Dedique tempo a seus filhos

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Todos nós temos consciência da preciosidade do tempo, mas como temos administrado o tempo que possuímos? O mundo nos diz que precisamos de conforto. Em decorrência dessa cultura hedonista, trabalhamos exaustivamente para ter cada vez mais dinheiro, e, consequentemente, mais conforto. Vivemos para trabalhar, ao invés de trabalharmos para viver.

Para nós, pais e mães, esta mentalidade afeta diretamente o tempo que dedicamos à nossa família, aos nossos filhos. Muitas vezes, impregnados por essa cultura hedonista, brincar com os filhos, gastar tempo com eles é considerado tempo perdido.

Se nós pais não temos tempo para nos dedicar aos filhos, quem lhes dará a atenção de que precisam? Quem dará a eles respostas, explicações, orientações? Para onde correrão os filhos, crianças e adolescentes, se os pais estão sempre ocupados com seus trabalhos, com suas necessidades e prioridades, sempre cansados ao final do dia, atribuindo para si o direito de relaxar diante da televisão após o jantar, sempre impacientes e estressados?

Temos o péssimo costume de confundir tempo de descanso com tempo de ociosidade. Como pais, precisamos assumir nossa missão, que foi confiada por Deus, de educar os nossos filhos, de dar a eles a atenção de que necessitam; trata-se da nossa vocação. É ali, no cotidiano da nossa família, mesmo depois de um dia estressante e exaustivo no trabalho, que somos chamados a dar o nosso sim mais uma vez, esquecendo-se de nós mesmos e nos doando aos nossos filhos.

Diariamente, ao chegarmos em casa, somos recepcionados com festa pelos nossos filhos. É nessa hora que precisamos deixar os problemas do trabalho da porta para fora, esforçarmo-nos para trazer um sorriso no rosto, alegrarmo-nos com eles, brincarmos com eles, ouvir suas histórias, suas “aventuras” na escola, suas descobertas. Quantas boas lembranças não ficarão na memória dos nossos filhos se nos dispusermos em fazer do nosso lar um “regaço acolhedor”, se nos dedicarmos a estes momentos, certos da riqueza que existe nessas simples ações.

Obviamente, nosso egoísmo e nosso comodismo nos atraem para o sofá, a televisão, ou o celular, mas o cansaço não pode ser desculpa para esquecermo-nos de nós mesmos diante de uma caixa cheia de imagens ou de uma telinha cheia de informações.

Ocupar bem o tempo que possuímos é nos ocupar com aquilo de que gostamos, priorizando aquilo que é importante. Quantas coisas podemos fazer juntos com nossos filhos nos nossos momentos de descanso: esportes, música, leitura, passeios e tantas outras atividades.

Dedique tempo a seus filhos

A cultura de hoje impõe aos pais a necessidade de que nossos filhos sejam cada vez mais capacitados para os desafios que irão enfrentar no futuro, por isso muitos pais e mães trabalham exaustivamente para dar a eles as melhores escolas, que aceleram seu aprendizado pedagógico e desenvolvem aptidões em um curto espaço de tempo, tornando-os adultos precoces. Suas semanas são preenchidas com os mais diversos cursos e atividades: futebol, judô, música, ballet, inglês, terapia ocupacional, sessões com psicólogo, hipismo, karatê, natação, ginástica olímpica, etc. Enfim, são tantas responsabilidades e atribuições que as crianças necessitam de uma agenda para administrar o seu próprio tempo. Esquecem-se os pais que os filhos precisam de tempo para apenas brincar.

Certamente, não iremos reter nossos filhos dentro de casa o tempo todo, impedi-los de realizar atividades “extramuros”, de se relacionarem com outras pessoas ou não nos empenharmos em dar uma boa educação para eles. Todas essas atividades são boas sim, mas precisamos dar tempo aos filhos, sem pressioná-los, permitindo que as coisas aconteçam no seu devido tempo; dar aos filhos a oportunidade de mostrarem, naturalmente, o desejo de aprender, de realizarem outras atividades, oferecendo a eles a ajuda necessária.

O tempo dos nossos filhos não pode ser “violentado”, não podemos “queimar as etapas”.

As crianças têm a necessidade de brincar! Brincar com brinquedos e brincadeiras simples e prazerosas: bonecas, carrinhos, bola, pipas, esconde-esconde, amarelinha, brincar de areia, ir ao parque, construir seus próprios brinquedos, pois nossos filhos não precisam de brinquedos caros ou modernos. Quanto mais simples eles forem, maior será a fascinação das crianças, por isso deixar com que se utilizem de caixas de fósforos, palitos de sorvete, caixas de leite, tampinhas de garrafa permite criarem brinquedos fantásticos.

Retirar das crianças o direito de brincar pode fazer delas adultos tristes. É preciso dar às crianças a oportunidade da recreação, para que quando adultos não sintam saudade daquilo que nunca puderam viver. Mas para isso precisamos gastar tempo com eles, como pais, precisamos sair dos confortos da vida moderna e nos colocar em movimento, participar dessas atividades com eles. Posso dizer por experiência própria o quanto os filhos se sentem felizes quando nos dispomos a brincarmos junto com eles. Quantas vezes, num fim de semana, preferimos deixá-los em frente à televisão por longos espaços de tempo, ou mesmo dar a eles um celular para que “naveguem” pelos vídeos, muito perigosos por sinal, para simplesmente termos um momento de paz e sossego, para curtirmos nossa ociosidade. Tiramos dos nossos filhos o direito de serem crianças para satisfazer nossas vontades.

Para uma criança, o brincar significa o mesmo que para nós, adultos, é o trabalhar. O brincar para crianças de até seis anos se confunde com a própria vida. É pela brincadeira que elas desenvolvem noções de cooperação, trabalho em equipe, direitos, deveres, socialização e estruturam o seu “eu”, a sua personalidade. A brincadeira desenvolve a criatividade e o imaginário. Brincar com outras crianças permite a vivência da competição, do perder e do ganhar.

Quando gastamos tempo com nossos filhos, conseguimos perceber seus gostos, suas inclinações e aptidões. Temos a possibilidade de incentivá-los, estimulá-los ou mesmo “podá-los”, se necessário.

A brincadeira pode estar presente em diversas situações do dia: brincar de ajudar o pai a consertar alguma coisa quebrada, brincar de ajudar a mãe a lavar a louça ou limpar a casa. Os filhos pequenos gostam de se oferecer para ajudarem; não podemos perder essas oportunidades para estar com eles. É preciso cuidado para não considerar essa atitude das crianças como algo que nos atrapalha, pois corre-se o risco de, no futuro, tornar-se um adulto que não se considera útil, ou mesmo que não serve para nada. Precisamos deixar com que nos ajudem nos afazeres domésticos, mesmo que inicialmente de maneira desajeitada, pois é um momento em que podemos escutá-las e entrarmos em seu universo cheio de fantasias e aventuras.

Precisamos priorizar também o tempo que antecede o momento de adormecerem. Temos tempo para acompanhá-los quando vão se deitar? Cobri-los, contar uma história (quão importantes são os contos para o desenvolvimento da linguagem das crianças, o sonho, a construção de imagens), fazer uma pequena reflexão sobre o dia a partir destas histórias, orar com eles e por eles, ensiná-los a rezar e desde pequenos buscar a intimidade com Deus, dar-lhes a benção, ouvi-los, tirar suas dúvidas, perdoá-los ou pedir perdão a eles.

Precisamos aprender a valorizar esses instantes singelos que passamos com nossos filhos. Quantas atividades podemos fazer com eles, quantas situações podemos festejar juntos: uma boa nota na escola, os aniversários, até mesmo dos animais domésticos, uma toalha diferente na mesa, uma refeição um pouco mais elaborada tornam o ambiente familiar acolhedor e propício para momentos de descontração, de partilha, de histórias da família, etc.

Por fim, é preciso gastar tempo com a formação religiosa dos nossos filhos. Precisamos fazer com que o desejo inconsciente que nossos pequenos possuem de Deus revele-se aos poucos. Ensiná-los a rezar, seja juntando as mãozinhas  para agradecer pelo dia que termina, seja aproveitando as ocasiões em que podemos mostrar-lhes a presença de Deus em tudo, a fim de que não construam uma visão distorcida de um Deus que apenas nos observa lá do céu e está pronto para nos castigar. Precisamos fazer com que nossos filhos reconheçam a Deus, a Virgem Santíssima, levá-los à intimidade com o Menino Jesus e o Anjo da Guarda, ensiná-los a conversar com Deus, apresentando-lhes com uma Pessoa, que nos ama.  É importante mostrar-lhes que podemos contar a Ele os bons e maus acontecimentos, de forma com que se relacionem com Deus como uma Pessoa familiar, Alguém presente e constante na vida deles – o “Papai do Céu” – a quem eles podem oferecer seus pequenos sofrimentos por intenções concretas, fazendo com que percebam que há um sentido no sofrimento e que não se trata de um “castigo divino”: oferecer um resfriado ou uma vacina aplicada por aquele coleguinha que está doente ou por aquele vizinho que vive sozinho, etc.

Esforcemo-nos para sermos presentes na vida dos nossos filhos, peçamos a intercessão de Dom Bosco, para que, gastando o tempo que temos hoje, possamos gerar filhos responsáveis, felizes e íntimos de Deus. Vale a pena!

Allan Oliveira
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator

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