Quaresma: período que coloca brilho na vida do cristão.

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Lisboa, 08 Mar (Ecclesia) – O padre Luis Manuel Pereira Silva, professor de liturgia na Universidade Católica Portuguesa, apresenta a Quaresma, que se vai iniciar na quarta-feira, como um período que coloca “brilho na vida” do cristão.

Em declarações à ECCLESIA, o pároco da Sé de Lisboa utiliza a imagem “da prata que oxida e perde brilho” com o tempo, tal como a vida – muitas vezes – vai oxidando na relação com Deus, com os outros e com os próprios”.

“Há um momento em que é preciso limpá-la e restituir-lhes o brilho”, disse.

Os 40 dias deste tempo litúrgico (começa na quarta-feira de cinzas e termina na quinta-feira santa à tarde com o início do Tríduo Pascal), que antecedem a Páscoa são “um tempo de esperança na força redentora da graça de Deus”, sublinhou o sacerdote.

Este tempo de preparação para a Páscoa “faz todo o sentido porque se celebra a festa maior dos cristãos” visto que até a “Igreja nascente sentiu essa necessidade”.

Na Páscoa, os cristãos celebram “o núcleo da sua fé: paixão, morte e ressurreição do Senhor”, acentua o padre Luis Manuel Pereira Silva.

Com a Páscoa, Cristo abre à condição humana “uma existência nova e um horizonte novo que se projecta pela eternidade e não fica confinado ao tempo e ao espaço” – realça.

A celebração pascal requer, acima de tudo, uma “conversão do coração e da vida” e já S. Leão Magno (século V) dizia aos cristãos: “A Quaresma é o grande retiro da Igreja”, frisa o professor da Faculdade de Teologia.

Por outro lado, este é um tempo de preparação para todos aqueles que “recebem o Baptismo na noite santa da Páscoa”.

Recordando a mensagem da Quaresma de Bento XVI, o padre Luis Manuel Pereira realça os “instrumentos pedagógicos” para a conversão: “jejum, esmola, oração e a Palavra de Deus”.

Em relação ao jejum, o professor de Liturgia afirma que é fundamental “saber privar-se do que não é essencial para a vida”

O sentido do jejum não passa por “questões higiénicas ou por questões de «linha» como muita gente pensa”, esclareceu.

Saber partilhar os bens com os outros e “ainda mais neste tempo de crise” é também uma proposta quaresmal.

A diferença entre caridade cristã e solidariedade anónima é que “para os cristãos, o pobre e o necessitado não é uma entidade nem uma organização”, mas uma “pessoa concreta, com nome e rosto”, frisou.

O padre Luis Manuel explica – utilizando uma expressão de Santa Teresa d Ávila – “ninguém se converte sem oração” e “ninguém aprofunda uma relação com quem não mantém contacto”.

Não há transfiguração da vida “sem oração” e “não há conversão verdadeira quem não estiver disposto a morrer para viver (deixar morrer em si tudo aquilo que nos afasta de Deus)”, completou.

O período quaresmal é “um tempo de forte apelo à mudança de vida” e um “entrar no santuário da sua consciência”.

Neste tomar o pulso à qualidade de vida, o cónego da Sé de Lisboa acrescenta que, actualmente, se vivem “situações difíceis” – a nível económico e estrutural – que “são fruto das atitudes e infidelidades ao homem, à sociedade e a Deus”.

Quando se olha para os episódios “da banca”, o cónego Luis Manuel lamenta: “o que está por detrás é gente sem valores, gente que não tem pejo em cometer a pior das fraudes”.

A Quaresma, que começa com a celebração das cinzas, este ano a 9 de Março, é um período de preparação para a Páscoa, maior festa do calendário litúrgico cristão, com a duração de 40 dias, marcados por apelos ao jejum, à partilha e à penitência.

Agência Ecclesia

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