Maturidade humana: como atingi-la?

Maturidade humana é uma integração harmoniosa de todas as potencialidades que o homem carrega no corpo e na alma. O processo é uma verdadeira aventura que perpassa a vida do homem possibilitando o desenvolvimento de todo o potencial humano: corporal, psíquico, afetivo, social e espiritual. Este caminho proporciona uma personalidade saudável, livre, feliz e capaz de amar.

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No processo de maturidade humana o homem vai crescendo e descobrindo a si mesmo como dom para o outro, alguém que existe para doar-se em amor. A maturidade humana é fruto do reconhecimento e aceitação serena da verdade objetiva a respeito de si mesmo. É aceitar a própria fraqueza e nela encontrar força; é descobrir a liberdade para servir e a confiança que abre para o relacionamento e a experiência de amor, chegando a entrega da própria vida.

 

Depender da graça de Deus

Atingir a maturidade não é algo que acontece espontaneamente. O ser humano não se torna adulto ou amadurecido de forma inevitável ou por acaso, mas necessita de experiências e de um mundo que o ajudem a atingir a plenitude.”, como consta no livro A Psicologia Do Desenvolvimento, da Editora Paulinas. Com o auxílio da graça de Deus, a pessoa humana amadurece à medida em que consegue integrar no seu desenvolvimento a grande variedade das experiências vividas, positivas e negativas, aprendendo a arte de amar. A condução da Graça Divina neste processo é imprescindível para atingir “a estatura da maturidade de Cristo” (Ef 4,13), que somos chamados segundo os desígnios de Deus.

A maturidade humana é conquista pessoal favorecida pelo próprio esforço, pelo ambiente, pela educação e pelo dinamismo da ação  de Deus em nosso ser. Se realiza aos poucos num processo lento e gradual que passa naturalmente por cada etapa da vida humana e só termina na plenitude do encontro face a face com Deus. Este encontro, finalmente, cada pessoa “conhecerá o seu mistério tal como é conhecido” (cf. 1Cor 13,12).

Da infância à fase adulta, há processo de amadurecimento e uma conquista específica. Cada pessoa tem que se realizar em cada uma das etapas, para realizar-se na vida. O processo total do amadurecimento é um caminhar para a última etapa, até atingir aquele valor que só se conquista na velhice: a sabedoria. Por isso o amadurecimento é constante e só acaba com a morte.

 

Tomar consciência de si mesmo

Parte fundamental neste processo da maturidade humana é a tomada de consciência de si, reconhecer quem eu sou, o que devo me tornar. À medida em que o ser humano cresce cronologicamente, também cresce sua capacidade de conhecimento e consciência de si e assim a maturidade vai se desenvolvendo. Atinge-se gradualmente o amadurecimento pessoal ao orientar a própria vida para o sentido da sua existência, a partir da aceitação consciente dos seus limites e das suas disposições. O amadurecimento humano implica um processo para ser mais, entre “ter mais” e “conhecer mais” privilegia-se o “ser mais”.

Deveria ser natural que o desenvolvimento psíquico da consciência de si acontecesse simultaneamente com o desenvolvimento físico e com as outras dimensões humanas, de forma que a pessoa adulta atingisse uma consciência realista que possibilitasse a sua maturidade. Porém nem sempre isso acontece. Muitas pessoas chegam a fase adulta com traços próprios da infância e da adolescência, ainda marcadas por uma vida centrada em si mesma e, consequentemente, com uma fraca capacidade de amar e ofertar-se.

A maturidade então não é simplesmente um “fruto cronológico”, o critério não é a idade, mas o homem na sua constituição. Durante o processo de desenvolvimento da pessoa pode acontecer bloqueios no seu desenvolvimento como: a fixação em determinada etapa que já deveria ter sido ultrapassada (por exemplo: adulto que para conseguir o que quer, ainda faz chantagem emocional ou algum tipo de birra;); e a regressão a etapas anteriormente superadas (por exemplo: alguém que se recusa a falar com as pessoas que fizeram ele se sentir mal ou triste, retornando a um comportamento da infância). Como resultado acontece a imaturidade: um adulto que tem comportamentos de adolescente ou criança.

 

O caminho a percorrer

Considerando a maturidade correspondente a fase adulta, o processo de amadurecimento humano é sair da infantilidade e instabilidade próprias da infância e da adolescência para tornar-se um adulto equilibrado, confiante e seguro: capaz ver o mundo de forma realista e objetiva, de ter domínio sobre seus afetos e impulsos e de doar-se aos outros; alguém que sabe aceitar suas limitações e possibilidades tanto internas quanto externas, que é independente e assume a responsabilidade de suas ações e decisões no curso de sua vida, é capaz de se adaptar às novas circunstâncias e situações, está preparado para tudo o que possa acontecer.

À medida em que o ser humano se conscientiza da existência de um mundo objetivo “diferente de si”, aceitando-o e interessando-se sinceramente por ele de maneira comprometida, podemos dizer que o processo de amadurecimento da sua personalidade está ativado. Ao contrário, quando se introverte e se reduz ao próprio mundo subjetivo, se infantiliza. Assim, o processo de amadurecimento não é nada mais do que uma “virada” no âmbito de nossos interesses pessoais, mudança progressiva de nosso centro de interesse vital, isto é, a “saída de nós mesmos” em direção ao mundo externo no qual estamos essencialmente inseridos.

 

A maturidade e a capacidade de amar

Todo egocentrismo é, sob o ponto de vista psicológico, antes de tudo, uma atitude ou comportamento infantil. Quando este comportamento torna-se habitual, mesmo numa fase sucessiva à infância, é sinal característico de falta de maturidade, independentemente da idade cronológica, da cultura, da atividade e do próprio êxito profissional. O “adulto egocêntrico” é vivencialmente uma criança.

Crescer na maturidade é crescer na capacidade de amar, porque o amor é contrário a todo egoísmo. A pessoa madura ama gratuita e desinteressadamente, é capaz de uma conduta generosa e altruísta esquecendo de si mesma; ama com amor oblativo! Pela oblatividade se mede o amor, porque aquele que não se esquece de si, que não se oferece, não ama. Se amor é doação, a pessoa frustrada no amor não será precisamente aquela que “não recebe”, e sim aquela que “não se dá “.

 

Ser responsável na busca pela maturidade

Outro passo importante no processo de amadurecimento é o começo da autorreflexão, da autoanálise e da autocrítica. Começar a desenvolver essa capacidade, tomando consciência da sua possibilidade de errar, dos seus limites e de seus dons, é dar um passo significativo no seu processo de amadurecimento. Quem progride nesse caminho adquire a capacidade de uma sincera aceitação da crítica que os outros fazem a seu respeito, aprende um diálogo construtivo que respeita a opinião alheia, desenvolve uma crítica objetiva e construtiva sobre si e os outros, e consegue analisar de forma objetiva os fatos e acontecimentos. A característica fundamental de uma crítica ou autocrítica madura é o dinamismo e o entusiasmo para melhorar e crescer:  otimismo construtivo e criador.

O senso de responsabilidade que a pessoa madura desenvolve não é só o do cumprimento do dever e de assumir as consequências das suas escolhas, vai além. A pessoa madura se sente responsável em contribuir com o bem dos outros e do mundo que a cerca. Esse sentido de responsabilidade cresce junto com a autoconsciência e lhe permite ter coerência entre motivação e ação, bem como favorece que a pessoa seja mais eficaz para alcançar suas finalidades, sem moleza ou acomodação, mas com constância e perseverança. O homem que foge das responsabilidades, que não se arrisca conscientemente quando preciso, que não assume suas decisões, que não se compromete, tem traços de imaturidade.

Por fim a pessoa madura também tem uma larga capacidade de adaptação: flexibilidade e sensibilização, em face às exigências, apelos e expectativas das pessoas e situações com as quais convive. Como uma árvore sabe criar raízes, sem perder a possibilidade de mudar, quando for preciso, continuando a produzir frutos. No caminho de amadurecimento a primeira adaptação que acontece é aceitação cordial e funcional da própria realidade individual, pois não é possível adaptar-se ao meio ambiente sem aprender a conviver, consciente e serenamente consigo mesmo. É no desenvolvimento desta capacidade de adaptação que se situa a questão da escolha da profissão e da descoberta da vocação, que conduzem a realização pessoal.

 

Buscar a plenitude de vida

Todos nós trazemos em nosso ser a necessidade de crescer até atingir a vida plena. Mas não é algo que se conquista sem dificuldades. É normal esbarrar em fracassos parciais, insucessos, períodos de flutuação e incertezas, ter períodos de fixação ou regressão. Mas todos esses momentos críticos podem permitir novos progressos e sempre podemos recuperar o rumo na certeza de que nunca se recomeçamos totalmente do zero, pois aquilo que de positivo se adquiriu é de fato adquirido para todo sempre.

Ao contrário do que se pensa o processo da maturidade humana não é uma subida tortuosa de um grande penhasco, mas é descida até ao mais fundo de si e um salto no mundo da simplicidade, da calma, da paz e do abandono a Deus. Para seguir nesse processo é preciso que a pessoa se habitue a reflexão, olhe bem para dentro de si, ame a oração e faça dela um verdadeiro encontro com Deus entregando-se a Ele como barro nas mãos do oleiro (cf Jr 18,6) todos os dias de sua vida.

 

Luciane Bidóia

Consagrada da Comunidade Pantokrator

 

 

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Category: Formação Humana

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