Como cultivar um relacionamento com o Espírito de Deus

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Estão claras as palavras de Jesus e toda a história do povo de Deus na bíblia: Deus quer ser amigo do Homem! É incrível isso, mas é verdade. O livro do Gênesis nos fala de uma intimidade, de um relacionamento entre Deus e o Homem antes do pecado original e a expulsão do Paraíso. Talvez o detalhe mais revelador do texto é: “Eles ouviram os passos de Deus que passeava no jardim” (Gn 3,8). Somente um amigo íntimo é capaz de reconhecer alguém pelos seus passos. Gosto de dizer que, em minha casa, sei quem está chegando pelo jeito de mover as chaves e abrir a porta.

“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai” (Jo 15,14).

Porém, o grande mal do pecado é causar uma ruptura nessa amizade entre Deus e o homem. De fato, o relato bíblico descreve essa ruptura com o gesto veemente de Deus em retirar Adão e Eva do Paraíso: Deus os expulsa da Sua presença e da Sua amizade. Contudo, Deus, tão ávido de nossa amizade, por puro amor gratuito, através da morte e ressurreição de Seu Filho, resgata essa amizade nos dando de Seu Espírito. Nisso consiste a salvação: sermos resgatados para a amizade de Deus por meio daquele que é Deus mesmo, em Seu amor, e passa a habitar no coração do Homem. Agora a intimidade de Deus está em nossa intimidade. Isso é maravilhoso!

Como cultivar um relacionamento com o Espírito de Deus

Esse dom da Inabitação de Deus na alma nos é dado pelo batismo porque nele recebemos o Espírito de Deus. Tudo bem, mas e aí, o que eu faço? Então, agora é preciso começar um relacionamento de amizade com Deus que está dentro de você. Do contrário, embora tão próximos, esse amigo será estranho a você.

Como cultivar o relacionamento?

Para se cultivar essa amizade é preciso algumas coisas:

  • Viver um diálogo diário e íntimo com o Espírito Santo que habita em você, e isso se dá pela oração: colóquio interior com Deus. Para tanto, é preciso silêncio interior e insistência. Os mestres espirituais nos dão pistas para a oração, mas na verdade, aprende-se rezar rezando. A oração nasce de um momento do dia em que você para com tudo e fala somente com Deus. Todavia, ela, como um rio, perpassará seu dia, com as pequenas falas de Deus manifestadas nos pequenos sinais do cotidiano, e então, esse rio dará vida por onde passar até desaguar no oceano de sua alma no descanso noturno;
  • “Eu Sou o Pão da vida” (Jo 6,35). Nesse relacionamento com Deus a Eucaristia é a via privilegiada, pois nela Jesus está presente de forma Real: “corpo, sangue, alma e divindade”. A adoração eucarística, mas especialmente a participação na Santa Missa, são os momentos mais sensíveis e poderosos da intimidade com Deus. O momento mais rico é a Comunhão Eucarística, contudo, aqueles instantes após a comunhão são preciosos. Acredito que um dos erros mais comuns e grave entre os católicos é não dar valor a esse momento, distraindo-se com tantas coisas, até mesmo com os “avisos paroquiais” feitos sem respeitar um tempo de intimidade dos fiéis. Talvez aqui esteja a “mina do tesouro” que lhe falte;
  • É preciso conhecer o amigo para realmente firmar um relacionamento verdadeiro com ele. Assim é com Deus. E o melhor, Ele já se deu a conhecer por tudo que Ele nos falou na Antiga e Nova Aliança, de modo especial através de Jesus que “dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai” (Jo 15,14). E tudo que Ele nos falou é guardado e revelado na “Igreja, coluna e sustentáculo da verdade”. De forma especial, a Bíblia é a forma privilegiada de conhecer os pensamentos de Deus. Por isso, se você quer ser amigo de Deus, leia, estude e reze com a bíblia, com a vida dos santos, os ensinamentos da Igreja, e aí” conhecereis a verdade e ela vos libertará” (Jo 8,32);
  • “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí eu estou no meio deles” (Mt 18,20). A Vivência Comunitária é uma maneira especial de conhecimento de Deus e isso se dá de forma muito prática por dois mecanismos: O dom do meu irmão, o Deus nele, revela coisas do Deus em mim que sozinho eu não seria capaz conhecer; as minhas misérias ecoadas na vida do meu irmão e as dele na minha vida, revelam passos a alcançar na amizade de Deus que sozinho permaneceriam ocultos a mim;
  • A Missão também é uma forma de fortalecer a amizade com Deus. Deus é amor e, somente sendo amor nEle e com Ele, vivendo o Dom de si na evangelização, nas obras de misericórdia e em todas as ocasiões de amor, é que conhecerás a Deus, porque “quem ama conhece a Deus” (Cf. I João 4,6-8);
  • Por fim, na misericórdia de Deus conhecemos o mais belo de Deus! Por isso, nós os pecadores, temos a oportunidade de um relacionamento peculiar com Deus no arrependimento dos nossos pecados. Diz Santo Agostinho que: “bendito pecado que mereceu tamanha misericórdia”. O pecado e nosso arrependimento verdadeiro é uma oportunidade de amizade com Deus. Para isso temos o sacramento da confissão, onde essa relação de arrependimento e perdão não é subjetiva, porém, sensível e eficaz pela virtude do sacramento.

O impossível de um Deus querer ser teu amigo Ele provou nos dando Seu Espírito. O movimento de amor e amizade de Deus é perene: “Deus é mais íntimo de mim que a mim mesmo” S.J. da Cruz. Só falta o seu movimento que deverá ser realizado dia a dia, construindo a cada tijolo, o edifício da amizade com Aquele que é o amigo da sua alma.

André Luis Botelho de Andrade
Fundador e Moderador Geral da Comunidade Católica Pantokrator

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