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Beatificação dos pais de Santa Teresinha

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“Sede Santos porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou Santo”. Esse é o convite que o Senhor faz a todos nós sem distinção. A santidade é o fim de todo e cada homem criado à imagem e semelhança de Deus e é somente aí que este encontra a verdadeira felicidade. Contudo, alguns acreditaram durante muito tempo ser a santidade um caminho para poucos, para privilegiados. Talvez encontremos alguns que ainda pensam assim ou até mesmo vejam a santidade como balela.

Mas a Santa Mãe Igreja vem sempre nos lembrar e nos recolocar de volta ao bom caminho, o caminho do nosso chamado essencial. Ela sabe que precisamos de sinais que nos convençam e nos provem verdadeiramente que o homem é capaz da santidade. Pela graça, o homem é um nada capaz de Deus. Ela realça aos nossos olhos o exemplo da vida de pessoas que dentro de suas realidades especificas, e muitas vezes simples, abraçaram com radicalidade o chamado ontológico de todo homem: a santidade.
No dia 19 de outubro de 2008, domingo dedicado às Missões, foram beatificados em Lisieux, na França, os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus: Zélie Guérin e Louis Martin. Mas, por quê? Em que este casal pode ser declarado beato? O que eles fizeram de especial? Qual a ligação de um simples casal que nunca partiu a lugar algum para evangelizar com as Missões?
A Igreja quer nos indicar que o matrimônio e a família são, sim, espaços de santificação, são altares onde vidas podem ser santificadas. Este casal soube entender o apelo de santidade e assumiu em sua vida matrimonial o seguimento de Cristo, aderindo, em sua realidade, à Páscoa de Cristo. E como assumiram a Páscoa de Cristo? O primeiro passo da Páscoa é a morte de si para aderir à vontade de Deus e eles o fizeram. Conta-nos a história que ambos, antes de se conhecerem, pensaram em seguir a vida religiosa, mas foram desaconselhados por seus respectivos diretores espirituais. Conheceram-se e logo se casaram. Louis propôs a Zélie de viverem como irmãos depois de casados e, tendo ela aceitado, viveram assim por dez meses. Quando o confessor soube da realidade, desaprovou avidamente tal atitude, convidando-lhes a povoarem a terra de pessoas santas. Eles prontamente obedeceram. Vemos aqui o primeiro passo da Páscoa e do caminho de santidade: abraçar a vontade de Deus na realidade da nossa vida. Eles compreenderam que podiam se santificar não apesar do matrimônio, mas através dele, nele e por ele; compreenderam também que as núpcias conjugais são o ponto de partida de uma subida a dois.
O fruto dessa obediência foram nove filhos, dos quais quatro morreram, quatro se tornaram carmelitas e uma visitandina do Mosteiro de São Francisco de Sales. Este primeiro passo do casal foi na verdade o simples e magnífico assumir a radicalidade da vocação matrimonial. Assumiram o ordinário de sua vocação matrimonial, tendo como meta e objetivo o céu, ou seja, foram determinados pelo seu destino que era a santidade, assumiram no cotidiano da vida familiar os passos de Cristo. Sim, Cristo foi determinado pelo seu destino, pela vontade do Pai e cada ato de Cristo tinha este objetivo. Assim viveram também Louis e Zélie, ele relojoeiro e ela rendeira; viveram suas vidas simples determinados pelo desejo do céu e assim educaram suas filhas.
O casal era de missa diária, muita oração, confissão frequente e participava da vida paroquial. Santa Teresinha nos conta em seus manuscritos que amava os passeios vespertinos com o papai, o seu Rei querido; e fazia com ele sempre uma visita ao Santíssimo Sacramento, visitando cada dia uma igreja diferente. “Foi assim que entrei pela primeira vez na Capela do Carmelo”, nos conta cheia de emoção Teresinha. Em seus relatos também encontramos cartas de sua mãe que a deixara algumas vezes dormindo em casa para ir à missa às cinco da manhã. Isso pode parecer contrário aos casais de hoje que muitas vezes utilizam como desculpa os filhos pela sua ausência na igreja, mas este casal entendeu que a educação é também transmissão de valores e que não podiam negar às suas filhas o seu maior valor: Cristo e Seu Reino e não tiveram medo de lhes oferecer este Cristo, mesmo nos momentos de lazer, fazendo que suas filhas entendessem que a santidade é a felicidade eterna encarnada na simplicidade da vida.
Outra característica deste casal era o amor vivido e expressado. Estes dois se amavam e não tinham medo de mostrar seu afeto um pelo o outro nem por suas filhas. O santo não tem medo de amar nem de demonstrar afetos. O amor era a segurança e base desta família. O amor entre eles era o motivo para serem verdadeiros e nada esconderem uns dos outros. Vemos nos relatos de Teresinha como a relação de seus pais era pautada no amor, o reflexo deste amor é visto pelo modo como se tratavam em família; eles se chamavam com títulos carinhosos como: meu rei, minha rainhazinha, minha querida mãezinha entre outros, e suas filhas se sentiam seguras e tão amadas que não tinham medo nem de lhes contar suas travessuras, como podemos conferir nesta narração de Zélie falando de Teresinha: “é uma criança que se comove facilmente. Quando faz alguma coisa errada, precisa logo contar pra todos. Ontem, tendo rasgado, sem querer, um canto do papel de parede, ela ficou num estado lastimável, e quis avisar logo o pai. Ele chegou quatro horas depois, quando mais ninguém, a não ser ela, pensava nisso. Correu imediatamente dizer a Maria: diga logo para papai que eu rasguei o papel. Ficou aí como um criminoso que aguarda a condenação. Mas tem, na sua pequena idéia, que obterá mais facilmente o perdão se confessar a falta”.
Teresinha e suas irmãs não tiveram dificuldades em experimentar o imenso amor de Deus nem a Sua misericórdia, muito menos em ouvir o apelo amoroso de Deus para suas vidas. O amor de seus pais que sustentou e foi o centro da família muito colaborou para lhes incendiar o desejo de santidade. O amor de Deus se manifestou na vida dessas meninas através desses pais que lhes souberam amar sem buscar ser perfeitos, mas buscando lhes mostrar que o amor verdadeiro tem suas raízes no céu. “A relação pais e filhos é o grande trunfo e triunfo da vida humana. Teresinha sentia-se cercada de amor, mimada pelos pais. Eis o segredo do seu extravasamento de amor por Deus, pela Igreja e pelas missões. A oração e o colo dos pais, os valores ensinados e vividos por Louis e Zélie fizeram os filhos transbordar de amor fraterno e experimentar a doçura e a profundidade do amor de Deus. Só os amados, amam; só os amados mudam.”
Aos 45 anos de idade morre Zélie (1877), vítima de um tumor no seio. Louis fica viúvo com 54 anos e dirige sozinho a família. Louis morreu em 1894 de invalidez e perda das faculdades mentais. “Pais santos geram filhos santos. Pais zelosos, filhos ótimos. Este princípio é sempre válido, ou seja, “bons pais criam ótimos filhos” (Dom Orlando Brandes).
A nossa Santa Mãe Igreja os beatificou num domingo dedicado às missões para nos lembrar que a verdadeira missão consiste em assumir a vontade de Deus na nossa realidade, fecundando neste mundo a vitória da Ressurreição. Termino com as palavras da Homilia do Cardial José Saraiva Martins, por ocasião da beatificação: “Meu coração rende graças ao Senhor por este testemunho exemplar de amor conjugal capaz de estimular os lares cristãos na prática integral nas virtudes do Reino como estimulou o desejo de santidade em Teresinha… Gostaria que vocês pensassem em vossos pais e que agradecêssemos juntos a Deus por nos ter criado e nos ter feito cristãos através do amor conjugal de nossos pais. Receber a vida é uma coisa maravilhosa, mas, para nós, é mais admirável ainda que nossos pais nos tenham conduzido à Igreja que é a única capaz de nos fazer cristãos. Ninguém pode se fazer cristão por si só”.

Fontes
Homilia do Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a causa dos Santos.
www.zenit.org.
www.cnbb.org.br/história de uma alma.

Luiz Henrique Ferreira
Consagrado na Comunidade Católica Pantokrator

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