que acontece com todo mundo, mas pense bem nas coisas menores que já aconteceram em sua vida.

Quando Deus te pede uma nova fase, como reage seu coração? Quantas vezes você já se encontrou paralisado diante de uma mudança brusca ou até mesmo sutil proposta pelo Senhor? Sejamos honestos! Quem nunca considerou todas as possibilidades diante do novo e se encontrou inquieto por sua insegurança? Infelizmente, nós caímos muito facilmente na paralisia do medo, mas o que não temos noção é que com isso estamos perdendo algo muito maior do que podemos imaginar.

Eu falo por mim mesma! O Senhor sabe da minha terrível facilidade de me apegar nas situações do jeito que estão, assim como do meu péssimo defeito em não saber lidar quando uma ideia nova adentra meu mundinho controlado. É por isso que essa é a maior estratégia pedagógica de Deus em minha vida: Ele move meu crescimento através de mudanças e me pega de surpresa em todas as vezes. Deus não poupa Sua criatividade quando quer me causar reviravoltas, mas é somente assim que Ele pode me tirar de mim e me fazer dar passos. Afinal, todos nós sabemos como é fácil estagnar num ponto e se enraizar por lá.

Acontece que as mudanças nunca vêm sozinhas, elas despertam muitas reações dentro de nós e é aqui onde nascem todos os problemas. Primeiramente, é necessário adaptação, esforço, desgaste psicológico, emocional e espiritual. Em segundo lugar, há o desejo do controle. Não queremos que Deus mexa muito, nem mude muito. Não queremos não saber o que vai acontecer. Não queremos arriscar. Não queremos nem sequer passar pela adaptação, porque deixar o velho dói, acolher o desconhecido é abraçar a incerteza e a mistura dos dois fatores é aterrorizante.

O velho e o medo

Deixar o velho nunca é fácil. Somos pessoas apegadas, criamos laços com os ambientes, com as pessoas e com os contextos. Não é fácil deixar alguém, um lugar, um apostolado, um estilo de vida. São coisas lícitas, são coisas boas! Mas precisamos nos lembrar que, acima de tudo isso, são coisas de Deus e não nossas. Deus nos dá graças por um tempo, dons por um tempo, situações por um tempo. Somos apenas seus servos e se não somos mais úteis ao Senhor aqui, que sejamos lá. Essa é a verdadeira pobreza! Não é errado amar o velho, mas vale a pena perder para ganhar mais. Estarmos aterrorizados com a perda do velho significa que, de certo modo, não saberemos viver sem ele. Se o antigo te causa dependência, se você está condicionado a ele, acredite que o Senhor usará das mudanças para curar teu coração e purificar a sua entrega.

A mudança e o medo

As mudanças podem ser muito educadoras. De forma prática elas nos formam com sabedoria ao desapego das nossas certezas e ao apego somente à única constante de nossas vidas: Cristo! As mudanças nos lembram de que tudo passa, menos Cristo. De que nada terreno é verdadeiramente nosso, somente as coisas do Alto. Da maneira mais eficaz possível ela nos ensina a nos apegarmos apenas no que não passa e nada mais. E como temos medo de ter somente a Cristo! Falando dessa forma soa triste e ilógico, mas é a mais pura realidade.

Felizmente, em sua infinita misericórdia, na experiência de se entregar nas mudanças o Senhor nos faz testemunhar todos os dias o quanto é Ele que nos sustenta e que cuida de todos os detalhes. E posso garantir que essa é uma das experiências mais profundas que se pode ter. O sustento de Deus é promessa para nós, e precisamos tomar posse dela: “Mas tu, Israel, meu servo, Jacó que escolhi, raça de Abraão, meu amigo, tu, que eu trouxe dos confins da terra, e que fiz vir do fim do mundo, e a quem eu disse: “Tu és meu servo, eu te escolhi, e não te rejeitei”; nada temas, porque estou contigo, não lances olhares desesperados, pois eu sou teu Deus; eu te fortaleço e venho em teu socorro, eu te amparo com minha destra vitoriosa.” (Is 41, 8:10).

O desconhecido e o medo

Também temos medo do que não conhecemos, quase como um instinto animal. Medo de dar passos e não enxergar o que há à frente. Medo de arriscar em algo que não sabemos se teremos retornos positivos. Sentimos insegurança, mas precisamos nos lembrar de que tudo o que amamos nos foi desconhecido um dia. Se soubéssemos a quantidade de maravilhas que abrimos mão cada vez que deixamos de arriscar por medo, nunca mais ousaríamos ser tão tolos em cometer o mesmo erro.

Muitas vezes não escolhemos as mudanças, Deus escolhe por nós. Embora às vezes Ele nos permita decidir, a verdade é que não importa realmente a maneira como entramos no novo, pois a verdade sempre será uma: nós sentiremos medo. É humano, é natural. No entanto, tenho boas notícias: existe sim uma escolha que cabe a nós! Podemos escolher entre ficarmos paralisados pelo medo e acabarmos aprisionados em frustração, ou dar passos com ele e descobrir as maravilhas que nos esperam.

Quando escolhemos a segunda opção, é fundamental buscar o refúgio no Senhor, afinal, encarar o medo é doloroso como todos os crescimentos. Contudo, a dor é essencial. Ela nos purifica, ela abre nossos olhos, ela nos adentra no mistério. Não podemos querer fugir dela. Ela não é um empecilho, é parte do plano. E assim como o medo, nós também escolhemos o que fazer com a dor! Podemos tomá-la para si e sofrer, afundando em nossos dramas e bloqueando a Graça de acontecer; ou podemos lidar com ela de cabeça erguida, como aqueles que confiam que ela nos aproximará mais daquilo que Deus deseja de nós.

E enfim, quando toda a inquietação acabar, quando o medo não estiver mais lá e quando o novo não for mais novo… não se preocupe, pois nunca sabemos qual é a próxima aventura que o Senhor preparará para nós! Rezemos para que tenhamos coragem, pois já experimentei disso e posso garanti-los: quanto mais darmos passos cruzando os nossos medos, mais nós descobriremos a Realeza do Senhor.

Giovana Cardoso
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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