Deus, um Pai que nos Guia!

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“Celebrai o Senhor, porque Ele é bom; pois eterno é seu amor! Que Israel diga : eterno é seu amor. Que a casa de Aarão agora o diga : eterno é seu amor. Digam os que temem o Senhor: eterno é seu amor!” (Sl 118, 1-4).

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Quero iniciar este testemunho unindo a voz de minha alma, a voz do salmista, para juntamente com ele exaltar a manifestação do amor e cuidado de Deus na vida de seus filhos, um amor que não se descuida por um só momento e que está constantemente a guiar nossos passos, tomando-nos pela mão. Falo isso, pois o testemunho de discernimento de minha vocação e do meu estado de vida é uma manifestação concreta do amor intenso de Deus por mim, em que descobri o desejo d’Ele pela minha vida e o quanto me esperava para pertencer a Ele, numa entrega de amor e doação.

Hoje sou discípulo da Comunidade Católica Pantokrator, como membro da Comunidade de Vida Comum, caminhando para a consagração no Celibato. Também sou seminarista da Comunidade, no início dos meus estudos de Filosofia, em nossa casa de missão presente na diocese de Avignon, França.

Dentro da vivência do carisma, na vida comunitária, fui descobrindo as nuances do chamado de Deus para minha vida. Posso começar dizendo que minha vocação não é resultado de minhas decisões e projetos humanos, e o digo sem sombra de dúvida, mas a descoberta e o conhecimento da Vontade de Deus para minha vida. Isso significa: descobrir e conhecer o que me santifica e, conseqüentemente, me fará feliz. Essa felicidade já é palpável em minha vida hoje.
Ingressei na Comunidade no ano de 2005, como membro da Forma de Vida Secular. Pouco tempo depois de minha entrada, comecei a sentir que Deus me atraía para uma entrega que iria me inserir em uma radicalidade nova e específica. Meu coração queria dar mais, amar mais e fui sentindo que Deus me atraía para a viver na Comunidade na Forma de Vida Comum. Não sabia explicar o porquê, mas era concreta a manifestação dessa “sedução” de Deus.

Nesse momento de minha vida, namorava com a Isabella (hoje consagrada na Comunidade) e que foi para mim um grande instrumento de Deus. Comecei a partilhar com ela meus sentimentos e sua postura, mesmo em meio à dor de prever a possível perda do seu namorado, foi de não ser uma barreira entre Deus e minha alma. Lembro claramente, até hoje, de nossas partilhas sobre esse assunto e Deus sempre nos pedia que aprendêssemos a viver o hoje. Foi uma profunda experiência de abandono. Depois de um tempo de discernimento com meus formadores e de oração, entrei para Forma de Vida Comum, continuando a namorar.

Sempre me agarrei à verdade, que inclusive aprendi com a Isa, de que Deus não é incoerente e que não perde o controle de nossas vidas.

Ao mergulhar na vivência própria da Vida Comum, marcada pela intimidade com Deus, na vida comunitária, sentia que Deus me pedia mais. Ele incendiava meu coração no desejo de ser totalmente possuído por Ele.

Confesso que, durante um tempo, tentei fingir que não estava acontecendo nada, mas não consegui escapar dessa atração de Deus. Ele foi mais forte! Após partilhar meus sentimentos com meu formador, entrei num período de intenso discernimento e oração, mergulhando em mim, na busca de encontrar a Vontade de Deus. A vivência do abandono no que Deus me pedia foi algo que se tornou mais intenso ainda, pois continuava namorando e esse processo foi sendo o instrumento mesmo que Deus utilizou para me mostrar o chamado ao Celibato, que já existia em mim desde minha criação, mas somente naquele momento estava se tornando cada vez mais palpável. Com isso, fiz um retiro pessoal em que pude perceber claramente que Deus me chamava a abraçar uma entrega de vida marcada pela exclusividade a Ele; e tomei a decisão de assumir esse estado de vida.

O término do namoro foi um momento extremamente doloroso e difícil para mim, pois via o sofrimento da Isabella. Mas Deus também olhava para isso e cuidava dessa situação por nós dois. Depois de um tempo de distância, nos sentamos para partilhar o que tínhamos vivido e vimos juntos que tínhamos namorado porque isso era a Vontade de Deus para nossas vidas. Enxergamos naquele momento, juntos, tudo aquilo que Deus tinha feito em nós através do namoro e que também era da Vontade de Deus o término do nosso relacionamento. Diante disso, falamos que esse foi um namoro que Deus certo, porque foi pautado nesta Santa Vontade!!!! E recebi um grande presente, que foi poder continuar minha amizade com a Isabella.

Após esse período intenso, Deus me surpreendeu com o chamado ao sacerdócio ministerial. Tudo aconteceu de forma extremamente simples, como são as coisas de Deus, pois pouco tempo depois de iniciar uma vivência de recolhimento, tendo em vista o Celibato, num momento de oração eu me senti totalmente livre diante de Deus, pelo dom mesmo do Celibato. Senti um forte apelo do coração de Deus para a necessidade da Igreja de homens disponíveis para o sacerdócio, num desejo ardente de serem sacerdotes santos num testemunho de fidelidade incondicional a Deus. No mesmo instante em que meu coração meditava sobre isso, percebi que eu sou um desses homens que está disponível para doar-se a Deus, por amor do Evangelho. Foi tudo tão claro pra mim naquele momento que não tive dúvidas!!! Trago essa experiência marcada em mim até hoje.

Hoje, depois de um tempo de espera de cerca de 3 anos, eu inicio os estudos, no Instituto Notre Dame de Vie, na cidade de Venasque, diocese de Avignon. Vejo que a espera que Deus me fez viver até hoje, mesmo que me tenha causado certo sofrimento, foi o grande meio pelo qual Deus pode provar minha decisão e, assim, purificá-la e amadurecê-la.
Sinto uma imensa paz por viver esse novo momento em minha vida, assumindo aquilo para o qual fui criado.
Não posso terminar esse testemunho sem louvar a Deus, El Shaddai, que é amor, carinho e proteção em minha vida. E desejo que toda sua vida possa ser profundamente envolvida e transformada pelo desejo de Deus.

Leonardo José dos Santos
Discípulo e seminarista da Comunidade Católica Pantokrator

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