História da Igreja Católica

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Para compreendermos o papel fundamental da Igreja Católica na construção da Civilização Ocidental é preciso ter uma visão da História da Igreja dos seus primórdios até o século XIV.

Os primeiros séculos (0-400)

A Igreja teve um crescimento rápido sob a ação do Espírito Santo desde o primeiro século. Enfrentou durante quase três séculos a perseguição do Império Romano até a conversão de Constantino no ano de 313. Neste ano convertido ao cristianismo, ele assinou o Edito de Milão que proibiu a perseguição aos cristãos.

Nesta época da história da igreja, ela já havia no mundo cerca de 6 milhões de cristãos. Mais tarde, o Imperador Teodósio, por volta de 390, pelo “Edito de Tessalônica”, tornaria o cristianismo religião oficial do Império Romano. Como disse Daniel Rops, “a espada se curvou diante da cruz”. E isso aconteceu sem luta por parte dos cristãos. A força do Evangelho moveu os corações dos reis, imperadores, e mulheres romanas na história da igreja.

Ao longo dos primeiros quatro séculos da história da igreja foi marcante a ação dos Apóstolos, principalmente dessas colunas da Igreja que foram São Pedro e São Paulo.

Já no começo da vida da Igreja surgiram as terríveis heresias e sectarismos, que no entanto, conduziram a formação da teologia cristã e aos grandes Concílios da primeira era, de onde a Igreja saiu fortalecida na sua autoridade e unidade. A Igreja precisou realizar os concílios de Nicéia I, em 325, para reprovar o arianismo, de Ário, que negava a divindade de Cristo; e em 381 o Concílio de Constantinopla I, para condenar o macedonismo, de Macedônio, patriarca de Constantinopla, que ensinava que o Espírito Santo não era Deus. Desses dois Concílios surgiu a formulação do Credo niceo-constantinopolitano que rezamos hoje. Os Concílios foram importantíssimos para combater as heresias e sectarismos na história da igreja.

Os tempos Bárbaros (400-1050)

Depois vieram os terríveis tempos bárbaros; quando então desabou a civilização romana; prevaleceu durante os séculos V a XI. Foram seis séculos em que se formaram os mais variados povos e civilizações, uma verdadeira encruzilhada da História na qual a Igreja começou a desempenhar o papel de “guia moral e espiritual” (D. Rops) desse mosaico de povos bárbaros que ocuparam a Europa. Nenhuma Instituição ficou de pé, a não ser a Igreja Católica.

A Ação Evangélica da Igreja

A Igreja, através dos seus bispos e missionários, dedicou-se à ação evangelizadora desses povos para converter em verdadeiros cristãos aqueles que haviam abraçado a fé superficialmente. A obra missionária foi grandemente favorecida pelo conteúdo da mensagem evangélica. O anúncio das verdades cristãs, corriqueiras para quem já nasceu em civilização cristã, era altamente significativo para os pagãos.

Assim, já nos tempo de Constantino e Juliano (na história da igreja no século IV) as instituições e as normas do Direito Civil foram sendo impregnadas de espírito cristão, sobretudo no que diz respeito à mulher, à criança, à família, ao trabalho e até à guerra. Era algo novo para os bárbaros e os conquistava.

Além da função evangelizadora, os Bispos tiveram que assumir também tarefas de ordem temporal, pois o Ocidente se achava debaixo das invasões bárbaras e os imperadores, residentes em Bizâncio (Oriente), pouco se importava com as populações ocidentais. É bom recordar que em 313 o Imperador Constantino transferiu a sede do império para Bizâncio, cujo nome passou a ser Constantinopla, hoje Istambul, na Turquia.

Em meio à desordem, os Bispos tiveram que administrar os bens materiais das suas comunidades, como também foram levados a proteger, alimentar e abrigar as populações mais carentes.

Alguns Bispos que se destacaram foram:

São Leão Magno (440-461), São Martinho de Tours (316-397), São Paulino de Nola (353-431), São Máximo de Turim (+465), Santo Agostinho de Hipona (+430), Santo Hilário de Poitiers (315-367), São Pedro Crisólogo (+450) de  Ravena, e outros.

Pode-se dizer que foi a Igreja que salvou a Civilização na tempestade das invasões bárbaras e assegurou a união dos habitantes do Império Romano. Na falta de um governo forte no Ocidente, os Bispos tinham que assumir não somente a pregação do Evangelho, mas também a administração dos bens da sua comunidade, o contato com os bárbaros, a proteção e a alimentação das populações carentes. Daí já é possível começar a entender por que a Igreja liderou o Ocidente, por tanto tempo.

A Igreja Católica foi à única Instituição a permanecer de pé entre os escombros do Império Romano; e ficou em seus ombros a responsabilidade de “defensora da cidade” no momento em que os povos bárbaros assaltavam a Europa.

No oriente, pelo contrário, Constantinopla, a antiga Bizâncio, isolou-se, e o domínio que os Imperadores orientais (Basileus) quiseram exercer sobre a Igreja (o cesaropapismo), que cada vez mais chamavam para si as questões de doutrina e de fé, deu origem a muitas discussões e disputas. Os desentendimentos enfraqueceram o cristianismo oriental, tornando-o presa fácil dos muçulmanos (maometanos), que surgiram a partir do século VII, e acabaram por conduzir a Igreja do Oriente ao rompimento definitivo com a Igreja de Roma por ocasião do cisma de Cerulário, no século XI. Em 1054 a Igreja Otodoxa se separou da Igreja Católica.

Foi a Igreja que, nos seis séculos das invasões dos bárbaros, com S. Bento (séc. V) reconstruiu as elites dirigentes, preparou sem cessar o renascimento da civilização, enviou seus missionários ao núcleo das massas bárbaras e convertendo os reis, preparou a fusão das raças de onde nasceria a Europa. Foi a Igreja que nos seus conventos protegeu a cultura e a arte; e foi ela que após Carlos Magno (+814), quando as trevas de novo se abateram contra a Igreja, impediu que a anarquia destruísse a Europa. (D. Rops).

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Referências: Uma história que não é contada (Prof. Felipe Aquino) 

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