Controle populacional? – Na Minha Casa, Não!

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Os filhos, além de serem uma bênção para o casal, fazem falta num mundo que já dá sinais de encolhimento da população. Neste breve artigo, Paul Gallagher fala de como é bom rebelar-se contra o imperativo da família pequena e contra a cultura do egoísmo.

 Reparando no meu aspecto você nunca perceberia, mas eu sou um rebelde da contracultura. Sei que é difícil de acreditar, com essa minha cara arrumada, com essas minhas roupas conservadoras, e com a bandeira americana tremulando em frente à minha casa. Não tenho tatuagens nem piercings. Nunca fui preso nem tenho ficha na polícia. Mas isso não é nada comparado com ter cinco filhos.

 É bem verdade que o número 5 ainda não chegou (mas está tão próximo que quando você estiver lendo essas linhas ele — ou ela — já terá chegado), mas isso não atenuou o pasmo — o mais completo assombro, com queixos caindo — que minha esposa e eu provocamos entre os nossos amigos e conhecidos quando lhes demos a notícia de que em breve seríamos uma família de sete pessoas.

familiamesCINCO filhos? Uau! E que idade tem o mais velho? Oito? Ui! E entre eles não há gêmeos? Bem, vocês dois certamente já não podem mais realizar seus planos!

É difícil, contudo, repreendê los por reagirem dessa maneira. Para onde quer que eles olhem, dos programas de televisão aos adesivos dos carros, a nossa cultura incute-lhes com insistência a idéia de prolongar a adolescência tanto quanto possível, de casar tarde, e de ter um ou talvez dois – tudo bem, talvez três – filhos. Um filho a mais… e o seu futuro dourado estará seriamente comprometido.

É interessante notar que essa forma de pensar é um fenômeno do fim do século XX. Num certo sentido, pode-se dizer que é o resultado do trabalho desenvolvido nas primeiras décadas desse século por Margaret Sanger, fundadora da Planned Parenthood (). Como os leitores bem informados sabem, os métodos artificiais de contracepção não eram aceitos nem mesmo entre os protestantes, até que a Conferência Lambert cuidadosamente declarou, em 1930, que poderiam ser usados nas relações matrimoniais.

() Instituição norte-americana, com atuação em vários países, que financia e promove programas de redução da natalidade, incluindo distribuição massiva de anticoncepcionais (N. do T.).

Como é óbvio, basta um furinho na barragem para que ela venha abaixo. Em 1965, a Suprema Corte norte-americana (ao julgar o caso Griswold X Connecticut) declarou serem inconstitucionais as leis que proibiam a venda de anticoncepcionais a pessoas de qualquer idade ou estado civil. Daí para frente, foi só mais um passo até se chegar, em 1973, à mais infame decisão legal de todos os tempos: permitir o aborto.

Hoje parece difícil de acreditar, mas até há pouco tempo atrás as famílias grandes eram comuns. Minha mãe, por exemplo, é a sexta de sete irmãos, e alguns dos seus irmãos e irmãs têm oito ou nove filhos.

Que efeitos o imperativo de família pequena provocou em nosso mundo? Entre outras coisas, trouxe-nos aquilo que Benjamin Wattemberg — professor do Instituto Empresarial Americano e conhecido por suas aparições na televisão — chamou de “o maior ponto de inflexão da história da espécie humana”: a perspectiva da subpopulação. Trata-se de uma tendência sobre a qual ele tem alertado o mundo desde que publicou o seu livro The Birth Dearth (A escassez de nascimentos) em 1987.

Numa resenha sobre os trabalhos de Wattemberg, publicada na revista The American Expecator (setembro/outubro de 2001), Tom Bethel escreveu: “As taxas de fertilidade estão atualmente abaixo do nível de reposição em toda a Europa, exceto na Albânia, e isso vem persistindo há tanto tempo que nos últimos dois anos a população total da Europa começou a declinar em termos absolutos… Isso irá se acelerar dramaticamente nos próximos anos”.

Entretanto, as pessoas ainda continuam muito propensas a aceitar o mito da superpopulação. Talvez já não seja mais uma idéia que atormente a imaginação popular, mas o slogan “estão nascendo pessoas demais” ainda faz com que muitíssimos casais — católicos ou não — rejeitem a bênção que significa ter uma família numerosa.

As responsabilidades do cuidado de uma família grande tornam você espiritual, mental e fisicamente maduro. Você cria o melhor clima possível para o desenvolvimento do caráter. Você torna-se capaz de cultivar vocações para uma vida de entrega a Deus e aos outros.

O meu argumento favorito em favor das famílias numerosas é aquele dado por Lawrence Lovasik num livro chamado Catholic Family Handbook : “Em vez de gastar os 20 ou 25 anos de fertilidade mútua trabalhando como escravos para construir um negócio, conquistar posições na sociedade ou entregar-se a prazeres e confortos egoístas, vocês podem fazer a coisa melhor e mais grandiosa possível: trabalhar por Deus, criando filhos cujas almas estão destinadas a serem felizes com Ele (e com vocês) por toda a eternidade”.

É por isso que vale a pena ser um rebelde.

Por Paul Gallagher

Fonte:  Human Life International

Tradução: Quadrante

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