O maior momento da história da humanidade foi aquele em que o Arcanjo Gabriel pediu à Nossa Senhora que aceitasse ser a Mãe do Verbo encarnado. A vinda do Messias ao mundo esteve pendente do “sim” de Maria!

Por isso, São Bernardo dirige-se à Nossa Senhora, nesse momento de expectativa universal, com estas palavras:

“Ó Senhora, responde, diz a palavra que a terra, o inferno e o próprio céu esperam…

Responde depressa ao Anjo e, por intermédio do Anjo, a Deus.

Diz uma palavra e recebe o Verbo em ti; pronuncio o teu verbo (a tua palavra), receberes o Verbo de Deus; diz a palavra que passa e abriga a Palavra eterna. Crê, fala, concebe. Por que tardas, por que temes? Revista-se de audácia a tua humildade, cubra-se de confiança a tua modéstia. Nesse ponto e só nesse, não temas a presunção, porque, se é belo, ó Virgem, um silêncio modesto, a caridade necessária para te fazer falar e, neste momento, muito mais bela.

[…] Levanta-te, corre, abre-te! Levanta-te para espírito da fé; corre por devoção; abre-te e diz SIM”.

Ao assistirmos a visita do Anjo, impressionou-nos a generosa prontidão da resposta de Nossa Senhora. Depois a vimos acompanhada apenas de seu grande “sim” concretizando no mais belo fruto que se possa conceber: o Verbo feito carne no seio puríssimo. Devem ter sido tantas as coisas que passaram pela mente da Virgem Santíssima, que seria impossível resumi-las; foi toda a história da humanidade e a de Israel, seu povo. Séculos e séculos de preces para que chegasse o Messias. “Abram-se as nuvens e chova o Justo; abra-se a terra e germine o Salvador.” (Is 45, 8). Nossa Senhora vislumbrava as consequências do seu “sim” ao Amor, estava dando a luz a uma nova humanidade que se encaminharia para Deus com passo decidido. O Reino dos céus estava muito perto… já pulsava em suas entranhas virginais.

Aprenda com Nossa Senhora como ser dom para o mundo

A dor de sua alegria esteve apenas em que, nesse momento, não podia participá-la ao mundo…nem sequer a José, o Esposo fidelíssimo. Eram os desígnios de Deus. Mas, o nosso Pai não deixou Nossa Senhora suportar por muito tempo um sofrimento tão grande. O Arcanjo insinuara que Isabel precisaria de ajuda. Maria, compreendendo, parte apressadamente em direção às montanhas da Judéia. (Deus tem pressa em salvar almas e Nossa Senhora queria manifestar as riquezas da misericórdia e derramar as primícias de suas graças).

Que vidas, que destinos dependem do seu “sim” a Deus? Não se trata apenas de grandes atos heroicos, extraordinários, mas de pequenas coisas que realizadas com amor tem um peso de eternidade. (Disse uma santa que, levantar uma palha por amor, vale muito mais que sofrer um doloroso martírio sem amor…) O amor dá forças ao espírito para vencer a matéria. Quanto mais amor tiver o nosso espírito, mais verdadeiro será, mais alegria nos dará, mais nobre será.

Nossa Senhora traz em si o “Amor em Pessoa”: Aquele que haveria de encher o mundo de Amor. Ela é o caminho para o Amor! Ela é a Mãe do Amor! O que acontece, através da saudação de Maria, na casa de Zacarias, é muito mais que uma visita. Nossa Senhora leva o próprio Amor encarnado! O que acontece, através da saudação de Nossa Senhora, na casa de Zacarias, é muito mais que uma visita. Maria leva o próprio Amor encarnado!

Com a saudação de Nossa Senhora, o pequeno João Batista, no ventre de sua mãe, saltou de alegria como um grande sinal de júbilo por ter sido purificado da culpa original. O menino foi santificado pelo Divino Espírito Santo e Isabel, iluminada interiormente, ficou repleta do Espírito Santo! (Lc 1, 39-45). Uma grande luz se fez na mente de Isabel que viu em sua jovem prima a Mãe de Deus e exclamou em alta voz: “Bendita és tudo entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a Mãe do meu Senhor?” (Lc 42-43). Dizer “a mãe do meu Senhor” equivale a dizer “a Senhora”, “a Rainha”.

A visitação de Nossa Senhora levou a família de Isabel a um derramamento de graças. Agora, a Santíssima Virgem já pode manifestar em alta voz e dividir sua enorme alegria. Impelida pelo Espírito Santo, então o Magnificat (Lc 1, 46-45). Ela encontra uma alegria imensa proporcional à magnitude desse “sim”. Porque a alegria é um certo ato e fruto do amor. E quanto mais radical for esse “sim”, maior a alegria.

Que teria acontecido se a Virgem tivesse dito ao Arcanjo: “A minha resposta, Gabriel, é não”. Valho pouco, quero continuar como simples escrava do Senhor…” Que teria acontecido? Nunca saberemos neste mundo.

O “sim” venceu: no sim de Maria, Deus se fez homem! Ela passou a ser a Mãe de Deus, e nós que éramos servos, agora somos herdeiros e filhos de Deus e o Reino de Deus passou a estar no meio de nós. Assim, temos Jesus na Eucaristia e nos outros Sacramentos. Tudo isso, graças ao um ato generoso, um sim.

Ninguém é capaz de prever a transcendência dos nossos atos de generosidade à Jesus quando Lhe entregamos o que temos nas mãos. Não faz mal que seja pouco, o importante é que seja “tudo”. Ele precisa de bem pouco para fazer milagres, na verdade, não precisa de nada, pois do nada fez o Universo.

O que Deus espera de ti? Pergunta-Lhe. Melhor, pergunta à Mãe de Deus, e, de passagem, repara nEla. Qual a resposta de Maria quando o Anjo lhe comunica que a graça de Deus atua de modo pleno nela? Faça-se! Faça-se em mim segundo a Tua palavra. É uma disponibilidade absoluta, incondicional, sem reservas.

Porque nós temos essa resistência a desejar que faça-se em tudo a Vontade de Deus? Por que, se Deus pode somente o bem, pois é a Suma Bondade?

O Senhor não desvia Seu olhar de amor sobre nós. Deus nos fala muitas vezes, mesmo sem dizer qualquer palavra. Olha-nos, procurando em nós o Seu projeto inicial, os Seus sonhos, os Seus planos. Procura em nós o nosso melhor, o que ainda podemos ser. Aguarda o nosso “sim”.

A missionariedade passa pela necessidade da Igreja, da consciência de ser chamado, amado e escolhido por Deus, do nosso relacionamento com Ele, da ação do Espírito Santo e também das nossas respostas sinceras e comprometidas com a verdade e a fé, mesmo em questões mais difíceis.

Os nossos “sim” a Deus, mesmo os mais insignificantes na aparência, colaboram para Salvação do mundo. A esse respeito é bom redescobrir aquilo que sempre ensinaram os grandes protagonistas da ação apostólica: é preciso confiar em Deus como se tudo dependesse Dele e, ao mesmo tempo, empenhar-se generosamente como se tudo dependesse de nós.

Não temas! Coragem! Alegre-se! Deus quer agir através da nossa entrega à Sua Divina Vontade, da nossa inquietação missionária, da nossa pressa pelo anúncio de Cristo, da nossa pertença a Cristo. Das nossas respostas verdadeiras, dependem muitas coisas grandes que Deus quer realizar. Dessa forma, vamos ser um sinal de testemunho verdadeiro de Cristo no mundo, seja pelo nosso estilo de vida, por persuasiva pregação, ainda que muitas vezes silenciosa, do Evangelho.

[…] Levanta-te, corre, abre-te! Levanta-te para espírito da fé; corre por devoção; abre-te e diz SIM.

Virgem da Visitação, vem, apressadamente, visitar-nos e ensina-nos a dizer sim a Deus, a proclamar as maravilhas e os desígnios divinos que o Senhor realiza com alegria em nossas vidas; ensina-nos a ir ao encontro das necessidades humanas e, sobretudo, levar Jesus! Nossa Senhora da Visitação, rogai por nós!

“Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu” (Lc 1,45).

Lucimara Vieira
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

Livro: Um mês, com Maria, Mãe de Jesus – Pe. Januário dos Santos – Raboni Editora.
Livro: Olhar para Maria – Antonio Orozco Delclos – Quadrante
Livro: A vida consagrada – João Paulo II – Paulus
Artigo: Festa da Visitação – Padre Paulo Ricardo

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