Pio XII – e o silêncio que salva!

0

Quando pensamos na segunda Guerra Mundial, muitas imagens vêm à cabeça, de sofrimento, crueldade, loucura, os campos de concentração, homens, mulheres e crianças sofrendo torturas e sendo brutalmente assassinados. Chega a ser desesperador imaginar o que na realidade aconteceu. Muitos não têm coragem de ver sequer um filme sobre esse período.

Imagine o que é viver este período sendo o chefe da Igreja Católica?! Um pequeno deslize e toda a Igreja e os próprios judeus sofreriam as conseqüências… O próprio Pio XII, que, em 2 de junho de 1943, publicamente expressou que toda palavra que dirigisse – para mitigar o sofrimento do povo judeu, melhorar suas condições morais e jurídicas etc – “às autoridades competentes e toda alusão pública” devia ser ponderada e medida seriamente “em interesse dos que estavam sofrendo, para não tornar, sem querer, mais grave e insuportável sua situação”. Essa foi a missão que o “Senhor dos Exércitos”confiou a Pio XII.
Durante a guerra, estima-se que aproximadamente seis milhões de judeus foram assassinados, nos campos de concentração. Neste período, graças à estratégia de guerra de Pio XII, foram salvas aproximadamente um milhão de vidas judias (cálculo realizado por Pinchas Lapide, teólogo, escritor e historiador judeu).
Da silenciosa estratégia do Sumo Pontífice, constam diversos pedidos para que se evitasse a deportação dos judeus, outros vários pedidos de acolhida para países longe da guerra, inclusive o Brasil, que chegou a acolher 3 mil refugiados a pedido do Papa e 800 vistos para a República Dominicana, entre outros pedidos silenciosos, muitos deles em telegramas cifrados, sem falar das inúmeras certidões de Batismo falsificadas para que estes conseguissem sair da Europa. Aqueles que não conseguiam sair, o Santo Padre ordenou que os mosteiros abrissem as portas e acolhessem a todos quantos fosse possível.
Este era o amor de Cristo pela humanidade personificado nas ações silenciosas do Papa, tanto amor que o Grão-Rabino de Roma, Israele Zolli, converteu-se ao Catolicismo, ao ver tanta dedicação do Papa em salvar judeus, ao ver inúmeros judeus sendo empregados no Vaticano para que não caíssem nas mãos dos nazistas, ao ver o Papa tirando o ouro de seus próprios cofres para ajudar os judeus a pagarem o que lhes era exigido pelos nazistas. Diz o ex-rabino: “A irradiante caridade do Papa, debruçada sobre todas as misérias provocadas pela guerra, sua bondade com meus correligionários perseguidos foram para mim o furacão que varreu meus escrúpulos diante do tornar-me católico” .
Quando os Aliados libertaram Roma, uma Brigada Judaica afirmou em seu Boletim: “Para a glória perene do povo de Roma e da Igreja Católica Romana, podemos afirmar que o destino dos judeus foi aliviado pelas suas ofertas verdadeiramente cristãs de assistência e abrigo. Mesmo agora, muitos ainda permanecem em lares religiosos que abriram suas portas para protegê-los da deportação e da morte certa.”
Um Comitê da Junta Judaica Americana de Bem-Estar Social escreveu ao próprio Pio XII: “Recebemos relatórios de nossos capelães militares na Itália sobre a ajuda e a proteção dos judeus italianos pelo Vaticano, pelos padres e pelas instituições da Igreja durante a ocupação nazista do país. Estamos profundamente comovidos diante dessa extraordinária manifestação de amor cristão! Tanto mais porque sabemos dos riscos corridos por aqueles que se prontificaram a abrigar os judeus. Do fundo de nossos corações, enviamos a V. Santidade a expressão de nossa imorredoura gratidão.”
“Só a Igreja Católica protestou contra o assalto hitlerista à liberdade!” Disse Albert Einstein.
Se os próprios judeus se mostraram gratos pelas ações de Pio XII, então, de onde vêm as tão famosas acusações de que o Papa foi omisso e até conivente com as ações de Hitler?
Na década de 60, um “alemão” chamado Rolf Hochhuth lançou uma das mais famosas obras da época chamada, “O Vigário”, livro que acusava o Papa de ter se calado, porque apoiava o que Hitler fazia, divulgado na época como um livro baseado em documentos do Vaticano, mas não passavam de documentos manipulados pela KGB com o objetivo de desacreditar a Santa Sé. Essa informação foi revelada pelo Tenente General Ion Mihai Pacepa, um agente da KGB do mais alto escalão que desertou.
Anos Depois veio a obra chamada “O Papa de Hitler”, de John Cornwell, que para muitos foi como uma confirmação das mentiras ditas por Hochhuth. O autor afirmava ter encontrado provas no Arquivo Secreto do Vaticano depois de anos estudando; depois, foi provado que só esteve na Biblioteca do Vaticano por duas vezes e que suas pesquisas não passavam de cópias de publicações acadêmicas. Chegou, inclusive, a se retratar por tantas calúnias, mas o que parece é que aqueles que sempre precisaram de provas para condenar a Igreja fizeram “vista grossa” neste caso.
Parece que é mais fácil acreditar na historinha armada de um alemão ligado a KGB e na “pesquisa” oportunista de um britânico mentiroso do que na palavra de milhares de judeus verdadeiramente salvos pela coragem de Pio XII!
“É o momento de reconhecer Pio XII pelo que fez, não pelo que não disse. A causa de esta lenda negra permanecer é, por um lado, a rejeição dos críticos de Pio XII de consultar e revisar a documentação recentemente desclassificada do Arquivo Secreto Vaticano e, por outro, a negativa da maior parte dos meios de comunicação de dar cobertura às informações positivas sobre Pio XII”, disse Gary Krupp, que é judeu e presidente da Fundação Pave The Way (PTWF), que se dedica a promover o diálogo entre as religiões.
A Fundação Pave The Way apresentou durante o congresso realizado em setembro de 2008 em Roma mais de 300 páginas de documentos originais que contêm detalhes de como se levou a cabo a ordem do Papa, durante a guerra, de esconder os judeus em Roma. Esses documentos, que podem ser baixados no site da fundação, recolhem, entre outros, um manuscrito de uma freira, datado de 1943, que detalha as instruções recebidas do Papa, assim como uma lista de judeus protegidos.
Outro dos documentos é um informe do US Foreign Service, do cônsul americano em Colônia, que informa sobre o “novo Papa” em 1939. O diplomata se mostra surpreso pela “extrema aversão” de Pacelli – nome de Batismo de Pio XII – a Hitler e ao regime nazista e seu apoio aos bispos alemães em sua oposição ao nacional-socialismo, ainda à custa da supressão das Juventudes Católicas alemãs.
Também se oferece um documento de 1938, assinado pelo então Secretário de Estado Eugenio Pacelli, no qual ele se opõe ao projeto de lei polonesa de declarar ilegal o sacrifício kosher, ao entender que essa lei “suporia uma grave perseguição contra o povo judeu”.
O esclarecimento sobre a figura de Pio XII foi assumido como objetivo pela PWTF para “eliminar um obstáculo que afeta 1 bilhão de pessoas” para o entendimento entre judeus e católicos. “Por justiça, nós, judeus, devemos ser conscientes dos esforços desse homem, em um período em que o resto do mundo havia nos abandonado” disse Gary Krupp.
Paulo VI, em 12 de setembro de 1964, em discurso proferido nas Catacumbas de Santa Domitila, afirmou que “a Santa Sé se abstém de levantar com mais freqüência e veemência a voz legítima do protesto e da condenação, não porque ignore a realidade ou a desatenda, mas por um pensamento reflexo de cristã paciência e para não provocar males piores”.
Os papas não falam pensando em pré-confeccionar uma imagem favorável para a posteridade; sabem que de cada uma de suas palavras pode depender a sorte de milhões de cristãos, levam no coração a sorte dos homens e mulheres de carne e osso, e não o aplauso dos historiadores.
Esperamos ansiosos como Igreja a elevação de Pio XII à glória dos altares, por sua coragem e prudência de ter sido sinal verdadeiro do Cristo vivo e presente no meio de nós em tempos tão difíceis!

Fontes:
Apostolado Veritatis Splendor
Agencia Ecclesia
Zenit
www.olavodecarvalho.org
www.ptwf.org

Luis Moreira dos Anjos Júnior
Consagrado na Comunidade Católica Pantokrator

Deixe uma resposta

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, insira seu nome aqui.