Coisas que aprendi quando me tornei mãe

“Quando você se tornar mãe sua vida irá mudar completamente!”

Ouvi essa frase, por diversas vezes, quando estava grávida, e realmente nunca poderia mensurar a proporção desta transformação.

Eu era uma pessoa extremamente acomodada. Meu passatempo predileto era dormir, mas isso antes de tornar-me mãe. Minha filha teve sua primeira noite inteira de sono somente aos 2 anos e 3 meses; e quisera eu que apenas a privação de sono fosse a única renúncia.

Coisas que aprendi quando me tornei mãeUma mulher ao tornar-se mãe tem sua rotina modificada da noite para o dia! Porém, a transformação interior não ocorre na mesma velocidade. Eu sofri! Sofri por ver que não fazia mais nada no tempo em que eu queria; sofri, pois a maioria das coisas que eu gostava de fazer não comportava a rotina com um bebê; sofri por comer correndo, por comer comida sempre fria, por ter a vida fracionada de 3 em 3 horas… ou ainda menos; sofri por meses com choros de cólica; sofri porque comparava minha filha com o filho dos outros; sofri porque na verdade me deparei com a necessidade de amadurecer! Quando me tornei mãe, em meio a uma nova vida, deparei-me comigo mesma… e como isso me assustava! Meu torturador era meu próprio egoísmo que agora gritava querendo proteger suas comodidades fazendo-me descobrir que sempre dei aos outros e à Deus o tempo que me sobrava!

Os hormônios alterados do puerpério faziam meu humor oscilar com freqüência; dias abarrotados de emoções, o corpo dolorido e que já não era também mais o mesmo após a gestação. Como me sentia frágil e vulnerável! Em meio a esse turbilhão, existia uma linda bebê pela qual eu era apaixonada e que sem dúvidas era ainda mais frágil que eu e completamente dependente.

A única rotina que permanecia a mesma era a oração. Eu continuava rezando, sem ter nenhuma vontade, porque percebia claramente que, para viver minha maternidade e esta nova vida, eu precisaria de um milagre!

“Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, encontra. A quem bate, abrir-se-á. Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão?E se pedir peixe, dar-lhe-á uma serpente? Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem.”  (Mt 7, 7-11)

E eu pedi, insistentemente, um coração novo, capaz do bem, capaz do amor, capaz de esquecer-se! E sem notar com clareza, era fato que, dentro de mim existia uma força que me desvencilhava de todas as minhas necessidades negadas, para atender aquele serzinho que Deus havia me confiado.

Comecei então a encontrar a verdadeira beleza da maternidade! Diante de todas as minhas fraquezas e misérias encontrava um Deus imenso que me sustentava. Um amor muito diferente de todo amor que estava acostumada: firme, concreto, exigente, que permite as condições desconfortáveis para provar que, tudo o que precisamos, recebemos dEle! Chorei muito diante da incapacidade de superar meus limites e, incansáveis vezes, deparei-me com o amor de Deus, pois era muito claro a forma como Ele me sustentava quando eu achava não ter mais paciência, não ter mais forças, não ter mais disposição. Sentia-me indigna de ser amada por um amor que me constrangia, porém, em uma nova descoberta, entendi que queria dosar o amor de Deus com as minhas qualidades e capacidades e naquelas condições, elas definitivamente, não se sobressaltavam. Diante deste amor era impossível negar-Lhe alguma coisa. Me determinei a ter com minha filha e com todas as pessoas a mesma paciência que Deus tem comigo diante de todas as minhas demoras. Sim, já falhei muitas vezes depois que me determinei, mas quando minha filha começou aprender a andar, entendi que era caindo que se aprendia; entendi que primeiro se dá passos sem muita firmeza e, pouco a pouco, no cotidiano, aprende-se a correr!

Ser mãe me ensinou que cada pessoa tem um tempo, que amor não tem nada de sentimentalismo e que abandono e dependência nos colocam sob os cuidados imediatos de Deus, pois ainda que falhemos muitas vezes com nossos filhos, Ele é incapaz de falhar conosco e tudo o que faz e permite é por que nos ama e nos quer caminhando nesta vida rumo ao céu.

“O Senhor me abandonou, o Senhor me desamparou. Será que uma mãe pode esquecer-se do bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa se esquecer, Eu não me esquecerei de você” (Is 49, 14-15).

Minha vida realmente mudou completamente para melhor. Passei a ser feliz com coisas simples, a determinação passou a vencer com muita frequência a preguiça, a alegria é marca constante dos meus dias em todos os momentos com minha filha e viver tudo colocando-me diante de Deus a todo o momento foi a maior conquista de liberdade que já tive! Se Aquele que mais amo sabe de tudo o que se passa em meu coração, todas as outras coisas perdem o peso. A maternidade me trouxe Deus e Deus deu um novo sentido da vida!

Sempre existirá este lugar de encontro com Deus nas situações comuns do dia a dia, na vida do outro, na vida de oração, nos momentos de alegria, ansiedade ou tristeza. Deus sempre está presente e sabemos então qual amor nos sustenta diante dos obstáculos que nos faz dar passos concretos nesta vida rumo ao céu.

E minha vida de mãe? Vai muito bem, obrigada!

Larissa Machado
Postulante da Comunidade Pantokrator

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Comentários (1)

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  1. Leia Ribeiro disse:

    Sei bem como estas sensações sobressaem ao nosso desejo, nossa força de vontade ou nosso amor próprio.
    Ser mãe é uma profissão linda,na realidade divina.
    Agradeço à Ele por deixar que um anjo me escolhesse como sua mãe.
    Agora sobre Larissa, nunca tive dúvidas que conseguiria,sua fé move montanhas.
    Leia Ribeiro

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