Quando a vontade de desistir é maior do que tudo

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desistir

Conversando, certo dia, com uma criança de 11 anos, perguntei se desistia fácil das atividades. Disse que sim; com isso, perguntei qual seriam os motivos. Respondeu-me que era devido ao erro; quando errava, desistia e não fazia de novo. Perguntei caso tivesse uma pessoa que lhe ajudasse, quando errasse, o que faria. Disse-me que não desistiria. Agradeci a criança e disse que me ajudou a não desistir deste texto.

São inúmeros os motivos que nos fazem desistir: medo, frustração, falta de oportunidade, tragédias pessoais ou sociais, incapacidades, limites, preguiça, falta de manejo pessoal a conflitos, entre outros.

Somos marcados por uma exigência violenta para ter acertos em nossas escolhas, em nossas atividades, em nossas vidas, isto, muitas vezes, podendo gerar até mesmo problemas mais sérios nas áreas emocionais e psíquicas. Somos uma geração que não tolera a frustração – na qual as falhas e os erros são descartados, o fracasso é uma falência – sendo que ela poderia ser integrada como parte de um processo maior ligada a nossa busca de ser.

…o texto continua após imagem…

Outra marca desse tempo é a solidão, estamos sempre rodeados de pessoas, mas, sentimo-nos sozinhos. Relacionamo-nos com muitas pessoas, até mesmo quando estão distantes, graças às redes sociais, porém, reina uma sensação de solidão.

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A vivência da fé e a experiência de Deus nos apresentam uma solução para esses dilemas da atualidade. Uma solução tão antiga, porém, cada vez mais nova. “Conhece-te a ti mesmo!”, mas, um conhecer a partir de Deus. Em Oséias 4,6, a Palavra nos diz: “Meu povo perece por falta de conhecimento”.  Esse trecho sinaliza que a ruína de um povo está ligada a falta de conhecer a Deus.  Este termo “conhecer” remete à intimidade, a um conhecimento profundo, uma união de amor; entre aquele que ama e aquele que é amado.

Portanto, a experiência com Deus gera em mim dois movimentos: quanto mais conheço a Deus, percebo Sua ação em minha vida e entro em relação e intimidade, mais me conheço intimamente. Entro em contato com meus limites, fraquezas e misérias, que é a condição da humanidade após o pecado original. Porém, pela vitória em Cristo, tenho acesso às minhas potências, qualidades e virtudes. Assim, posso lutar contra tudo aquilo que me arranca de Deus e, consequentemente, de mim mesmo.

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Conhecendo a mim mesmo, a partir do olhar misericordioso de Deus, encontrarei o que Ele quer de mim. Encontrando a vontade de Deus e fazendo a Sua vontade, realizo-me, sou o que nasci para ser. Com a certeza da presença de Deus e de Seu amor por mim, mesmo que esteja só neste mundo, não me sentirei sozinho, mas, unido a Deus. Levado pela vontade de Deus não desisto do que devo fazer, tenho força humana e da Sua graça para enfrentar os desafios e as dificuldades que se levantam em meio àquilo que deve ser feito.

Deus torna-se para mim essa companhia é a Pessoa que a criança precisava para não desistir, esse apoio e ajuda para continuar. Assim, mesmo errando, frustrado, com medo, com inúmeras dúvidas, permaneço naquilo que sei que é vontade de Deus e que é o melhor para mim.

Júlio Della Torre
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator 

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