Os efeitos da TV no sono do seu filho

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Pesquisa canadense mostra que crianças que têm o aparelho no quarto têm mais chances de serem obesas e sedentárias

Televisão, videogame, celular, computador. Esses eletrônicos cada vez mais fazem parte da rotina das crianças. Apesar da variedade de programas, desenhos animados, jogos, brincadeiras e redes sociais, o excesso de “tela” pode causar também problemas de sono na vida do seu filho.

Um estudo feito pela Universidade de Alberta, no Canadá, com 3.400 crianças entre 10 e 11 anos, mostrou que ter um aparelho eletrônico, como TV, computador, videogame e até celular, no quarto aumenta em 30% as chances de obesidade.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores pesaram e mediram a altura dos participantes e, em seguida, pediram a eles que respondessem a um questionário sobre seus hábitos de sono e o acesso aos aparelhos eletrônicos. Metade afirmou ter uma TV ou videogame no quarto, 21%, um computador, 17%, um celular e 5%, nada menos do que três aparelhos eletrônicos.

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Pouco mais de 55% dos estudantes revelou ter o hábito de usar um dos aparelhos quando deveriam estar dormindo. Ou seja, assistem a um filme após deitar na cama, por exemplo, e cerca de 27% afirmaram usar ao menos três aparelhos após deitar.

Ao analisar os dados, os pesquisadores descobriram que os estudantes que tinham um aparelho eletrônico no quarto tinham 1,47 mais chances de estar acima do peso quando comparados com aqueles sem nenhum. Esse número aumentou para 2,57 ao analisar as crianças com três aparelhos no quarto.

Os cientistas perceberam também que as crianças com um quarto livre de TV, computador, celular dormiam mais e eram mais ativas. Para o endocrinologista pediátrico Hilton Kuperman, do Hospital Samaritano (SP), o resultado faz todo o sentido. “Ao dormir melhor, a criança se sente mais disposta para correr e brincar. Quando a criança tem poucas horas de sono, há uma alteração na produção de dois hormônios importantes: a grelina, que estimula a sensação de fome, e a leptina, que aumenta a saciedade”, diz Kuperman.

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Outro estudo feito pelo Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil de Seattle, nos Estados Unidos com 617 crianças entre 3 e 5 anos, já havia mostrado que crianças que assistem à televisão após 19h têm mais problemas para dormir – além da dificuldade para adormecer, elas acordam várias vezes durante a noite, têm pesadelos e sonolência durante o dia. Sem contar que aquelas com televisão no próprio quarto tendem a assistir até 40 minutos a mais que as outras por dia.

Para o pediatra Sylvio Renan Monteiro de Barros, da Sociedade Brasileira de Pediatria, o número de crianças com TV no quarto é alto porque muitas famílias acreditam erroneamente que ela pode ajudar seus filhos a pegarem no sono. Só que o efeito é outro. A televisão gera uma dose extra de adrenalina no corpo, o que dificulta o descanso dos pequenos.

A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é tirar a TV do quarto de uma vez, mas você pode combinar de reduzir o tempo que ele assiste aos poucos até chegar ao limite recomendado de 2 horas. Vale lembrar que de nada adianta apenas proibir: é preciso dar outras opções. Na hora de dormir, leia um livro, conte uma história e seja firme. Mesmo que seja difícil, ele vai acabar se acostumando.

Criar uma rotina de sono também é fundamental. A partir das 18h, comece a diminuir o ritmo da casa. Dê um banho em seu filho para relaxar, em seguida, o jantar. O ideal é que ele deixe os eletrônicos de lado até uma hora antes de ir para a cama.

Revista CRESCER


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