As crianças necessitam da presença do pai e da mãe para a sua educação. De um pai e de uma mãe que tenham tempo para estar com eles, com dedicação quase exclusiva nesses momentos, que se preocupe pelo que fizeram, que conversem com cada um, que os ajudem nas tarefas escolares, que brinquem…

UM TEMPO PARA OS FILHOS…

Os pais devem ter um tempo livre para os filhos e, se não o têm, devem encontrá-lo. Afinal, eles são os primeiros educadores, e para educar precisam estar presentes.

Este tempo dedicado à família depende das obrigações profissionais dentro e fora de casa, mas estas obrigações nunca devem ser um obstáculo insuperável.

O bom uso do tempo livre em família facilita a comunicação familiar e faz com que os filhos se conheçam melhor e adquiram mais confiança nos pais e nos irmãos. Além disso, a convivência permite que os pais (e não apenas um dos cônjuges) se tornem melhores educadores. Os problemas passam a ser observados pelo casal, que poderá e conversar sobre eles até encontrar uma solução. Os pontos de vista do pai e da mãe normalmente se complementam quando há boa comunicação, o que elimina os constrangimentos e as discussões que podem surgir quando um desconhece a opinião do outro (“Mas, a mãe disse que eu podia”, “O pai falou que tudo bem”).

As crianças de hoje costumam ter bastantes oportunidades de diversão. No entanto, ficam quase sempre assistindo à televisão ou dedicando-se a outras atividades que não lhes permitem conviver com as outras pessoas nem lhes estimulam a criatividade. Isso quando não ficam soberanamente enfastiadas sem saber o que fazer.

Acontece com freqüência que o tempo livre dos filhos não é preenchido adequadamente porque os pais não lhe atribuem a mesma importância que o tempo de aulas. Contudo, ambos os “tempos” são vida e devem ser bem utilizados.

A criança distribui o seu tempo em três âmbitos diferentes: a atividade escolar, a vida familiar e os tempos livres. São os três meios pelos quais lhe chegam os estímulos que enriquecem a sua personalidade. O tempo livre tem um papel importante na formação de uma personalidade completa e harmônica e, por isso, tem um valor inapreciável.

O descanso dos filhos deve ser compatível com uma série de atividades capazes de distraí-los e de formar neles hábitos criadores. O tempo livre não pode ser um tempo negativo; nunca deve ser um tempo em que estão sem fazer nada, tombados preguiçosamente numa poltrona, enquanto diversos personagens pensam por eles na “telinha”. É preciso que, desde muito cedo, se acostumem a empregá-lo em algo positivo e que tenham em vista um conjunto de facetas que se complementem:

1) Faceta higiênica. O tempo livre é um reparador de forças. O repouso não é uma perda de tempo, mas acúmulo de energias.
2) Faceta recreativa. As diversões sadias, as atividades preferidas, os gostos criativos, os jogos, são as armas para combater o cansaço.
3) Faceta cultural e artística. Nos tempos livres, as crianças devem ter a oportunidade de desenvolver a sua inventividade, as suas aptidões e as suas qualidades pessoais. Os trabalhos manuais criativos, por exemplo, entusiasmam e divertem, e a aprendizagem de um instrumento musical pode ajudar a formar uma personalidade muito rica.
4) Faceta social. As crianças precisam de um tempo livre para conviver com colegas diferentes dos seus companheiros de escola e estabelecer relações de amizade que satisfaçam as suas necessidades sociais.
5) Faceta espiritual. O tempo livre também é ocasião para cultivar a religiosidade das crianças e introduzi-las na vida de piedade, que desenvolverão plenamente quando forem crescidas.

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UM TEMPO PARA BRINCAR…

As brincadeiras podem chegar a ser um elemento principal na educação do tempo livre da criança, pois ajudam a desenvolver muitos aspectos inatos. A criança, por si, possui fantasia, é criativa, e a brincadeira é para ela um meio de relacionamento social; brincar com outras crianças ajuda-a integrar-se na sociedade. Cada brincadeira deve ser apropriada à idade da criança: as brincadeiras devem adaptar-se às crianças, e não o contrário.

Os pais também devem ter o cuidado de não “encher” os filhos de brinquedos. Os brinquedos estimulam e sustentam as brincadeiras: criam motivos de entretenimento e dão meios para que a criança exercite as suas faculdades, principalmente a imaginação. Mas não é pedagógico (nem sequer atrativo para a criança) que os pais satisfaçam todos os caprichos dos filhos. Geralmente, os brinquedos mais sofisticados (que são também os mais caros) são aqueles que menos êxito têm ao longo do tempo, já que as suas diversas habilidades acabam por inibir a imaginação da criança, que não pode acrescentar-lhes nenhuma qualidade.

Atitude dos pais

Os pais podem concretizar tudo que mencionamos num conjunto de pontos básicos, tendo presente que as potencialidades que a criança desenvolve ao brincar são uma preparação para a vida futura de trabalho. A brincadeira é para a criança o que o trabalho é para o adulto.

1) Proporcionar espaço e tempo suficientes.
2) Fomentar jogos e descobrir, por meio deles, as atitudes das crianças; conhecer melhor a psicologia de cada um dos filhos, descobrir a sua capacidade de ter iniciativas e o seu poder de atenção.
3) Planejar e controlar à distância todas essas atividades.
4) Evitar fazer demasiadas advertências negativas. (não suje; não quebre; não deixe cair…).
5) Pouca presença material (brinque com ele e não no lugar dele).

UM TEMPO PARA A TELEVISÃO...

Atualmente, a presença da TV no interior das casas é constante: Penetra na intimidade de cada um – informando, distraindo ou prestando serviços. Traz as novidades da vida cultural, os acontecimentos mundiais e das descobertas científicas. Mas também traz uma boa dose de informações falsas, de opiniões agressivas e de imagens ou situações que degradam a natureza humana.

Por outro lado, todos têm acesso à grade horária das emissoras de TV. Assim, é direito e dever dos pais conhecer a programação e selecioná-la com os filhos epara os filhos. É importante que a família como um todo saiba que programas existem e que as crianças aprendam com os pais a ter critério sobre aquilo a que se deve ou não assistir na televisão. Essa é uma ótima oportunidade de educar para o senso crítico, assistindo juntos a novelas (se for inevitável) e a filmes, aproveitando os intervalos para perguntar, por exemplo: “Quais os valores desses personagens? Honestidade, caráter? Quais os contra-valores?”

E, aproveitar as ocasiões para transmitir-lhes ensinamentos como: “As cenas que vemos nas novelas muitas vezes estão em contradição com os valores que procuramos viver aqui em casa, por esta e aquela razão…” Vamos assim formando critérios nos filhos, que saberão ver, julgar sem paixão e agir conseqüentemente. Uma boa dica para a família é que a programação assistida por todos em casa deve ser comentada, avaliada, discutida: “sim”, “não”, “por quê?”. Isto é educar!

Todos desejamos qualidade – e qualidade “total” – nas nossas vidas. Por esta razão, devemos arregaçar as mangas e procurar agir, para que os nossos filhos saibam como fazer o melhor uso da televisão.

UM TEMPO PARA O CINEMA…

Assim como a televisão, o cinema é um poderoso comunicador social, e pode ajudar na formação da personalidade das crianças e dos jovens. Grava-se a imagem com facilidade, de maneira que os seus efeitos – tanto positivos como negativos – deixam uma marca duradoura, que muitas vezes fica impressa para sempre na pessoa.

O cinema pode ser de grande ajuda se os filmes escolhidos estiverem na linha educativa adotada pelos pais. Estes devem estar a par daquilo que os filhos assistem. Pode-se estabelecer o costume de comentar em casa os filmes vistos, o que facilitará a seleção futura por parte dos filhos e a participação dos pais na escolha.

UM TEMPO PARA LER…

A leitura serve para desenvolver a linguagem, o vocabulário, a criatividade, a fluidez, a imaginação; exige uma participação ativa da criança, favorece a identificação dos temperamentos e prepara para assimilar as mais diversas circunstâncias. Só que alguns pais pensam que basta mandar o filho ao colégio para que aprenda a ler e escrever. Esses pais esquecem que a família é a primeira escola da criança; é na família que ela adquire os conhecimentos mais importantes, que serão depois complementados na sala de aula. E o hábito da leitura, particularmente, depende muito do exemplo e do estímulo dos pais.

Há preparativos ou estímulos para a leitura, que podem suscitar nas crianças impulsos favoráveis, mesmo antes da alfabetização (contar um conto simples, falar de maneira clara e correta…). Mais tarde, é preciso que os filhos saibam escolher por si próprios as suas leituras, as que lhes podem ser mais adequadas, as que vão complementar a sua personalidade. Mas não poderão adquirir nenhuma autonomia neste campo se não tiverem recebido antes uma formação clara, rigorosa, objetiva e completa. Aqui se concentra a tarefa dos pais: em ajudar as crianças a orientar os seus gostos para a boa leitura, a saber o que é verdadeiramente mais adequado e apresenta maiores qualidades, sem lançar-na a ler qualquer coisa que caia nas mãos, a saber interpretar o que se lê.

Sugestões: Começar a montar juntos uma biblioteca familiar. Ler para os filhos pequenos e com os filhos mais crescidos. Comentar entre si o que leram.

UM TEMPO PARA GASTAR…

É importante criar e fomentar nos filhos um sentido de domínio, sobriedade e responsabilidade com respeito ao uso de um objeto que terão que manejar durante toda a vida, que é tão útil como perigoso: o dinheiro.

Vivemos numa sociedade de consumo e os filhos precisam aprender a usar o dinheiro desde o momento em que começam a ir sozinhos a alguns lugares, como a escola. Também devem aprender a usá-lo como um instrumento, nunca como um fim em si mesmo.

Quando falamos da mesada, devemos ter em conta que ela serve, antes de tudo, para que as crianças se acostumem a gastá-la razoavelmente, a economizá-la e a dá-la (caridade). Lembre-se de que o dinheiro da mesada não é uma recompensa por algum serviço.

UM TEMPO PARA OS AMIGOS…

A autêntica amizade implica um compromisso pessoal recíproco, que pode ser o resultado de um longo processo ou de uma conversa. Em qualquer caso, a amizade deve ser leal e sincera; espera-se do amigo que corresponda à confiança que se lhe é dada, fundamento da verdadeira amizade. Verdadeiros amigos ajudam-se mutuamente a ser melhores. Este é o melhor meio de provar uma amizade (para nós e para os nossos filhos).

Os pais devem conhecer muito bem os amigos dos seus filhos. Convém deixar que eles apareçam em casa freqüentemente, e procurar conhecer as suas famílias, para assim conhecê-los melhor.

UM TEMPO PARA CRIAR…

A arte tem um papel decisivo na formação da personalidade, pois age diretamente na afetividade. Assim, pode ser de grande valia para a educação dos sentimentos da criança.

Os pais não podem inibir-se neste importante campo de utilização do tempo livre, com o pretexto de que “as crianças já vão ao colégio”. Devem incentivar a criança a escrever, desenhar, representar, cantar, tocar algum instrumento, etc. Não se trata de forçar a criança a fazer qualquer dessas atividades: é preciso empenhar-se em conhecer bem os filhos para sugerir as atividades mais apropriadas ra cada um deles. Eventualmente, se há variedade de talentos, pode-se sugerir aos filhos que trabalhem em conjunto, cada qual dedicando-se àquilo que faz melhor, ao mesmo tempo que aprende a apreciar as habilidades dos outros.

TEMPO PARA REZAR…

Na família, os filhos aprendem a viver, por contágio, a fé que vêem nos seus pais. São as convicções religiosas dos pais, enraizadas e vividas, que educam profundamente a fé das crianças no âmbito familiar. O exemplo é a melhor maneira de ensinar as primeiras práticas religiosas. A criança, desde muito pequena, deve ver os seus pais rezarem com piedade autêntica e sincera. A vivência religiosa da criança deve ser desenvolvida dentro da máxima clareza doutrinal (permitida pela idade, é claro) e num clima de intensa afetividade.

Também é importante ensinar a criança a expressar com gestos esses sentimentos religiosos. Com isso, ela aprende a colocar Deus entre os seus principais e mais fundamentais afetos. O maior tesouro que se pode possuir neste mundo é a fé. Colaborar na transmissão da fé aos filhos é a herança mais importante que os pais podem deixar-lhes.

QUATRO SUGESTÕES PARA AUMENTAR O TEMPO LIVRE

1. Na medida em que organizamos o nosso trabalho, conseguimos ganhar alguns momentos que, acumulados ao final do dia, nos permitirão chegar antes a casa.
2. Evitar o pluriemprego: é mais rentável ganhar um pouco menos de dinheiro e ter mais tempo para a família do que o contrário.
3. Fazer com que toda a família participe dos trabalhos em casa. Pode ser um modo de conseguir passar mais tempo com ela.
4. Delegar funções e responsabilidades para cada membro da família a fim de que todos tenham mais tempo livre.

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Fonte: Portal da Família

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