Monsenhor Guido Marini fala sobre a nova cerimônia de criação dos cardeais

0

Daqui a uma semana o Papa Bento XVI criará no quarto consistório de seu pontificado 21 novos cardeais. O 22º dos nomeados, Padre Becker, será criado cardeal em um outro momento por motivos de saúde. A cerimônia, que por si só não é muito conhecida, trará uma mudança, a do momento da criação e algumas modificações nas orações que foram divulgadas pelo jornal vaticano L’Osservatore Romano, em 8 de janeiro passado. Sobre o novo rito e sobre a cerimônia em si a Gaudium Press falou com o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, Monsenhor Guido Marini.

GP – Monsenhor Marini qual é o motivo desta mudança? O que muda no essencial da cerimônia?

Monsenhor Guido Marini – A mudança um pouco mais significativa é ter sido mudado o dia do rito da entrega do anel, passando da Missa do domingo para o sábado, visto que a entrega do anel por si só é parte do Consistório, da criação cardinalícia. Então, é preferível unificar todos os gestos do rito, próprios do consistório, na cerimônia do sábado. Essa é a mudança mais significativa, deixando que a concelebração do domingo seja uma celebração de novos cardeais pelo Papa em agradecimento pelo consistório realizado. Na cerimônia de sábado houve também uma simplificação. Será um pouquinho mais breve, justamente porque não se trata de uma celebração litúrgica em sentido exato, mas de um rito dentro de um momento de oração. Foram também modificadas duas das orações previstas, as que haviam sido introduzidas nos últimos anos eram orações completamente novas. Preferiu-se retomar duas orações muito antigas que remontam ao Sacramentário veronês porque são muito ricas do ponto de vista teológico e do conteúdo, e pareciam muito mais apropriadas ao rito do consistório.

GP – De qual século são essas antigas orações?

Mons. Guido Marini – São muito antigas, por volta de 1200 e 1300 com a publicação, mas o original é ainda mais antigo, chegamos até os séculos precedentes, a 1000.

GP – Qual rito estava em vigor até agora?

Mons. Guido Marini – O rito que até agora estava em vigor era o que foi introduzido por Paulo VI depois do Concílio Vaticano II em 1969. Naquela época, o rito de consistório que antes de si era um rito muito simples, porque não era em um contexto de oração, foi inserido em um contexto de oração, justamente como é agora. Depois disso, durante os anos foram feitas algumas modificações, mas não particularmente grandes, que chegaram até o rito de agora. Agora essas pequenas modificações que foram introduzidas se colocam nesta relação de desenvolvimento em continuidade com o rito de Paulo VI.

GP – Como será agora o desenrolar do momento central do consistório?

Mons. Guido Marini – O consistório como acontece sempre, isto é, no momento em que o Papa, depois da profissão de fé e do juramento por parte dos novos cardeais, entrega a eles em sequência o barrete, depois o anel e então o título cardinalício verdadeiro – a bula que contém o título atribuído a cada cardeal. Depois do momento da entrega há o abraço de paz com os outros cardeais e então o ingresso também visível no Colégio Cardinalício.

GP – Qual é o significado do barrete, do anel e do título?

Mons. Guido Marini – O barrete com a cor vermelha tem um significado de lembrar esta disponibilidade dos cardeais de servir o Senhor, a Igreja e o Papa até doar a própria vida. Portanto, difusão do sangue.

O anel tem o sentido de lembrar a união do cardeal em relação à Igreja, sua esposa, portanto uma comunhão, uma união profunda entre o cardeal e a Igreja. O título, por sua vez, é um elemento que liga cada cardeal à Diocese de Roma, visto que tornando-se titular de uma Igreja de Roma, de alguma maneira entram para fazer parte do clero romano.

GP – Alguma coisa mudará também no rito de posse da igreja titular?

Mons. Guido Marini – Não há mudanças, permanece tudo como sempre foi.

GP – Como se deve entender o termo “a criação” que pode parecer um pouco estranho no contexto litúrgico?

Mons. Guido Marini – Tradicionalmente se usa este termo para dizer que no rito do consistório o Papa ao impor o barrete cardinalício, torna cardeal aqueles bispos que ele já havia de alguma maneira oficialmente nomeado, eleito cardeal. Portanto o termo “criação” é usado para indicar o fato que com aquele momento e com aquele rito o Papa torna efetivamente cardeal um bispo ou um outro membro ministro da Igreja.

Gaudium Press

Deixe uma resposta

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, insira seu nome aqui.