A violência como diversão ou a diversão como subversão?

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O que dizer de um jogo de videogame que bate todos os recordes de venda como, por exemplo, a incrível marca de 3,6 milhões de cópias originais vendidas em apenas 24 horas só nos EUA, faturando nada menos de 500 milhões de dólares? É importante lembrar que hoje em dia é fácil comprar cópias falsificadas ou até baixar direto da internet. Estamos falando do atual “arrasa quarteirão do entretenimento” GTA (Grand Theft Auto IV), que traduzido quer dizer “Grande roubo de automóveis”, que beleza, não?!
“Papai, é só um jogo”, explica o garoto de seis anos ao pai, que, preocupado com o conteúdo violento do GTA, resolveu se aproximar e assistir à seqüência de crimes “cometidos” pelo filho. Segundo o pai, a resposta do filho teve um tom “tranqüilizador”. “Se ele pensa que é só um jogo e, na vida real, continua tratando as pessoas com respeito, é amável, não vejo problema. Os jogos violentos acabam atraindo mais a atenção das crianças”, afirmou. Se o pai achou essa resposta tranqüilizadora, não quero nem imaginar o que seu filósofo mirim pensa que é ser violento.

O mais “pedagógico” desse jogo é que roubar carros é um dos crimes mais leves que você pode cometer, com o objetivo de assaltar, atropelar velhinhas, assassinar pessoas das formas mais cruéis possíveis, roubar bancos. Também ensina algumas técnicas de vandalismo, brigas de gangues e confrontos com a polícia; e agora tem uma versão em que também é possível manter relação sexual com as personagens do jogo além de poder ver danças eróticas com prostitutas. E você ainda pode dirigir bêbado e ganhar pontos extras se no caminho atropelar algumas pessoas. Para quem acha que é um exagero isso que foi relatado, vale lembrar que esse jogo possui 10.000 possibilidades de coisas para fazer e é possível ficar mais de 15 horas sem parar de jogar.
Alguns recentes relatos dos usuários desse jogo falam por si: três adolescentes da Geórgia, nos Estados Unidos, dizem ter melhorado suas técnicas para fabricação de explosivos por meio do game GTA (Grand Theft Auto). Eles foram presos em razão de fazer ataques a carros usando coquetéis molotov. Os produtores se defendem dizendo que os explosivos incendiários em questão já vêm prontos no jogo e que não ensina a fazê-lo. Nossa, que alívio! Como se no mundo de hoje não houvesse ferramentas de pesquisa instantâneas para descobrir isso e colocar em prática o que aprendeu no inocente joguinho.
No começo de agosto, um distribuidor tailandês de videogames suspendeu as vendas do GTA, após um adolescente confessar o assalto e homicídio de um motorista de táxi em uma tentativa de recriar uma cena do jogo. Mas é claro que é só entretenimento!
Outro jogo que está na moda entre os jovens é o “Bully” (Valentão), que também é conhecido como “Canis Canem Edit” (Cão come cão!). O argumento do jogo é o seguinte: o personagem principal é Jimmy, um adolescente que é lançado em um colégio interno pela mãe que saiu em lua de mel com o 5° marido e não quer que o garoto encrenqueiro atrapalhe. Um início bem romântico. Então, você tem que sobreviver na escola, que é um ambiente hostil em meio a brigas, vandalismo, rebeldia e muita aula cabulada. É preciso humilhar os alunos mais fracos, brigar com os outros, fugir dos monitores e do diretor. Não há possibilidade de avançar no jogo sendo pacífico.
Não é nem preciso dizer que esse jogo é da mesma produtora do GTA e mantém o mesmo estilo “sandbox”, expressão que quer dizer “caixa de areia”, que no mundo dos games significa que não é preciso seguir um roteiro, ou seja, você está em um mundo onde não é preciso respeitar normas ou regras; é fazer o que bem entender. Comecei até a sentir saudades do Super Mário!
Esse jogo foi proibido no Brasil, mas basta navegar um pouquinho na internet para ver que, apesar de proibida a importação e venda, o comércio deste game está mais vivo do que nunca.
A nossa preocupação deve ser grande porque hoje no Brasil o “Bullying” é uma realidade e já preocupa nossas autoridades, que estão tentando fazer o possível para acabar com essa prática, mas o interessante é pensar que por diversas vezes as grandes idéias estão surgindo em nossas casas fomentadas por algo que deveria trazer diversão.
Um mês atrás, um jovem morreu devido a complicações causadas por um traumatismo craniano, causado em uma “brincadeira” de bater em sua cabeça porque havia cortado o cabelo, tudo isso dentro da sala de aula!
Entende-se por BULLYING todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio de poder são as características essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima.
Diversos pesquisadores em todo o mundo têm direcionado seus estudos para esse fenômeno que toma aspectos preocupantes, tanto pelo seu crescimento, quanto por atingir faixas etárias cada vez mais baixas, relativas aos primeiros anos de escolaridade. Dados recentes apontam no sentido da sua disseminação por todas as classes sociais e uma tendência para um aumento rápido desse comportamento com o avanço da idade, da infância à adolescência.
No estudo realizado pela ABRAPIA, 40,5% dos 5785 alunos de 5ª a 8ª séries participantes admitiram estar diretamente envolvidos em atos agressivos na escola. Que todas as coisas do cotidiano possam ser boas desculpas para unir nossas famílias em uma convivência saudável, de conhecimento mútuo e confiança, principalmente o entretenimento, pois falhamos quando presenteamos nossos filhos com a intenção de que eles simplesmente nos deixem em paz, pecando assim, por uma completa omissão.
Não colocamos filhos no mundo; na verdade, Deus nos confia vidas valiosas e espera de nós zelo e proteção para que não sejam engolidos pelos “cães” do mundo.
E você? Você sabe os jogos preferidos do seu filho ou filha? Já navegou na internet com eles? Já ganhou e perdeu para eles nos jogos preferidos? Viver isso não é tempo que se perde, não é super proteção, é partilhar de um mundo em que eles vivem e esperam que nós estejamos por perto sempre, para ajudá-los a escolher as melhores opções. Que a Sagrada Família de Nazaré esteja por perto quando, como pais, não soubermos o que fazer para colocar nossas crianças nos caminhos de Deus!

Luiz Moreira dos Anjos Júnior
Consagrado na Comunidade Católica Pantokrator

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